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O Amor Fraternal

Colunista Paulo Eduardo de Barros Fonseca

O Amor Fraternal
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Por vezes questionamos quanto ao real significado da expressão amor. Ao longo do tempo essa também é uma questão que é debatida sob diversos enfoques.
O dicionário Aurélio a define a palavra amor  como um sentimento que induz a aproximar, a proteger ou a conversar a pessoa pela qual se sente afeição ou atração; grande afeição ou afinidade forte por outra pessoa. 
Mas, quando lembramos dos gregos antigos encontramos diferentes palavras expressar ou definir o amor. Assim, o eros, expressa o sentimento de atração sexual; o storgé, que designa afeição entre familiares; o philautia, que diz respeito ao amor próprio; o ludus, que, por ser descompromissado, tem por objetivo o prazer; o pragma,  significa realidade, pois desprovido de emoções; o philos, que significa o amor condicional, enquanto aquele que espera algo em troca; e o ágape, que designa o amor incondicional, porque nada pede em troca.
Dos 7 (sete) tipos elencados pelos gregos percebemos que os 6 (seis) primeiros se referem a sensações que podem existir ou não. Entretanto, diferentemente, o ágape se refere a um comportamento que inspira as pessoas a compaixão e ao altruísmo, aproximando-as de Deus.
No livro “O Banquete”, Platão ao expor a teoria de Sócrates sobre o amor, que ficou conhecido como o “amor platônico”, se refere a algo que seja perfeito, eterno e imutável, mas que só existe em ideia. Na sua argumentação revela que o amor é algo puro e desprovido de paixões, que são essencialmente cegas, materiais, efêmeras e falsas.
Já os Evangelistas, ao se referirem à expressão de Jesus quanto ao amor, usaram a palavra ágape, ou seja, o amor incondicional, o amor comportamento, o amor ação. Na mesma linha de pensamento, a doutrina espírita nos ensina que o amor é a fonte mais pura de energia e, além de transformar, ele está presente em cada um de nós. Acrescenta ainda que “o amor resume toda a doutrina de Jesus, porque é o sentimento por excelência, e os sentimentos são os instintos elevados à altura do progresso realizado. No seu ponto de partida, o homem só tem instintos; mais avançado e corrompido, só tem sensações; mais instruído e purificado, tem sentimentos; e o amor é o requinte do sentimento.” (O Evangelho Segundo o Espiritismo).
Esse é o amor por todos os seres. É o amor fraternal que se caracteriza por uma conexão com a natureza, a humanidade e o universo.
Com essa convicção arrisco afirmar que foi nesse contexto que Jesus, quando provocado pelos fariseus a dizer qual era o maior mandamento, respondeu que a lei e os profetas poderiam ser resumidos em dois mandamentos – que, a meu ver, se condensam, portanto, são somente um – que são “Amarás o Senhor teu Deus de todo o teu coração, de toda a tua alma e de todo o teu espírito; este é o maior e o primeiro mandamento. E aqui tendes o segundo, semelhante a esse: Amarás o teu próximo, como a ti mesmo. – Toda a lei e os profetas se acham contidos nesses dois mandamentos”. (Mateus, 22:34-40).
 Essa passagem evidencia, a uma, que se ninguém pode determinar que alguém tenha determinado sentimento, que pode existir ou não; a duas, quando se tem compreensão da importância do comportamento, das escolhas e ações que são praticadas, a compreensão e o sentido do amor ganham relevância e consistência, sobretudo porque “o amor é a força que transforma o destino” (André Luiz).
Porque diz respeito ao amor fraternal, que transcende aos demais tipos de amor, o ágape é o sentido universal do amor que todas pessoas deveriam aspirar e perseguir, mesmo porque, como disse Mario Quintana, “o amor é quando a gente mora um no outro”.
 Esse talvez seja o grande desafio a ser superado pela humanidade.

Paulo Eduardo de Barros Fonseca

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