Existe um conto que relata a postura de uma andorinha em um incêndio florestal. A narrativa diz que houve um grande incêndio na floresta e todos os animais saíram correndo para salvar a própria pele. Mas, dentre eles, uma andorinha resolveu combater o fogo, enchendo seu pequeno bico de água e jogando nas labaredas. Uma hiena passou a debochar de sua atitude e a acusou de ser tola, no que a andorinha respondeu: eu sei que não poderei apagar as chamas sozinha, mas pelo menos estou fazendo minha parte.
Essa narrativa é adequada para o momento que estamos vivenciando, pois que nossa sociedade tem sido catalisadora de todo tipo de polemica.
O panorama que se apresenta na maior nação focada na moral cristã do planeta é de divisão, desunião. Parece que grupos deixaram de analisar o contexto como um todo, criando uma onda de egoísmo e de falta de vigilância. Lamentavelmente, constatamos a falência moral de pessoas sendo colocará a público.
Essa situação causa intranquilidade, desesperança e desarmonia, gerando uma sensação de impotência que desponta da ideia de que isoladamente não podemos fazer nada diante de determinada situação.
Daí a importância do exemplo trazido pela fábula da andorinha, que nos alerta sobre a importância do homem de bem, do construtor social, que se isenta de debates infrutíferos e, ao contrário, busca o equilíbrio, fazendo a sua parte para a evolução do conjunto da sociedade. Cabe lembrar que o homem de bem é aquele que respeita nos seus semelhantes todos os direitos que lhes são assegurados pelas leis da natureza, como desejaria que os seus fossem respeitados.
É assim que a moral trazida pelo conto repudia a omissão para enaltecer a dignidade, o trabalho, o diálogo, o debate de ideias para o saudável equilíbrio na tomada de decisões, e, sobretudo, o servir, como paradigma da caridade que, segundo Paulo de Tarso, é o amor em ação diante da necessidade do outro. Aliás, já nos foi ensinado que o amor e a caridade são o complemento da lei de justiça, porque amar ao próximo é fazer-lhe todo o bem possível, que desejaríamos que nos fosse feito.
Pense nisso: “O homem bom, do bom tesouro do coração, tira o que é bom, mas o mau, do seu mal tira o que é mau; porque a boca fala daquilo de que está cheio o coração.” (Lucas, 6:43-45).
Portanto, a exemplo da andorinha, que fez a sua parte ajudando a apagar o incêndio da floresta, compete a cada pessoa, a toda pessoa, agir com dignidade e caridade no seu cotidiano para, com fé no futuro, ajudar na construção e consolidação de uma sociedade mais justa e perfeita.
Paulo Eduardo de Barros Fonseca