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Dia do Descobrimento do Brasil - 22 de abril

Em 22 de abril, celebra-se a descoberta do Brasil. O termo descoberta do Brasil se refere à chegada, no ano de 1500

Em 22 de abril, celebra-se a descoberta do Braisl. O termo descoberta do Brasil se refere à chegada, no ano de 1500, da esquadra comandada por Pedro Álvares Cabral ao território onde hoje se encontra o Brasil e a tomada de posse do mesmo pelo reino de Portugal. Contudo, o termo “descoberta” não é bem aplicado, pois constitui uma visão eurocêntrica da História e desconsidera os muitos povos indigenas que viviam nas terras do atual Brasil.

A armada

Confirmando o sucesso da odisseia de Vasco da Gama, o rei d. Manuel I depressa se aprontou em mandar aparelhar uma nova frota para a ‘Índia’, desta feita bastante maior. A nova frota era composta por treze navios e mais de mil homens. Pela primeira vez liderava uma frota um fidalgo, Pedro Álvares Cabral, filho de Fernão Cabral, alcaide-mor de Belmonte. Sabe-se que a armada levava mantimentos para dezoito meses. Pouco antes da partida, mandou el-Rei rezar uma missa, no Mosteiro de Belém, presidida pelo bispo de Ceuta, d. Diogo de Ortiz, onde benzeu uma bandeira com as armas do Reino e a entregou em mão a d. Pedro Álvares Cabral, despedindo-se pessoalmente o rei do fidalgo e dos restantes capitães. Vasco da Gama teria tecido considerações e recomendações para a longa viagem que se chegava: a coordenação entre os navios era crucial para não se perderem uns dos outros, pelo que recomendou ao capitão-mor disparar os canhões duas vezes e esperar pela mesma resposta de todos os outros navios antes de mudar o curso ou velocidade (método de contagem ainda hoje utilizado em campo de batalha terrestre), entre outros códigos de comunicação semelhantes.

A viagem

Zarpava a grande frota de treze navios do Restelo a 8 de março de 1500, com o objetivo formal de concluir relações comerciais com os portos índicos de Calecute, Cananor e Sofala, iniciadas na viagem de Vasco da Gama. Pelo dia 14 do mesmo mês já se encontravam nas Canárias e no dia 22 chegavam a Cabo Verde. No dia seguinte desaparecia misteriosamente o navio de Vasco de Ataíde. No dia 22 de abril, acidente de percurso ou missão secreta de legitimação de posse, avistava-se «terra chã, com grandes arvoredos: ao monte». Ao grande monte, Pedro Álvares Cabral baptizou de Monte Pascoal e à terra deu o nome de Ilha da Vera Cruz — pensando ser uma ilha -, depois que descobriram ser um continente denominaram-na de Terra de Santa Cruz — hoje denominado Porto Seguro, no Estado da Bahia. Aproveitando os alísios, a esquadra bordeja a costa baiana em direção ao norte, à procura de uma enseada, achada afinal pouco antes do pôr do sol do dia 24 de abril, em local que viria a ser denominado Baía Cabrália. Ali permaneceram até 2 de maio, quando rumaram para a Índia, cumprindo seu objetivo formal de viagem e deixando dois degredados e dois grumetes que desertaram. Estava iniciada a ocupação do Brasil por europeus. No dia 24 de abril Cabral recebe os nativos no seu navio. Daí, acompanhado de Sancho de Tovar, Simão de Miranda, Nicolau Coelho, Aires Correia e Pero Vaz de Caminha, recebia o grupo de índios que reconheceram de imediata o ouro e prata que se fazia surgir no navio — nomeadamente um fio de ouro de d. Pedro e um castiçal de prata — indicando aos portugueses que ali havia destes metais. O encontro entre portugueses e índios está muito bem documentado na famosa carta escrita por Pero Vaz de Caminha, escrivão a bordo. O choque cultural foi evidente. Os indígenas não reconheciam os animais que traziam os navegadores, à excepção de um papagaio que o capitão trazia consigo; ofereceram-lhes comida e vinho que os índios rejeitaram. O fascínio tocava-lhes pelos objectos não reconhecidos - como umas contas de rosário, e a surpresa dos portugueses pelos objetos reconhecidos - os metais preciosos. Os indígenas começaram a tomar conhecimento da fé dos portugueses ao assistirem a Primeira Missa, rezada por frei Henrique de Coimbra, em um domingo, 26 de abril de 1500. A cruz foi plantada no solo do novo domínio português, que recebera o nome de Ilha de Vera Cruz. Logo depois de realizada a missa, a frota de Cabral rumou para a Índia, seu objetivo final, mas enviou um dos navios de volta a Portugal com a carta de Pero Vaz de Caminha.

Povos indígenas

Quando do “achamento” do Brasil pelos portugueses, o litoral baiano estava ocupado por duas nações indígenas do grupo linguístico tupi: os Tupinambás, que ocupavam a faixa compreendida entre Camamu e a foz do Rio São Francisco, e os Tupiniquins, que se estendiam de Camamu até o limite com o atual Estado do Espírito Santo. Mais para o interior, ocupando faixa paralela àquela apropriada pelos Tupiniquins, estavam os Aimorés. Tais grupos dominavam aqueles territórios havia apenas dois séculos e, provavelmente, provinham do Alto Xingu, na Amazônia.

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Dia do Descobrimento do Brasil - 22 de abril

Em 22 de abril, celebra-se a descoberta do Braisl. O termo descoberta do Brasil se refere à chegada, no ano de 1500, da esquadra comandada por Pedro Álvares Cabral ao território onde hoje se encontra o Brasil e a tomada de posse do mesmo pelo reino de Portugal. Contudo, o termo “descoberta” não é bem aplicado, pois constitui uma visão eurocêntrica da História e desconsidera os muitos povos indigenas que viviam nas terras do atual Brasil.

A armada

Confirmando o sucesso da odisseia de Vasco da Gama, o rei d. Manuel I depressa se aprontou em mandar aparelhar uma nova frota para a ‘Índia’, desta feita bastante maior. A nova frota era composta por treze navios e mais de mil homens. Pela primeira vez liderava uma frota um fidalgo, Pedro Álvares Cabral, filho de Fernão Cabral, alcaide-mor de Belmonte. Sabe-se que a armada levava mantimentos para dezoito meses. Pouco antes da partida, mandou el-Rei rezar uma missa, no Mosteiro de Belém, presidida pelo bispo de Ceuta, d. Diogo de Ortiz, onde benzeu uma bandeira com as armas do Reino e a entregou em mão a d. Pedro Álvares Cabral, despedindo-se pessoalmente o rei do fidalgo e dos restantes capitães. Vasco da Gama teria tecido considerações e recomendações para a longa viagem que se chegava: a coordenação entre os navios era crucial para não se perderem uns dos outros, pelo que recomendou ao capitão-mor disparar os canhões duas vezes e esperar pela mesma resposta de todos os outros navios antes de mudar o curso ou velocidade (método de contagem ainda hoje utilizado em campo de batalha terrestre), entre outros códigos de comunicação semelhantes.

A viagem

Zarpava a grande frota de treze navios do Restelo a 8 de março de 1500, com o objetivo formal de concluir relações comerciais com os portos índicos de Calecute, Cananor e Sofala, iniciadas na viagem de Vasco da Gama. Pelo dia 14 do mesmo mês já se encontravam nas Canárias e no dia 22 chegavam a Cabo Verde. No dia seguinte desaparecia misteriosamente o navio de Vasco de Ataíde. No dia 22 de abril, acidente de percurso ou missão secreta de legitimação de posse, avistava-se «terra chã, com grandes arvoredos: ao monte». Ao grande monte, Pedro Álvares Cabral baptizou de Monte Pascoal e à terra deu o nome de Ilha da Vera Cruz — pensando ser uma ilha -, depois que descobriram ser um continente denominaram-na de Terra de Santa Cruz — hoje denominado Porto Seguro, no Estado da Bahia. Aproveitando os alísios, a esquadra bordeja a costa baiana em direção ao norte, à procura de uma enseada, achada afinal pouco antes do pôr do sol do dia 24 de abril, em local que viria a ser denominado Baía Cabrália. Ali permaneceram até 2 de maio, quando rumaram para a Índia, cumprindo seu objetivo formal de viagem e deixando dois degredados e dois grumetes que desertaram. Estava iniciada a ocupação do Brasil por europeus. No dia 24 de abril Cabral recebe os nativos no seu navio. Daí, acompanhado de Sancho de Tovar, Simão de Miranda, Nicolau Coelho, Aires Correia e Pero Vaz de Caminha, recebia o grupo de índios que reconheceram de imediata o ouro e prata que se fazia surgir no navio — nomeadamente um fio de ouro de d. Pedro e um castiçal de prata — indicando aos portugueses que ali havia destes metais. O encontro entre portugueses e índios está muito bem documentado na famosa carta escrita por Pero Vaz de Caminha, escrivão a bordo. O choque cultural foi evidente. Os indígenas não reconheciam os animais que traziam os navegadores, à excepção de um papagaio que o capitão trazia consigo; ofereceram-lhes comida e vinho que os índios rejeitaram. O fascínio tocava-lhes pelos objectos não reconhecidos - como umas contas de rosário, e a surpresa dos portugueses pelos objetos reconhecidos - os metais preciosos. Os indígenas começaram a tomar conhecimento da fé dos portugueses ao assistirem a Primeira Missa, rezada por frei Henrique de Coimbra, em um domingo, 26 de abril de 1500. A cruz foi plantada no solo do novo domínio português, que recebera o nome de Ilha de Vera Cruz. Logo depois de realizada a missa, a frota de Cabral rumou para a Índia, seu objetivo final, mas enviou um dos navios de volta a Portugal com a carta de Pero Vaz de Caminha.

Povos indígenas

Quando do “achamento” do Brasil pelos portugueses, o litoral baiano estava ocupado por duas nações indígenas do grupo linguístico tupi: os Tupinambás, que ocupavam a faixa compreendida entre Camamu e a foz do Rio São Francisco, e os Tupiniquins, que se estendiam de Camamu até o limite com o atual Estado do Espírito Santo. Mais para o interior, ocupando faixa paralela àquela apropriada pelos Tupiniquins, estavam os Aimorés. Tais grupos dominavam aqueles territórios havia apenas dois séculos e, provavelmente, provinham do Alto Xingu, na Amazônia.

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