As recentes tragédias globais que, não raro, decorrem da ação ou omissão daqueles que detêm aquilo que chamamos de poder e, portanto, tem a responsabilidade de gerir a vida de pessoas, sob diversos aspectos, causam preocupações à humanidade.
Também causam inquietações as tentativas de polarização de grupos em razão da diversidade humana, como se houvesse alguma distinção entre os seres humanos por força de crença, raça, credo, condição social, etc.
Tudo isso tenciona as relações humanas a ponto de repristinar a expressão cunhada pelo dramaturgo romano Titus Maccius Platus (205 aC a 184 aC), em uma de suas peças, no sentido de que o homo homini lupus. Essa metáfora também foi utilizada pelo filósofo inglês Thomas Hobbes, em seu livro Leviatã, de 1651, ao afirmar que o homem é o lobo do homem porque é capaz de grandes atrocidades e barbaridades contra elementos de sua própria espécie.
Fato é que o progresso científico e tecnológico vivenciado no planeta não é capaz de elidir a necessidade de se buscar a harmonização em relação ao progresso espiritual, a ponto de propiciar equilíbrio de intenções e ações que resulte na consolidação de um senso moral individual e coletivo mais elevado.
A humanidade somente encontrará maior maturidade no seu senso moral quando lembrar que todos, indistintamente, emanam da mesma fonte de criação que é a inteligência suprema que rege o universo, causa primária de todas as coisas; que é o alfa e o ômega, o finito e o infinito, é toda pessoa porque em tudo está sua energia, a qual chamamos de Deus.
Entender e praticar esse conceito, no mínimo, ajudará a diminuir as divergências que separam os homens uns dos outros e a consolidar um pacto de convivência que facilite e propicie o respeito ao próximo como a si mesmo, solidificando o princípio de que, independentemente de eventuais diferenças de qualquer ordem, nas suas diferenças todos são absolutamente iguais.
Enfim, o ser humano deixará de ser o lobo de si mesmo quando cultivar e colocar em prática os bons sentimentos, colocando em movimento as forças alma, para que a caridade, enquanto signo do amor ao próximo, e a fraternidade sejam reconhecidos como fonte de todas as virtudes.
Paulo Eduardo de Barros Fonseca