SEMANÁRIO ZONA NORTE - JORNAL DE MAIOR CIRCULAÇÃO NA ZONA NORTE

Bairro da Vila Maria faz aniversário em 17 de janeiro

102 anos no dia 17 de janeiro

O bairro da Vila Maria completa 102 anos no dia 17 de janeiro. A data é especial para outros tantos paulistanos, que viram a região sair do patamar de brejo para um promissor centro comercial na Zona Norte de São Paulo. O distrito cresceu e se desenvolveu aos poucos, vencendo obstáculos como as enchentes que dificultavam o trânsito na região, principalmente no acesso à Marginal Tietê. Boa parte da economia do bairro é proveniente das atividades relacionadas ao comércio e também com logística e transporte de cargas, devido à grande quantidade de empresas do setor localizadas na região. Foi o primeiro e principal reduto eleitoral do político e ex-presidente da República do Brasil, Jânio da Silva Quadros.

O bairro também é famoso graças à Escola de Samba Unidos de Vila Maria e, recentemente, à Acadêmicos de São Jorge. A região foi também um dos epicentros do movimento revolução musical que marcou a década de 1980 na cidade, denominado Vanguarda Paulistana pela jornalista e acadêmica da USP, Marilia Pacheco Fiorillo. Centrado no teatro Lira Paulistana, teve Arrigo Barnabé e Itamar Assunção, dentre seus artistas de destaque. Um dos pioneiros no movimento, na Vila Maria, foi Dari Luzio, com seu LP Bastardo, membro dos Pracianos, artistas da Vila Maria que se reuniam na Praça Santo Eduardo.

O descobrimento de Vila Maria

Quando os portugueses atracaram suas ‘caravelas’ às margens do Rio Tietê, no início do século 20, a Vila Maria era muito diferente do que é hoje: a travessia do rio era feita através de uma ponte de madeira, as ruas não tinham calçamento e era possível pescar no rio e nas lagoas que mais tarde foram aterradas. A Vila Maria foi fundada em 1917, com o loteamento realizado pela Companhia Paulistana de Terrenos. O nome teria sido dado em homenagem à mulher de um dos antigos proprietários daquelas terras.

As ruas do bairro receberam os nomes dos diretores e corretores da Companhia Paulista de Terrenos, como Guilherme Cotching, Thomaz Speers, Antônio da Silva e Eugênio de Freitas. Até 1918, a travessia do Rio Tietê para se chegar à Vila Maria só era possível de barco. Naquele ano foi construída uma ponte de madeira. Mas os barcos continuaram sendo de grande utilidade, já que as inundações eram frequentes na região.

Avenida Guilherme Cotching, antes da urbanização

No inicio eram mil m2 de terras às margens do Rio Tietê, denominada Sitio Bela Vista, propriedade de Manoel Dias da Silva. Em 16 de janeiro de 1917 foi fundada a Companhia Paulista de Terrenos S.A. Pelos pioneiros: Rafael de Abreu Sampaio Vidal, Eduardo da Fonseca Cotching, Antonio Leme da Fonseca e Manuel Dias da Silva; isto com o fim de adquirir parte das terras do Sitio Bela Vista, para lotear e vender a vista e a prazo os terrenos. Assim foi feito, foram comprados 4 km2, ficando Manoel Dias da Silva acionista majoritrio com os restantes 996 km2. Vila Maria foi o nome escolhido por sugestão de Eduardo Cotching para o loteamento; e o sonho de todos era ver o bairro se transformar numa “cidade”.

Os primeiros compradores atravessavam o Rio Tietê de barco, pois ainda não havia sido construída a ponte ligando a Rua Catumbi ao novo povoado, se inauguraria no fim de 1918, quando também foram estendidos os postes de madeira para a extensão da rede particular de iluminação. Foi nesta época que passou a integrar a Companhia Alberto Byington. As vendas aumentavam e o entusiasmo dominava a todos, sendo que a Companhia mandou que se murasse toda a extensão da avenida principal, Av. Itatiaia, depois Central, a seguir  Adriano Marrey Jr. e finalmente Guilherme Cotching, em homenagem ao pai de Eduardo Cotching. Em julho de 1918 foi construído o Posto Policial, na esquina da avenida com a atual Rua Alcântara, sendo nomeado subdelegado Edivaldo Tupinambá de Oliveira. Nesta mesma época foi instalado o primeiro telefone, cujo número era 349. Em 18 de junho de 1937 a Av. Guilherme Cotching ganhava a primeira iluminação pública. Aí também a parte alta de Vila Maria conheceu o desenvolvimento.

Breve histórico

No inicio do século passado a região norte de São Paulo, onde hoje está situado o bairro de Vila Maria era formada por charcos de terra preta e capinzais. Era separado do bairro do Belenzinho pelo Rio Tietê. Os habitantes do Belenzinho e bairros adjacentes, a exemplo da grande maioria dos habitantes de São Paulo, utilizavam-se para locomoção e transporte em veículos com tração animal. O alimento básico desses animais era o capim. Pelo fato da região onde hoje se situa Vila Maria ser um manancial inesgotável de capim, alguns “comerciantes” atravessavam o Rio Tietê com seus carroções e os carregavam com feixes de capim que eram depois vendidos às pessoas que possuíam animais de tração. Era o combustível da época.

Uma das poucas construções que remontam a épocas anteriores à formação do bairro é a chácara de dom Pedro que era situada onde hoje situa-se a Rua Dr. Edson de Melo com Rua Araritaguaba, indo até a Rua Nova Prata. Atualmente, defronte onde era a chácara, está o sobrado que serviu de escritório para o piloto de Fórmula 1, Ayrton Senna da Silva. Certa vez, num dos seus discursos em Vila Maria, Jânio Quadros, que iniciou com o indefectível “Povo de Vila Maria”, acrescentou: “de Vila Maria Baixa, de Vila Maria Alta e, por que não, de Vila Maria do Meio”. Foram muitas risadas e aplausos.

Vila Maria foi servida durante anos por duas linhas de bonde que tinham ponto inicial na Praça da Sé. O número 34 que ia até a Praça Santo Eduardo e o número 67 que ia até a Praça Cosmorama. Vila Maria já teve vários cinemas. O cine Vila Maria, na Av. Guilherme Cotching com Rua Andaraí, o Cine Centenário na parte mediana da mesma avenida, o Cine Candelária, na mesma avenida com Rua da Gávea e o Cine Singapura na Av. Alberto Byington. Na época da inauguração da Rodovia Presidente Dutra, era motivo de distração dos moradores da parte alta da Vila Maria, que tinham vista até a rodovia, ficar contando os poucos carros que trafegavam por ela. Faziam apostas de qual sentido de direção passariam mais veículos.

O primeiro clube de futebol

Foi fundado em 19 de agosto de 1923, o Vila Maria Futebol Clube. Seus fundadores foram Francisco de Carvalho, Alexandre Pimentel, Alberto Lopes, Ilermenegildo dos Santos, Francisco Losito, Antonio Carnaes, Jos Carnaes, Manoel Martinho, Manoel do Patrocinio, Domingos Antonio de Carvalho, Jose dos Santos, Jose Cortez e Francisco Inocencio.  O clube evoluiu, hoje esta alojado em sede própria, em um moderno prédio, contendo salões de jogos, piscinas, quadras de futebol de salão a basquete.

A primeira escola

O primeiro colégio oficial de Vila Maria surgiu pelos idos de 1924, apenas duas salas de aula, alugadas pelo governo, situava-se na Av. Guilherme Cotching, 1.032, esquina com a Rua Diamantina e chamava-se Grupo Escolar João Vieira de Almeida. Em 2 de julho de 1925 a escola instalava-se em prédio maior, alugado, na Rua Dias da Silva dali saindo os primeiros formandos.

Portugueses

Entre as décadas de 1930 e 1970, a região recebeu um grande número de imigrantes portugueses, que imprimiram muito de suas características à Vila Maria. A presença lusitana também pode ser observada nos outros dois distritos que formam a região, Vila Medeiros e Vila Guilherme. Marcolino Augusto Duque, foi um dos tantos portugueses que migraram de Portugal para a Vila Maria e acompanhou de perto a transformação da região em um dos mais tradicionais redutos portugueses em São Paulo. Atracou sua ‘caravela’ na Vila Maria em 1951 e integrou-se rapidamente à região, onde teve um empório. Calcula que à época de sua chegada, cerca de 70% da população era portuguesa. Hoje, estima-se que essa população represente menos de 20% do total: Falava-se que a capital de Portugal era a Vila Maria.

Quando Marcolino chegou à Vila Maria, a Sociedade Paulista de Trote estava em pleno funcionamento na vizinha Vila Guilherme, e como era costume entre os portugueses, ele passou a frequentar os páreos. Anos mais tarde, já na década de 1990, tornou-se presidente da sociedade. No trote, o cavalo dispara puxando o sulky, uma charrete muito leve, de madeira e com rodas do tamanho das de bicicletas para adultos. Durante uma corrida, o animal que mudar a andadura (no caso, deixar de trotar) é desclassificado. As apostas são feitas como no turfe.

O auge do trote

Na década de 1970, a Sociedade do Trote recebia um público de 10 mil pessoas e era frequentado pela alta sociedade paulistana. A sociedade chegou inclusive a formar um time de futebol: o Trote Futebol Clube. O trote foi instituído pelos portugueses. Antes mesmo da fundação da sociedade, em 1944, padeiros, sacareiros e mercadores portugueses já praticavam o trote na região, com suas carroças. Com a participação dos italianos fundaram a sociedade em 1944. Nos últimos anos, as provas já não atraíam tanto público quanto na sua época áurea. O espaço foi se degradando, com um processo de desapropriação mal feito, iniciado ainda na administração de Jânio Quadros (1983-1986) e que acabou se estendendo por muito tempo. A administração municipal está dando à área onde eram realizados os trotes uma nova cara. Os trotes já não acontecem mais lá desde 2002. Agora, está transformado em uma grande área verde para oferecer lazer à população. Aberto e sendo muito bem frequentado pela população desde 2007, o Parque do Trote promete voltar aos anos dourados com uma nova proposta de exercícios ao ar livre e lazer para a família.

Grêmio Recreativo Cultural Social Escola

de Samba Unidos de Vila Maria

Lá pelos idos de 1950, alguns amigos que moravam na Vila Maria e imediações (entre eles podemos citar Benedito Nascimento, o “Dito Caipira”, João Brasil, Emanuel, José Penteado, Zézimo da Vila Maria, Valdete Brandão, Mané Sabino e Zé Caxambu) costumavam se reunir para brincar o carnaval desfilando pelas ruas do bairro, saindo da Vila Munhoz e contagiando a todos até a Vista Alegre. Desta brincadeira, surgiu, em 1950, a Escola de Samba Unidos do Morro da Vila Maria (nome que permaneceria até 1971), que só foi oficializada em 10 de janeiro de 1954. Nascia o Grêmio Cultural Social Escola de Samba Unidos de Vila Maria.

RCSP - Vila Maria

O Rotary Club de São Paulo (RCSP) - Vila Maria foi fundado em 21 de maio de 1967. Seguindo sua vocação, continua prestando relevantes serviços à comunidade e já contribuiu para a erradicação da Pólio com mais de US$ 330.000,00 equivalente a quase 1 milhão de doses da vacina contra a poliomielite. Em 52 anos de prestação de serviços tem programas de serviços à comunidade como curso de alfabetização, gerenciamento de recursos hídricos, plantio de mudas de árvores, palestras com mães e gestantes, campanha de exames de diabetes/hipertensão e suas causas, combate a fome, controle da mortalidade infantil, palestras orientativas de gestão familiar, Projeto Rumo.

Jânio Quadros e a Vila Maria

Em 1954 Jânio Quadros ocupava a Prefeitura de São Paulo e a Vila Maria ganha a nova ponte sobre o Tietê, asfalto em suas ruas principais, novas escolas municipais e entra em funcionamento a Biblioteca Municipal. No ano de 1955 Vila Maria projetava se em âmbito nacional, e a razão foi a votação quase maciça do então prefeito, que se elegia governador do Estado, pois fora Vila Maria, em todo o colégio eleitoral do Estado de São Paulo, quem dera ao candidato a maior porcentagem de votos. Em reconhecimento à solidariedade vilamariense o governador eleito citava o bairro como o mais autêntico exemplo de fidelidade partidária, dizia isso em todos os lugares aos quais comparecia; e como tributo de agradecimento criava um posto de Saúde na Av. Guilherme Cotching, além de vários ginásios e grupos escolares.

 

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Bairro da Vila Maria faz aniversário em 17 de janeiro

O bairro da Vila Maria completa 102 anos no dia 17 de janeiro. A data é especial para outros tantos paulistanos, que viram a região sair do patamar de brejo para um promissor centro comercial na Zona Norte de São Paulo. O distrito cresceu e se desenvolveu aos poucos, vencendo obstáculos como as enchentes que dificultavam o trânsito na região, principalmente no acesso à Marginal Tietê. Boa parte da economia do bairro é proveniente das atividades relacionadas ao comércio e também com logística e transporte de cargas, devido à grande quantidade de empresas do setor localizadas na região. Foi o primeiro e principal reduto eleitoral do político e ex-presidente da República do Brasil, Jânio da Silva Quadros.

O bairro também é famoso graças à Escola de Samba Unidos de Vila Maria e, recentemente, à Acadêmicos de São Jorge. A região foi também um dos epicentros do movimento revolução musical que marcou a década de 1980 na cidade, denominado Vanguarda Paulistana pela jornalista e acadêmica da USP, Marilia Pacheco Fiorillo. Centrado no teatro Lira Paulistana, teve Arrigo Barnabé e Itamar Assunção, dentre seus artistas de destaque. Um dos pioneiros no movimento, na Vila Maria, foi Dari Luzio, com seu LP Bastardo, membro dos Pracianos, artistas da Vila Maria que se reuniam na Praça Santo Eduardo.

O descobrimento de Vila Maria

Quando os portugueses atracaram suas ‘caravelas’ às margens do Rio Tietê, no início do século 20, a Vila Maria era muito diferente do que é hoje: a travessia do rio era feita através de uma ponte de madeira, as ruas não tinham calçamento e era possível pescar no rio e nas lagoas que mais tarde foram aterradas. A Vila Maria foi fundada em 1917, com o loteamento realizado pela Companhia Paulistana de Terrenos. O nome teria sido dado em homenagem à mulher de um dos antigos proprietários daquelas terras.

As ruas do bairro receberam os nomes dos diretores e corretores da Companhia Paulista de Terrenos, como Guilherme Cotching, Thomaz Speers, Antônio da Silva e Eugênio de Freitas. Até 1918, a travessia do Rio Tietê para se chegar à Vila Maria só era possível de barco. Naquele ano foi construída uma ponte de madeira. Mas os barcos continuaram sendo de grande utilidade, já que as inundações eram frequentes na região.

Avenida Guilherme Cotching, antes da urbanização

No inicio eram mil m2 de terras às margens do Rio Tietê, denominada Sitio Bela Vista, propriedade de Manoel Dias da Silva. Em 16 de janeiro de 1917 foi fundada a Companhia Paulista de Terrenos S.A. Pelos pioneiros: Rafael de Abreu Sampaio Vidal, Eduardo da Fonseca Cotching, Antonio Leme da Fonseca e Manuel Dias da Silva; isto com o fim de adquirir parte das terras do Sitio Bela Vista, para lotear e vender a vista e a prazo os terrenos. Assim foi feito, foram comprados 4 km2, ficando Manoel Dias da Silva acionista majoritrio com os restantes 996 km2. Vila Maria foi o nome escolhido por sugestão de Eduardo Cotching para o loteamento; e o sonho de todos era ver o bairro se transformar numa “cidade”.

Os primeiros compradores atravessavam o Rio Tietê de barco, pois ainda não havia sido construída a ponte ligando a Rua Catumbi ao novo povoado, se inauguraria no fim de 1918, quando também foram estendidos os postes de madeira para a extensão da rede particular de iluminação. Foi nesta época que passou a integrar a Companhia Alberto Byington. As vendas aumentavam e o entusiasmo dominava a todos, sendo que a Companhia mandou que se murasse toda a extensão da avenida principal, Av. Itatiaia, depois Central, a seguir  Adriano Marrey Jr. e finalmente Guilherme Cotching, em homenagem ao pai de Eduardo Cotching. Em julho de 1918 foi construído o Posto Policial, na esquina da avenida com a atual Rua Alcântara, sendo nomeado subdelegado Edivaldo Tupinambá de Oliveira. Nesta mesma época foi instalado o primeiro telefone, cujo número era 349. Em 18 de junho de 1937 a Av. Guilherme Cotching ganhava a primeira iluminação pública. Aí também a parte alta de Vila Maria conheceu o desenvolvimento.

Breve histórico

No inicio do século passado a região norte de São Paulo, onde hoje está situado o bairro de Vila Maria era formada por charcos de terra preta e capinzais. Era separado do bairro do Belenzinho pelo Rio Tietê. Os habitantes do Belenzinho e bairros adjacentes, a exemplo da grande maioria dos habitantes de São Paulo, utilizavam-se para locomoção e transporte em veículos com tração animal. O alimento básico desses animais era o capim. Pelo fato da região onde hoje se situa Vila Maria ser um manancial inesgotável de capim, alguns “comerciantes” atravessavam o Rio Tietê com seus carroções e os carregavam com feixes de capim que eram depois vendidos às pessoas que possuíam animais de tração. Era o combustível da época.

Uma das poucas construções que remontam a épocas anteriores à formação do bairro é a chácara de dom Pedro que era situada onde hoje situa-se a Rua Dr. Edson de Melo com Rua Araritaguaba, indo até a Rua Nova Prata. Atualmente, defronte onde era a chácara, está o sobrado que serviu de escritório para o piloto de Fórmula 1, Ayrton Senna da Silva. Certa vez, num dos seus discursos em Vila Maria, Jânio Quadros, que iniciou com o indefectível “Povo de Vila Maria”, acrescentou: “de Vila Maria Baixa, de Vila Maria Alta e, por que não, de Vila Maria do Meio”. Foram muitas risadas e aplausos.

Vila Maria foi servida durante anos por duas linhas de bonde que tinham ponto inicial na Praça da Sé. O número 34 que ia até a Praça Santo Eduardo e o número 67 que ia até a Praça Cosmorama. Vila Maria já teve vários cinemas. O cine Vila Maria, na Av. Guilherme Cotching com Rua Andaraí, o Cine Centenário na parte mediana da mesma avenida, o Cine Candelária, na mesma avenida com Rua da Gávea e o Cine Singapura na Av. Alberto Byington. Na época da inauguração da Rodovia Presidente Dutra, era motivo de distração dos moradores da parte alta da Vila Maria, que tinham vista até a rodovia, ficar contando os poucos carros que trafegavam por ela. Faziam apostas de qual sentido de direção passariam mais veículos.

O primeiro clube de futebol

Foi fundado em 19 de agosto de 1923, o Vila Maria Futebol Clube. Seus fundadores foram Francisco de Carvalho, Alexandre Pimentel, Alberto Lopes, Ilermenegildo dos Santos, Francisco Losito, Antonio Carnaes, Jos Carnaes, Manoel Martinho, Manoel do Patrocinio, Domingos Antonio de Carvalho, Jose dos Santos, Jose Cortez e Francisco Inocencio.  O clube evoluiu, hoje esta alojado em sede própria, em um moderno prédio, contendo salões de jogos, piscinas, quadras de futebol de salão a basquete.

A primeira escola

O primeiro colégio oficial de Vila Maria surgiu pelos idos de 1924, apenas duas salas de aula, alugadas pelo governo, situava-se na Av. Guilherme Cotching, 1.032, esquina com a Rua Diamantina e chamava-se Grupo Escolar João Vieira de Almeida. Em 2 de julho de 1925 a escola instalava-se em prédio maior, alugado, na Rua Dias da Silva dali saindo os primeiros formandos.

Portugueses

Entre as décadas de 1930 e 1970, a região recebeu um grande número de imigrantes portugueses, que imprimiram muito de suas características à Vila Maria. A presença lusitana também pode ser observada nos outros dois distritos que formam a região, Vila Medeiros e Vila Guilherme. Marcolino Augusto Duque, foi um dos tantos portugueses que migraram de Portugal para a Vila Maria e acompanhou de perto a transformação da região em um dos mais tradicionais redutos portugueses em São Paulo. Atracou sua ‘caravela’ na Vila Maria em 1951 e integrou-se rapidamente à região, onde teve um empório. Calcula que à época de sua chegada, cerca de 70% da população era portuguesa. Hoje, estima-se que essa população represente menos de 20% do total: Falava-se que a capital de Portugal era a Vila Maria.

Quando Marcolino chegou à Vila Maria, a Sociedade Paulista de Trote estava em pleno funcionamento na vizinha Vila Guilherme, e como era costume entre os portugueses, ele passou a frequentar os páreos. Anos mais tarde, já na década de 1990, tornou-se presidente da sociedade. No trote, o cavalo dispara puxando o sulky, uma charrete muito leve, de madeira e com rodas do tamanho das de bicicletas para adultos. Durante uma corrida, o animal que mudar a andadura (no caso, deixar de trotar) é desclassificado. As apostas são feitas como no turfe.

O auge do trote

Na década de 1970, a Sociedade do Trote recebia um público de 10 mil pessoas e era frequentado pela alta sociedade paulistana. A sociedade chegou inclusive a formar um time de futebol: o Trote Futebol Clube. O trote foi instituído pelos portugueses. Antes mesmo da fundação da sociedade, em 1944, padeiros, sacareiros e mercadores portugueses já praticavam o trote na região, com suas carroças. Com a participação dos italianos fundaram a sociedade em 1944. Nos últimos anos, as provas já não atraíam tanto público quanto na sua época áurea. O espaço foi se degradando, com um processo de desapropriação mal feito, iniciado ainda na administração de Jânio Quadros (1983-1986) e que acabou se estendendo por muito tempo. A administração municipal está dando à área onde eram realizados os trotes uma nova cara. Os trotes já não acontecem mais lá desde 2002. Agora, está transformado em uma grande área verde para oferecer lazer à população. Aberto e sendo muito bem frequentado pela população desde 2007, o Parque do Trote promete voltar aos anos dourados com uma nova proposta de exercícios ao ar livre e lazer para a família.

Grêmio Recreativo Cultural Social Escola

de Samba Unidos de Vila Maria

Lá pelos idos de 1950, alguns amigos que moravam na Vila Maria e imediações (entre eles podemos citar Benedito Nascimento, o “Dito Caipira”, João Brasil, Emanuel, José Penteado, Zézimo da Vila Maria, Valdete Brandão, Mané Sabino e Zé Caxambu) costumavam se reunir para brincar o carnaval desfilando pelas ruas do bairro, saindo da Vila Munhoz e contagiando a todos até a Vista Alegre. Desta brincadeira, surgiu, em 1950, a Escola de Samba Unidos do Morro da Vila Maria (nome que permaneceria até 1971), que só foi oficializada em 10 de janeiro de 1954. Nascia o Grêmio Cultural Social Escola de Samba Unidos de Vila Maria.

RCSP - Vila Maria

O Rotary Club de São Paulo (RCSP) - Vila Maria foi fundado em 21 de maio de 1967. Seguindo sua vocação, continua prestando relevantes serviços à comunidade e já contribuiu para a erradicação da Pólio com mais de US$ 330.000,00 equivalente a quase 1 milhão de doses da vacina contra a poliomielite. Em 52 anos de prestação de serviços tem programas de serviços à comunidade como curso de alfabetização, gerenciamento de recursos hídricos, plantio de mudas de árvores, palestras com mães e gestantes, campanha de exames de diabetes/hipertensão e suas causas, combate a fome, controle da mortalidade infantil, palestras orientativas de gestão familiar, Projeto Rumo.

Jânio Quadros e a Vila Maria

Em 1954 Jânio Quadros ocupava a Prefeitura de São Paulo e a Vila Maria ganha a nova ponte sobre o Tietê, asfalto em suas ruas principais, novas escolas municipais e entra em funcionamento a Biblioteca Municipal. No ano de 1955 Vila Maria projetava se em âmbito nacional, e a razão foi a votação quase maciça do então prefeito, que se elegia governador do Estado, pois fora Vila Maria, em todo o colégio eleitoral do Estado de São Paulo, quem dera ao candidato a maior porcentagem de votos. Em reconhecimento à solidariedade vilamariense o governador eleito citava o bairro como o mais autêntico exemplo de fidelidade partidária, dizia isso em todos os lugares aos quais comparecia; e como tributo de agradecimento criava um posto de Saúde na Av. Guilherme Cotching, além de vários ginásios e grupos escolares.

 

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