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Filosofando

Colunista Paulo Eduardo de Barros Fonseca

Filosofando
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A filosofia, por meio do pensamento metódico e regrado oferecido pela razão, sempre buscou entender e explicar as razões da existência do homem e, sobretudo, de Deus. Assim, na busca incessante pela verdade, cria e desenvolve conceitos.

Isso acontece desde Tales, nascido em Mileto, antiga colônia Grega na  Ásia Menor, atual Turquia, aproximadamente entre os anos 623 a 556 a.C., tido como o primeiro filósofo, que se esforçou para buscar o princípio único da explicação racional para a criação do universo. Dentre outros, Sócrates, Platão e Aristóteles também empreenderam esforços para explicar tais questões. 

Na Idade Média, entre os séculos 5º e 15, iniciando-se com a queda do Império Romano do Ocidente e terminando durante a transição para a Idade Moderna, tida como os séculos de escuridão, a humanidade viu nascer grandes pensadores, dentre os quais Tomás de Aquino - 1225/1274 - que, sintetizando a visão aristotélica do mundo, enfatizou a doutrina da dupla verdade: a da razão e a da fé.

Para tanto, baseou-se em quatro princípios, quais sejam: 1º) fé e razão são maneiras diferentes de conhecer; 2º) fé e razão não podem contradizer-se; 3º) a razão é incapaz, por si só, de penetrar nos mistérios de Deus; e, 4°) a razão pode prestar um grande serviço à fé.
Refletindo sobre esses princípios, ainda que sem rigor científico, a conclusão inevitável será no sentido de que teologia e filosofia são ciências diferentes, uma vez que a fé é aceita pela revelação e a razão aceita a verdade pela evidência. 

No entanto, essas duas ciências não se excluem simplesmente porque seu vértice comum é Deus. Se de um lado, a razão pode conhecer as verdades fundamentais das coisas da matéria; de outro lado, por si só, é incapaz de penetrar nos mistérios da Criação.  Incontestavelmente, a razão favorece a fé porque, segundo Tomás de Aquino, demonstra tudo aquilo que é preâmbulo da fé, opondo-se as coisas ditas contra a fé, e procura ilustrar, por meio de semelhanças, as coisas que pertencem à fé.

Fato é, a razão não contradiz a fé e a fé não contradiz a razão, porque existe plena afinidade entre filosofia e teologia, de modo que renunciar à Luz superior que emana da Criação seria o mesmo que renunciar uma exigência basilar e natural. Daí o alerta de Kardec - in O Evangelho Segundo o Espiritismo - ao dizer que “não há fé inabalável senão aquela que pode encarar a razão face a face em todos as épocas da humanidade.”.

Esse é o da ciência, ainda com predominância materialista, que com a transformação moral e ética da humanidade e seu consequente amadurecimento espiritual substituirá o ceticismo extremado e os valores materialistas que reduzem o âmbito da ciência por um ambiente científico propício e estimulante para que a fenomenologia do espírito possa ser incorporada aos seus programas de pesquisas, de modo que no futuro encontrará tranquila convergência com a espiritualidade. 

Enfim, filosofando, creio que é plausível dizer que fé e ciência estão interligadas e são complementares porque fazem parte de uma mesmo todo e dão sentido integral à vida.

Talvez seja por esse o motivo que o físico Albert Einstein, cujo método de estudos já concebia que o estudo científico não existe sem religiosidade, tenha afirmado que “quanto mais eu estudo a ciência e a física, quanto mais eu procuro soluções, mais eu acredito em Deus".

 Paulo Eduardo de Barros Fonseca

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