Em meio a questões existenciais, filosóficas e, até mesmo, religiosas como “de onde vim, quem sou e para onde vou?” os pensamentos humanos, numa busca atemporal, procuram entender a si mesmo na jornada finita daquilo que chamamos por vida, indicando que “uma consciência de que se é consciente” permeia a vida dos seres humanos.
Segundo a filosofia, o mistério “em si mesmo” refere-se à complexidade da autoconsciência, à nossa natureza inacabada e à dificuldade de definir nossa essência. Essa busca, que talvez tenha se iniciado a partir do oráculo de Delfos e o imperativo socrático do “conhece-te e si mesmo”, ainda provoca inúmeras dúvidas e indica que o essencial é o autoconhecimento.
Em um mundo marcado pela hiperconexão, esse processo contínuo e complexo exige observação e reflexão paciente sobre os padrões emocionais, fisiológicos e comportamentais estabelecidos para entender como funcionam. De fato, em tempo de hiperconectividade, nessa busca, que é considerada um dos maiores desafios - e talvez, mistério - humano, é preciso que haja um movimento contrário para que, com muita paciência, toda pessoa possa olhar para dentro – microcosmo - em vez de apenas para fora – macrocosmo -.
Esse processo, muito provavelmente, de um lado, desencadeará um movimento consciente ativo que servirá como base para a reforma íntima, transformando o conhecimento de si em mudança de comportamento perante si mesmo, o próximo e o mundo, tornando o autoconhecimento a chave do progresso individual; e, por outro lado, nos fará refletir sobre a finitude da vida material, como um evento necessário e libertador que encerra um ciclo no mundo físico e, concomitantemente, liberta a alma para siga sua jornada de progresso, como energia.
Sem prejuízo disso, na ótica da ciência, a relação entre o espírito, enquanto a alma liberta do corpo físico, e a física quântica pode ser vista como uma área de estudo que usa a convergência entre ciência e religião ao sugerir que a consciência, antes de ser apenas um subproduto da matéria, revela-se como um fator fundamental na construção da realidade. Isso porque, conceitos como a interconexão de partículas, a influência do observador no resultado do experimento e a energia imaterial sugerem que o universo é uma rede unificada de consciência.
A propósito, apesar da física quântica - que é uma ciência estrita - diferir das crenças espirituais-religiosas, essa interconexão - como uma interpretação metafísica que complementa a visão científica - sugere unidade na ideia de que partículas podem estar conectadas independentemente da distância, ecoando, assim, uma visão espiritual de que tudo no universo está interligado por uma energia sutil, sugerindo, portanto, a unidade.
Sob esse viés – e respaldado pela lei de causa e efeito - essa busca, além de viabilizar melhor entendimento de “onde vim, quem sou e para onde vou?”, possibilita que o indivíduo compreenda seu papel existencial, refinando sua inteligência e moral, de modo que a busca subjetiva do “eu” lhe ajuda, sobretudo, encontrar a paz interior e aplicar esse conhecimento para viver com mais clareza e equilíbrio em meio às contradições tecnológicas e sociais do mundo atual.
Paulo Eduardo de Barros Fonseca
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