Câncer (ou neoplasia maligna) é o nome que se dá a um conjunto de mais de 200 doenças diferentes que têm como característica em comum o crescimento anormal de células. Quase sempre, essas células anormais formam tumores sólidos, que invadem regiões vizinhas e podem se desprender e ir para outras partes do corpo —processo chamado de metástase. A exceção é para os cânceres que afetam o sangue, como a leucemia, que raramente geram tumores, nem metástase, mas podem infiltrar os tecidos e órgãos diretamente.
Graças aos avanços na medicina, receber o diagnóstico de câncer não é mais sinônimo de sentença de morte. A doença nem sempre pode ser evitada, mas políticas eficazes de incentivo a hábitos saudáveis, acesso aos serviços de saúde e rastreamento podem fazer uma enorme diferença na redução da mortalidade, nos índices de cura e na qualidade de vida dos pacientes para os quais a enfermidade é incurável.
Incidência
O câncer é a segunda doença que mais mata em todo o mundo, sendo responsável por cerca de 9,6 milhões de mortes por ano. No Brasil, o número mortes (mais de 200 mil por ano) só é menor que o provocado por doenças cardiovasculares, como infarto e derrame (AVC). Com o envelhecimento da população, a incidência de câncer vem aumentando: o Inca (Inca Instituto Nacional de Câncer) estima um total de 600 mil novos casos por ano.
Como surge o câncer
Nosso corpo é formado por trilhões de células diferentes, que crescem, se dividem e depois morrem, sendo substituídas por novas células. O manual de instruções para todo esse processo ordenado vem inscrito nos genes, espécies de arquivos presentes em cada uma de nossas células.
O câncer surge a partir de uma mutação genética, ou seja, uma alteração no DNA (ácido desoxirribonucleico), o composto orgânico presente no núcleo das células onde ficam guardadas todas informações genéticas do indivíduo.
Existem alguns genes responsáveis por promover a divisão celular, os chamados "proto-oncogenes", e também há "genes supressores do tumor", que retardam a divisão celular ou levam as células a morrer na hora certa. Um câncer pode surgir a partir da ativação de oncogenes ou pela desativação dos genes supressores do tumor.
O câncer é um problema genético ou hereditário?
É possível herdar um DNA anômalo do pai ou da mãe, mas a maioria das mutações genéticas ocorrem ao longo da vida, por um erro durante a multiplicação das células, ou pela exposição a um agente carcinogênico (ou carcinógeno), como a radiação ou o cigarro. Estima-se que apenas 10% de todos os cânceres ocorram devido a fatores hereditários.
Assim, dizemos que o câncer é uma doença de origem genética, mas nem sempre geneticamente herdada. Os diferentes fatores de risco interagem de forma específica para cada pessoa, por isso nem todos os integrantes de uma mesma família expostos aos mesmos fatores de risco ficam doentes.
Carcinogênese
O processo de formação do câncer, ou carcinogênese, é lento, podendo levar anos até o surgimento de um tumor visível. Os diferentes estágios envolvidos dão uma ideia de quão complexa é a doença e suas causas:
1) Estágio de iniciação
As células são geneticamente alteradas por certos agentes cangerígenos, mas a doença ainda não está instalada.
2) Estágio de promoção
A célula "iniciada" sofre a ação de outros tipos de agentes e se transforma, lentamente, em uma célula maligna. Se a exposição for suspensa, ainda há chance de interromper o processo.
3) Estágio de progressão
A célula modificada começa a se multiplicar de forma descontrolada e irreversível, e o câncer se manifesta (por exemplo na forma de um tumor ou de alterações em células do sangue).
4) Metástase
Eventualmente, as células cancerosas de um tumor localizado podem atingir os gânglios linfáticos próximos ao tecido afetado e, então, há risco de se espalharem, produzindo uma metástase (um tumor em outra parte do corpo).
Qual a diferença entre tumor maligno e benigno?
Nem todo tumor é um câncer, mas todo tumor pode ser chamado também de neoplasia ("neo" e "plasia" significam "novo" e "crescimento"). Um tumor benigno (ou neoplasia benigna), ao contrário do maligno (câncer), cresce de forma lenta e organizada. Num exame de imagem, em geral, ele apresenta limites nítidos. Diferentes do câncer (ou tumor maligno), os benignos não têm capacidade de gerar metástase e, por isso, só costumam ser operados quando geram sintomas ou ameaçam estruturas vizinhas. Miomas uterinos são exemplos de tumores benignos muito frequentes e que nem sempre exigem cirurgia. Um tumor maligno pode surgir a partir de um benigno?
Vale acrescentar que existem outros tipos de doenças caracterizadas pela proliferação exagerada de células que não são câncer, como as displasias e as hiperplasias.
Sintomas
Cada tipo de câncer pode gerar sinais e sintomas específicos, e muitos podem permanecer assintomáticos até que a doença se torne avançada. Entre as manifestações mais comuns, pode-se destacar:
Presença de nódulo ou inchaço;
Anemia ou infecções frequentes;
Presença de sangue nas fezes ou secreções;
Pintas com bordas irregulares ou feridas que não cicatrizam;
Perda de peso;
Dor;
Fadiga ;
Convulsões;
Causas
Não existe uma causa única para o câncer, e sim fatores que interagem entre si, levando ao surgimento e proliferação das células anormais. Há causas internas, como hormônios, condições imunológicas, envelhecimento e mutações genéticas. E existem as causas externas, como a radiação ultravioleta, o cigarro, alguns vírus e outros elementos classificados como carcinogênicos (agentes cancerígenos).
Algumas dessas causas são impossíveis de se evitar, como o envelhecimento. Mas isso não quer dizer que seja impossível prevenir-se de um câncer. De acordo com o Inca, entre 80% e 90% dos casos de câncer se devem a mudanças provocadas no ambiente pelo homem ou seus hábitos. O estilo de vida sozinho, o que inclui dieta, obesidade, sedentarismo, uso de álcool e tabaco, responde por um terço de todos os casos da doença, segundo a OMS (Organização Mundial da Saúde).
Fatores de risco
Veja abaixo quais os principais agentes ou condições que podem aumentar a probabilidade de ter um câncer.
Idade: o envelhecimento é considerado o principal fator de risco para o câncer, pois, com o passar da idade, as células sofrem mudanças que as deixam mais vulneráveis aos processos que levam à doença. Além disso, uma pessoa idosa é exposta por mais tempo aos diversos carcinógenos. Nos EUA, a idade média de diagnóstico do câncer é 66 anos. Apesar dessa propensão mais alta entre os mais maduros, é bom lembrar que um câncer pode ocorrer em qualquer idade e alguns tipos específicos são mais frequentes em crianças ou adolescentes.
Sexo: além dos tumores exclusivos de cada sexo (como os de próstata, útero ou ovário), certos tipos são mais frequentes em homens ou mulheres devido a diversos fatores, como o hormonal. É o caso, por exemplo, do câncer de mama, que é mais raro nos homens apesar de eles terem essa glândula.
Tabagismo: os diversos compostos químicos presentes do cigarro têm capacidade de causar dano ao DNA e até o contato com a fumaça (fumo passivo) pode aumentar o risco de câncer. Segundo a OMS, esse hábito causa 22% de todas as mortes pela doença no mundo.
Álcool: estudos mostram que mesmo o consumo moderado de álcool pode aumentar o risco de certos tipos de tumores, como de boca, faringe, laringe, esôfago, estômago, fígado, intestino e mama. Radiação: tipo de energia com determinado comprimento de onda, a chamada radiação ionizante pode danificar o DNA das células. Certos exames de imagem e a radioterapia, um dos tratamentos mais importantes para o câncer, podem ser fatores de risco.
Raios ultravioleta: a exposição aos raios emitidos pelo sol ou por câmaras de bronzeamento são o principal fator de risco para o câncer de pele.
Obesidade: vários tipos de tumor têm sido associados ao excesso de peso, que favorece processos inflamatórios e interfere na concentração de certos hormônios que facilitam a proliferação das células cancerosas.
Dieta: além da bebida alcoólica, alguns elementos presentes na alimentação podem aumentar o risco de certos tipos de câncer se consumidos em excesso, como a gordura saturada, compostos existentes em carnes processadas (como presunto, salsicha, linguiça, salame, peito de peru etc.), produtos com conservantes (como nitritos e nitratos) ou muito sal. O baixo consumo de frutas e vegetais também aumenta a suscetibilidade ao câncer. Bebidas quentes demais e excesso de churrasco também são associados a certos tipos de tumores.
Hormônios: o estrogênio, que existe em maior quantidade nas mulheres, pode colaborar com alguns tipos de câncer, como o de mama. O uso em longo prazo da testosterona também pode levar ao câncer de fígado.
Infecções: alguns agentes infecciosos, como os vírus HPV ou da hepatite B e C, bem como a bactéria H. pylori (causadora de úlceras) e certos parasitas podem resultar na doença.
Infecções: alguns agentes infecciosos, como os vírus HPV ou da hepatite B e C, bem como a bactéria H. pylori (causadora de úlceras) e certos parasitas podem resultar na doença.
Exposição ambiental ou ocupacional: pessoas que são expostas cronicamente a agentes carcinógenos, seja pelo local onde vivem, seja pela profissão que exercem, têm risco aumentado de certos tipos de câncer. Segundo o Inca, 10,8% dos casos de câncer em homens e 2,2% em mulheres surgem devido a fatores relacionados ao local de trabalho, por isso é importante o uso correto e constante de materiais de proteção.
Tipos de câncer
Os oncologistas (médicos especializados em câncer) costumam dizer que cada câncer tem nome e um sobrenome longo. Podemos classificar a doença de acordo com o tipo de célula em que o processo se iniciou, a estrutura e o órgão ou sistema afetados. À medida que o conhecimento sobre os diferentes tipos de neoplasia avança e os tratamentos se tornam cada vez mais especializados, as denominações ficam cada vez mais longas.
Em geral, os tipos de câncer são conhecidos pela parte do corpo em que surgem (por ex: mama, próstata, pulmão etc.). Ainda que a doença se espalhe para outros órgãos e tecidos, o câncer continuará a ser chamado pelo nome do local onde se originou. Assim, um câncer de mama que se espalhou para o pulmão, por exemplo, é chamado de câncer de mama metastático, e não câncer de pulmão.
Em relação às células onde o processo se inicia, as principais categorias são:
Carcinomas
Têm início na pele ou nos tecidos que revestem os órgãos. Existem alguns subtipos, como adenocarcinoma ou carcinoma de células basais.
Sarcomas
Têm início em células do osso, cartilagem, gordura, músculo, vasos sanguíneos ou outros tecidos conjuntivos.
Leucemias
Têm início em células imaturas da medula óssea que dão origem aos glóbulos brancos (leucócitos) do sangue. Dependendo do tipo de célula afetada, a leucemia é classificada como mieloide ou linfoide.
Linfomas
Têm início nos linfócitos, um tipo de glóbulo branco do sangue, e afeta o sistema linfático. Esse câncer é dividido em dois grandes grupos: Hodgkin e não Hodgkin, e cada um deles possui diferentes subtipos.
Mielomas: têm início nas células plasmáticas, um tipo de glóbulo branco do sangue.
Cânceres do Sistema Nervoso Central: têm início nos tecidos do cérebro ou da medula espinhal.
Tipos de câncer que causam maior número de mortes em todo o mundo:
1º Pulmão
2º Cólon e reto
3º Estômago
4º Fígado
5º Mama
Tipos de câncer que afetam maior número de pessoas no Brasil:
1º Pele não melanoma
2º Próstata
3º Mama feminina
4º Cólon e reto
5º Pulmão
6º Estômago
7º Colo de útero
8º Cavidade oral
9º Sistema Nervoso Central
10º Leucemias
11º Esôfago
Como é feito o diagnóstico do câncer
Um câncer pode ser diagnosticado em exames de rotina ou após alguma queixa do paciente. Além dos exames em consultórios, diversos procedimentos podem ser solicitados pelo médico para confirmar ou descartar uma suspeita, como exames de sangue (hemograma completo e eventuais testes de marcadores tumorais, entre outros), exames de imagem (como radiografia, ultrassonografia, ressonância magnética e tomografia) ou endoscópicos (como endoscopia, colonoscopia etc).
Como tratar o câncer
Como o câncer engloba dezenas de doenças diferentes, existem diversas modalidades possíveis, que, com frequência, são combinadas. A tendência é de um tratamento cada vez mais individualizado, que leve em conta não apenas as características do tumor, mas também do paciente. A tão falada "medicina personalizada" tem evitado procedimentos mais invasivos, o que resulta em mais qualidade de vida.
A seguir, os diferentes procedimentos adotados para destruir tumores ou impedir que as células anormais se proliferem:
Cirurgia, Radioterapia, Quimioterapia, Hormonioterapia, Terapia-alvo, Imunoterapia, Medicamentos de suporte, Transplante de medula óssea, Vigilância ativa, Estilo de vida, Apoio psicológico, Terapias integrativas.
Fonte: www.uol.com.br/vivabem/saude/tudo-sobre-cancer/