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Quarta-feira, 11 de Março 2026

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Réquiem no mundo cão

Colunista *Percival de Souza

Réquiem no mundo cão
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Requiescat in pace, Orelha. Descanse em paz, cão vandalizado, empalado inclusive, por quatro moleques mimados, mauricinhos, numa praia em Santa Catarina, revoltando todo o País. Após o massacre, viajaram tranquilos para a a Disney, como se não tivesse acontecido nada demais.

Mas foi demais. Orelha era o queridinho de uma comunidade, onde vivia há dez anos, dando e recebendo carinho. Era o bem-amado canino. O amor pelo animal é patente, companheiro em muitos lares, a ponto de ser parte integrante da família. Sempre foi assim. Lembra-se do Vigilante Rodoviário, famoso personagem de TV interpretado por Carlos Miranda, inseparável do seu cachorro Lobo?

Passeatas, manifestações, fim da impunidade. A vida de Orelha é cobrada. Indignação geral. Muito difícil, nessa hora, conciliar emoção com razão. Emoção: torturar Orelha e depois lançá-lo ao mar, a ponto de ser necessária a  eutanásia, é mais uma demonstração de até onde a raça humana é capaz de chegar. Inconcebível, intolerável, repugnante. Os moleques são filhinhos de papai, mãos alisando as cabeças apesar dos mal feitos. Cobras criadas dentro de casa. Crescem, picam. Ou matam cachorro. Não são apenas mal-educados, mas ausentes de um mundo civilizado.

Razão: não temos como escapar do que prevê a lei, mais uma vez longe do que acontece nas ruas. A cobrada punição está no Estatuto de Criança e do Adolescente, promulgado pela Lei 8.069, de 1990. A partir daí, menor de 18 anos, mesmo cometendo crime como um adulto, passou a ser classificado como “infrator” e a sanção prevista é a internação para aplicação de “medidas socio-educativas”, assim mesmo por prazo máximo de três anos. Que medidas seriam essas? Não se sabe bem. Está demonstrado que menor, quando perigoso, faz exatamente a  mesma coisa que um adulto, como por exemplo homicídio, latrocínio, roubo e tráfico de drogas. O que se pretende com o sistema? Crimes graves exigem avaliação criminológica, mas os responsáveis pelo assunto preferem repetir, como papagaios, o jargão de “atos análogos”. Não estamos falando de semântica e sim constatando: crime não possui idade biológica. O Estatuto pode estar repleto de boas intenções, como a nossa Carta Magna, colcha de remendos.

Além de emoção e razão, a realidade escancarada: filhos criados sem disciplina, respeito e o mínimo de noção sobre amor e carinho. A delicada questão é de toda a sociedade. Pensemos.

*Jornalista e escritor

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