O homem mais rico que encontramos na bíblia foi o rei Salomão. Durante seu reinado, Israel viveu o auge do poder e prosperidade, expandindo o império e construindo o templo de Jerusalém.
Conta-nos o texto sagrado que após sua coroação Deus o visitou e ofereceu-lhe o que quisesse, tendo Salomão pedido tão somente sabedoria, demonstrando desprendimento de ganância. Mas Deus, além de inteligência e sabedoria, deu-lhe também grande riqueza. Ao analisar a riqueza material Salomão disse: “Tudo isso é ilusão” (1 Reis 3:13).
Em sua conclusão, Salomão chega à conclusão de que tudo é "vaidade e correr atrás do vento", porque chegou à conclusão de que Transit Gloria Mundi, ou seja, que a glória do mundo é transitória. Isso porque, já tinha plena consciência de que o homem não é detentor senão daquilo que pode levar deste mundo, que são os valores de ordem intelectual e moral, quais sejam: o saber e a virtude.
É certo que não há de se desprezar os bens e riquezas da matéria, mas é igualmente correto que tais valores não podem se sobrepor às coisas do espírito, sob pena de, como alertava Sêneca, uma grande riqueza tornar-se uma grande escravidão.
Aqui encontramos o maior desafio que a riqueza material traduz: o apego às coisas da matéria. Apego esse que, invariavelmente, afasta o homem de Deus. Não raro constatamos que as glórias do mundo, que são passageiras, corrompem as pessoas, que muitas vezes se colocam no lugar do próprio Deus.
Há de se ter consciência de que os bens da matéria também pertencem a Deus, que os dispensa à sua vontade, sendo o homem somente um depositário e usufrutuário.
A riqueza e o poder fazem nascer todas as paixões que nos prendem à matéria e nos afastam da perfeição espiritual, muitas vezes distanciando o homem dos divinos ensinamentos tão bem exemplificados por Jesus e, por consequência, de Deus. Daí a lição de Jesus ao dizer que: “em verdade vos digo que é mais fácil um camelo passar pelo fundo de uma agulha do que um rico entrar no Reino dos céus”.
Daí a necessidade e importância do bom uso dos bens materiais para que a riqueza seja medida pelo bem que ela propicia. Essa é a verdadeira glória daqueles que desfrutam das riquezas e das benesses dos bens da matéria. De fato, não será a condição social de cada um que demonstrará seu valor, mas sim seus atos e atitudes perante o próximo e, portanto, perante Deus.
Logo, as glórias do mundo, que são transitórias, não podem prevalecer a tal ponto que o homem venha negligenciar de sua vida espiritual, deixando-se corromper moralmente devido a sua fortuna. Tal qual como Salomão, que a busca pele essência da vida não seja apenas pessoal, mas também um microcosmo da busca humana por propósito e significado diante da mortalidade e da transitoriedade da vida.
A maior glória de um homem rico é ver reconhecida sua humildade porque, como Salomão, sabe que “Transit Gloria Mundi ”.
Paulo Eduardo de Barros Fonseca