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Vida Aquática

Colunista Fernanda Cangerana

Vida Aquática
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A conservação dos oceanos e dos recursos marinhos dentro de uma visão de desenvolvimento sustentável é o décimo quarto objetivo da ONU para a Agenda 2030.
A poluição marinha é proveniente de diferentes fontes, algumas delas continentais, poluição essa carregada pelos rios e despejada nos mares, enquanto outras fontes são próprias do ambiente marinho. A preservação e a recuperação dos ambientes de água salgada passam, portanto, pela contenção das fontes emissoras das atividades que acontecem nos oceanos, como os navios de cruzeiro e transporte de carga, e também por um controle das atividades poluentes terrestres, garantindo assim que os oceanos sejam saudáveis e produtivos.
A observação dos oceanos por meio de satélites, iniciada nos anos 1990, permitiu uma melhor compreensão da importância desses ecossistemas. As imagens revelaram que, assim como nos continentes, os oceanos abrigam “florestas”, áreas densamente ocupadas pelo fitoplâncton, e “desertos”, áreas onde cresce um número consideravelmente menor de vegetais. A existência desses produtores do ecossistema estabelece uma rica teia alimentar. Essa frutífera vida marinha está relacionada com as temperaturas, as correntes oceânicas, e os padrões climáticos, além de desempenhar um papel na remoção do dióxido de carbono da atmosfera por meio da fotossíntese, estabelecendo um controle desse gás de efeito estufa e indicando que sua preservação é de fundamental importância para a garantia do equilíbrio entre os ecossistemas do planeta e algum controle das emissões antrópicas.
Para assegurar a manutenção da vida marinha, o ODS 14 prevê regular a coleta de recursos nesse ecossistema e acabar com a sobrepesca, mecanismo ilegal de exploração marinha. Indo um pouco além, tem como meta restaurar populações de peixes no menor prazo possível.
Aumentar as áreas de conservação em zonas costeira e marinha também é um caminho para garantir a sanidade deste importante ambiente. Além disso, existe a necessidade de proteger os pequenos estados insulares e possibilitar seu desenvolvimento sustentável assegurando a qualidade de vida de seus habitantes sem gerar impactos ambientais negativos de grande magnitude. Um caminho é o implemento de uma atividade turística aliada às medidas de conservação, o ecoturismo. Outra possibilidade é o desenvolvimento de projetos de aquicultura para diminuir a pressão da exploração dos animais nativos.
Uma iniciativa brasileira de grande relevância é o projeto TAMAR. Criado há quase 40 anos através da iniciativa de um grupo de estudantes da Universidade Federal do Rio Grande do Sul que, em 1977, realizavam pesquisas no Atol das Rocas, nesta ocasião os estudantes puderam observar que pescadores locais causaram a morte de 11 tartarugas. Em razão desse fato, os alunos de oceanografia passaram a lutar pela conservação desses animais realizando denúncias aos órgãos ambientais responsáveis e criando o projeto de conservação das espécies marinhas ameaçadas e seus ecossistemas. Na atualidade o projeto lida com a preservação e pesquisa manejo das espécies de tartarugas marinhas do Brasil.
Iniciativa extremamente bem sucedida e sustentável sob os aspectos econômicos, sociais e ambientais, o projeto TAMAR deve inspirar outras ações em prol da preservação em nosso país.

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