A notícia de que uma arara azul nasceu no Zoológico de Curitiba trouxe alento aos ambientalistas, especialmente aqueles que lutam pela preservação da fauna silvestre brasileira. A espécie é nativa do Pantanal e da Amazônia e estima-se sua população entre quatro e seis mil exemplares, o que a classifica como vulnerável na escala de risco de extinção de espécies. É uma luta inglória defender o meio ambiente em nosso país – a Lei nº 9.605/98, conhecida como Lei de Crimes Ambientais, é apenas uma de tantas que tratam sobre o tema, mas infelizmente, é preciso dizer, a questão ambiental ainda não é tratada com a seriedade que o tema requer. O tráfico de animais silvestres no Brasil é ridiculamente punido, enquanto que os efeitos nefastos dessa prática criminosa, provocam a extinção de um número cada vez maior de espécies. Não é só uma questão de beleza, considerando-se que a ave, vítima da caça, do tráfico e do desmatamento, é de uma exuberância impar, mas é que cada animal tem sua função no bioma em que vive e sua extinção afeta esse necessário equilíbrio, podendo ocasionar a proliferação de insetos ou de plantas, dentre outras consequências desastrosas. O artigo 29 dessa lei pune com detenção de seis meses a um ano as condutas que incriminam todas as formas de tráfico de animais, além de outras, como ter em cativeiro esse tipo de animal sem autorização legal – é uma pena extremamente leve para uma prática que pode provocar inúmeros danos ambientais que, muitas vezes, são de difícil ou impossível reparação. Antes que seja tarde demais, é preciso exigir de nossos legisladores e governantes um olhar mais atento à preservação da nossa fauna silvestre.
Delegada Lucy
- Delegada de Polícia Civil