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O exercício do amor fraternal

Colunista Paulo Eduardo de Barros Fonseca

O exercício do amor fraternal
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Em recente palestra ouvi uma história que muito bem evidencia o exercício do amor fraternal, exemplificado por um ato praticado por Maria, mãe de Jesus.
Retratando o capitulo Retrato de Mãe, do livro Momentos de Ouro (psicografia de Francisco Cândido Xavier, ed. GEEM, 2014), contou-nos a palestrante que “depois de ter passado muito tempo sobre os quadros sombrios da crucificação no Calvário, Judas, o traidor do Cristo, agora cego no Além, estava solitário e profundamente triste... Era triste também a paisagem, o céu se mostrava nevoento... Cansado de remorso e sofrimento, sentou-se e as lágrimas brotaram quentes de seus olhos melancólicos...
Naquele instante, nobre mulher, vinda de planos superiores, envolta em celestes esplendores, que ele quase nem conseguia perceber, chega e afaga a cabeça do infeliz. Em seguida, num tom de carinho profundo, quase que em oração, ela diz: Meu filho, por que choras?
Por acaso não sabes? - Responde o interpelado, claramente transtornado. Sou um morto-vivo. Matei-me e novamente estou de pé, sem consolo, sem lar, sem amor, sem fé... Não ouvistes falar de Judas, o traidor? Fui eu que aniquilei a vida do Senhor... A princípio, julguei poder fazê-lo Rei, mas apenas lhe impus sacrifício, martírio, sangue e cruz. E, em flagelo e aflição eis a que minha vida se reduz agora, nobre senhora... Afasta-te de mim, deixa-me padecer neste inferno sem fim... Nada me perguntes, retira-te, pois nada sabes do remorso que me agita. Nunca penetrarás minha infinita dor... O assunto que lastimo é unicamente meu...
No entanto, a dama, calma, respondeu: Meu filho, sei que sofres, sei que lutas. Sei a dor que te causa o remorso que escutas. Venho apenas falar-te que Deus é sempre amor em toda parte... E acrescentou serena: A bondade do céu jamais condena. Venho como mãe, buscando um filho amado. Sofre com paciência a dor e a prova. Terás, em breve, uma existência nova... Não te sintas sozinho ou desprezado.
Judas interrompeu-a e bradou, rude e irritado: Mãe? Não quero ouvir falar de mãe. Depois de me enforcar num galho de figueira, para acordar na dor, sem poder fugir à verdadeira vida, fui procurar consolo nos braços de minha pobre mãe, que teve medo de meus sofrimentos e expulsou-me depressa. Por favor, não me fales de mães, nem me fales de amor. Sou apenas um ser solitário e sofredor... 
Ainda assim - disse a dama docemente - por mais que me recuses, não me altero. Eu te amo, meu filho, e quero te ver feliz. Terás, filho, o coração banhado pelas águas do esquecimento numa nova existência de esperança. Eu te levarei e te conduzirei ao regaço de outra mãe. Pensa nisso e descansa.
E Judas, naquele instante, como quem esquece a própria dor ou como quem se desgarra de pesadelo atroz, perguntou: Quem és, que me falas assim, sabendo-me traidor? És divina mulher, irradiando amor ou anjo celestial envolto em luz?
No entanto, ela a olhá-lo frente a frente, respondeu simplesmente: Meu filho, eu sou Maria, sou a mãe de Jesus”.
Essa história, além de ratificar a lição de Pedro (4:8) ao dizer: “sobretudo amem-se sinceramente uns aos outros, porque o amor perdoa muitíssimos pecados”, nos ensina que o amor fraternal deve transcender para os demais seres humanos e também deve ser compreendido como um sentimento de cuidado, de respeito, de responsabilidade em relação ao outro, sempre no intuito de transformar, de melhorar vidas. 
Enfim, o amor fraternal é o amor entre os iguais, condição apropriada para todos que estão na condição humana, pois que nossos espíritos criados pela mesma inteligência suprema, causa primária de todas as coisas, que chamamos de Deus.
Essa força ativa em todas os seres humanos, que por vezes precisa ser reavivada, gera sentimentos positivos e construtivos, podendo até em certos momentos, levar o indivíduo a fazer grandes sacrifícios, que só seria capaz de fazer por ele mesmo.
Como bem resumiu Chico Xavier, “o Cristo não pediu muita coisa, não exigiu que as pessoas escalassem o Everest ou fizessem grandes sacrifícios. Ele só pediu que nos amássemos uns aos outros”. 
Pense nisso!
   
Paulo Eduardo de Barros Fonseca

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