Na manhã de sexta-feira, dia 16 de abril, o Ministro da Defesa, Walter Braga Netto, presidiu a cerimônia de transmissão de cargo do Comando-Geral de Apoio da Aeronáutica (COMGAP), em São Paulo. O agora comandante da Aeronáutica, tenente-brigadeiro do Ar Carlos de Almeida Baptista Junior, deixou o cargo, que foi ocupado pelo major-brigadeiro do Ar Pedro Luís Farcic.
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O COMGAP é responsável pelo apoio logístico da Força Aérea Brasileira (FAB) e também pelas necessidades de infraestrutura das atividades aeroespaciais desenvolvidas no território nacional. Em seu discurso, o tenente-brigadeiro do Ar Baptista Junior frisou que, na sua gestão, desafios concretos, como aeronaves disponíveis e transporte logístico, essenciais no cumprimento das missões da FAB, ocuparam posição central nas atividades do COMGAP.
No enfrentamento à Covid-19, "o esforço de guerra exigiu que a logística da FAB mostrasse suas ciências no momento de maior dificuldade nacional", reforçou Baptista Junior. "Os números e a participação da nossa Instituição comprovam que estamos sendo vitoriosos", assegurou. Em seguida, agradeceu a todos que fizeram parte da sua jornada e deu boas-vindas ao brigadeiro Farcic, afirmando que tem a certeza de que os desafios serão superados.
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O major-brigadeiro do Ar Farcic é natural de São Paulo e ingressou na Força Aérea em 1979. Exerceu diversos cargos ao longo da sua trajetória militar, entre eles o de Comandante da Base Aérea de Salvador e Adido de Defesa e Aeronáutico na França e Bélgica. Possui mais de 4,9 mil horas de voo, em 15 tipos de aeronaves. Realizou todos os cursos da carreira, e possui 17 condecorações nacionais, além de uma estrangeira.
Em entrevista, ao fim do evento, o ministro Braga Netto deu boas-vindas ao novo Comandante e enalteceu sua preparação. "Acredito na competência do brigadeiro Farcic e a Defesa está pronta para apoiá-lo no que for necessário", assegurou.
A cerimônia ainda foi prestigiada pelo chefe de Logística e Mobilização do Estado-Maior Conjunto das Forças Armadas, tenente-brigadeiro do Ar João Tadeu Fiorentini, o chefe do Estado-Maior da Aeronáutica, tenente-brigadeiro do Ar Marcelo Kanitz Damasceno, o comandante Militar do Sudeste, general de Exército Tomás Miguel Miné Ribeiro Paiva, e demais autoridades militares e civis.
Os uniformes azuis dos militares perfilados em frente ao palanque de autoridades, se destacavam. Durante a solenidade, em sintonia, a tropa cumpria as ordens dadas ao som da corneta: braços junto ao corpo ou para trás, posturas estas chamadas posição de sentido e posição descansar, respectivamente. A tropa armada empunhava seus fuzis e os movimentavam com segurança. A cerimônia, realizada ao lado do aeródromo, com aviões que decolavam ao fundo, teve como moldura o céu nublado, típico de São Paulo.
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Ao toque da corneta, a Banda da Base Aérea de São Paulo entoou a canção Bandeirantes do Ar e o Hino dos Aviadores. Ao mesmo tempo, a tropa desfilou em continência ao novo comandante do Comando-Geral de Apoio da Aeronáutica, encerrando a cerimônia.
Ordem do Dia na despedida do ten. – brig. Baptista Júnior
"Dentro de menos de uma hora vou pousar e, estranhamente, não tenho pressa de vê-la passar. Não sinto a menor vontade de dormir. Não tenho nenhuma dor em meu corpo. A noite está fresca e segura. Quero ficar sentado quieto neste cockpit e deixar que penetre em mim a percepção do voo que completei... É como lutar para galgar uma montanha, em busca de uma flor rara e, então, quando ela está ao alcance da mão, perceber que a satisfação e o prazer residem mais na busca do que na colheita. Colher e murchar são coisas inseparáveis... Quase chego a desejar que Paris estivesse a mais algumas horas de distância. É uma pena pousar quando a noite está tão límpida e há tanto combustível no tanque."
Com este belo trecho do livro The Spirit of Saint Louis, Charles Lindenberg registrou a passagem pela trigésima segunda hora do primeiro voo sem escalas entre Nova Iorque e Paris, onde pousou em 21 de maio de 1927.
Com essas mesmas palavras, imaginei iniciar meu discurso de despedida do serviço ativo, cuja cerimônia havia planejado para o dia 21 de maio próximo, e que encerraria um período de quarenta e seis anos como militar da Força Aérea Brasileira.
Possivelmente por entender o desperdício de um pouso final "quando há tanto combustível no tanque", a Divina Providência resolveu prolongar este meu voo, a partir de agora como Comandante da Força Aérea Brasileira, cujos portões cruzei, pela primeira vez, com apenas quatorze anos. Novamente, a "roda da fortuna" girou, direcionando-me para a mais importante e desafiadora missão da minha vida.
Senhor Presidente da República, Jair Bolsonaro
Ao ratificar a indicação feita pelo Ministro da Defesa - General Braga Netto - para que eu esteja assumindo o Comando da Aeronáutica, o senhor me proporciona encerrar minha vida profissional realizando o sonho de qualquer oficial a quem isso é possível.
Como consequência dessa decisão, o senhor me garante a autoridade necessária para, dentro das previsões legais, exercer as responsabilidades inerentes ao cargo, ao qual entregarei meus conhecimentos, habilidades e esforço, sempre com base nos valores comuns à instituição militar, que represento aqui pelo Código de Honra do Cadete da Aeronáutica: Coragem, Lealdade, Honra, Dever e Pátria.
Ao agradecer a confiança que o senhor ora deposita em meus ombros, rogo ao Grande Arquiteto do Universo manter-me saudável, firme em minhas convicções e forte em minhas vontades.
Muito obrigado ao senhor Comandante Supremo das Forças Armadas e ao ministro da defesa - amigo desde nossos tempos de major, quando trabalhamos juntos na estruturação do Sistema de Proteção da Amazônia, e a todos quantos torceram pela minha indicação e me apoiam nesta missão de comandar a nossa Força Aérea. Meu muito obrigado, também de forma muito especial, àqueles que me forjaram e me apoiam incondicionalmente, como meus pais e familiares, minha mulher Cristiane e meus filhos e genro, Priscilla, Bruno e Eduardo.
A Força Aérea Brasileira, criada há oitenta anos, é a força armada responsável pela defesa da soberania no nosso espaço aéreo, missão-síntese que irá orientar todas as ações, administrativas e operacionais, durante meu comando.
A partir do trabalho edificado por aqueles que nos antecederam, seguiremos em nosso processo de evolução contínua, adaptando a estrutura organizacional à estratégia estabelecida, caminhando do possível ao necessário e melhorando nossa eficiência, para que recursos da atividade-meio sejam disponibilizados para o que nos é imprescindível como poder aéreo: os meios pessoais e materiais, representados por nosso efetivo e pelo material necessário ao cumprimento de nossa missão: aeronaves, mísseis, munições, infraestrutura de operação e de controle do espaço aéreo.
Uma força aérea moderna e eficaz exige recursos humanos capazes de lidar com sistemas de alto nível tecnológico, fazendo nossos processos de formação e aperfeiçoamento serem contínuos e caros, tornando o desafio de alocar "o homem certo no lugar certo" prioritário em nossas decisões. Cuidemos, pois, dos homens e mulheres que integram nossa Força Aérea: Eles são os nossos TRIPULANTES.
Certa vez, em uma base aérea bem distante, li na parede de um hangar de aeronaves: "Primeiro os Homens; a missão, sempre". Da mesma forma como sugere esta frase, teremos o apoio ao nosso efetivo como atividade prioritária, como por sinal sói acontecer, mas não o faremos sobrepujando ou colocando em risco nossa capacidade de cumprir a missão. No meu comando, cumprir a missão ou apoiar nosso efetivo será apenas um falso dilema.
Amparados pela contínua parceira com a indústria aeroespacial e pelas atividades de Ciência e Tecnologia, nossos projetos estratégicos serão prioritários, pois apenas eles nos permitirão elevar o patamar de operacionalidade da Força Aérea Brasileira.
Nesse sentido, os projetos F-39 Gripen e KC-390, que se constituirão na espinha dorsal da FAB, no ambiente aéreo, pelas próximas décadas, conviverão com o incremento do Programa Estratégico de Sistemas Espaciais, que teve na assinatura do Acordo de Salvaguardas Tecnológicas com os Estados Unidos da América um marco histórico. Ainda sobre esse importante projeto, rogo que consigamos eliminar rapidamente os óbices que se apresentam, como as possíveis indefinições nos limites de autoridades e responsabilidades dos atores envolvidos, sem o que não recuperaremos o tempo perdido nas últimas três décadas. Também na área espacial, temos a oportunidade de não sermos apenas "o país do futuro".
Como parte integrante do poder militar brasileiro, ratificamos nossa confiança na capacidade integradora e visão holística do Ministério da Defesa, onde tive o privilégio de servir como Chefe de Operações Conjuntas do EMCFA. Penso que, independente dos recursos disponíveis, nossa capacidade de melhor utilizar o orçamento de defesa passa pela priorização baseada na capacidade desejada, esta oriunda das hipóteses de emprego, que são sempre conjuntas.
À Marinha do Brasil e ao Exército Brasileiro, onde integrantes da "Família Baptista" tiveram e têm o privilégio de servir, empenho minha total crença na máxima que ajudei a criar e difundir como integrante do Ministério da Defesa, de que "Juntos Somos Mais 4 Fortes". Tenham, pois, na minha Força Aérea Brasileira a "nossa" FAB. Sabendo da reciprocidade desta visão, rogo a Deus muitas felicidades e realizações aos meus amigos Almirante Garnier e General Paulo Sérgio, que assumem, respectivamente, os comandos da Marinha do Brasil e do Exército Brasileiro.
Extrapolando nossas fronteiras, reafirmo os laços de amizade que nos unem às demais forças aéreas, representadas neste evento pelos adidos aeronáuticos acreditados em nosso país, que nos acompanham on-line com as quais trabalharemos incansavelmente pelas nossas forças, por nossos países e pela paz.
Sou um militar do meu tempo, atento à importância dos diversos meios de comunicação no objetivo maior de manter nossa sociedade bem informada, para que possa desenvolver sua análise crítica da atualidade, propor melhorias nas políticas existentes e aperfeiçoar a participação de cada cidadão.
Nesse sentido, as portas da Força Aérea estarão abertas para informar, com precisão e oportunidade, sobre nossas atividades cotidianas ou fatos excepcionais, mas dentro de uma relação profissional e respeitosa, mesmo que tenhamos, ao final, perspectivas diferentes sobre o mesmo mundo.
Aos integrantes da Força Aérea, usuários das diversas mídias sociais, oriento para que suas participações não ultrapassem os limites estabelecidos pelo manual de conduta sobre o assunto, abstendo-se de colocar em risco nossa imagem institucional ou características de comportamento que nos são caras, como a cortesia e a polidez.
Meus Comandados
O privilégio e a honra que sinto por comandá-los é algo que jamais conseguirei traduzir em palavras. A exemplo do que fiz em todos meus comandos anteriores, minha primeira ordem a cada um é "sejam felizes". Ser feliz é uma arte, ao invés de ciência. Vocês serão melhores profissionais se estiverem felizes.
Fazemos parte de uma parcela da população brasileira que tem oportunidades, orientações, saúde e trabalho, na mais respeitada instituição deste País: as Forças Armadas.
Valorizem esta situação, mantenham a crença na sua Força Aérea e nos homens que a conduzem. Não tenham dúvidas de que os princípios e valores que nos amparam, como a hierarquia e disciplina, serão mantidos como pilares básicos. Valorizem, também, sua participação neste "conjunto de todo eficaz" que representamos.
Finalmente, reitero minha crença de ser um privilégio comandar homens livres, que têm na tradição dos Bandeirantes do Ar serem "um punhado de amigos a vibrar de emoção".
Na certeza de que estamos prontos para esta próxima decolagem, a serviço da população brasileira e dentro de nossos limites de autoridade e responsabilidade, resta-me pedir a proteção de Deus para que possamos cumprir nossa missão de "manter a soberania do espaço aéreo e integrar o território nacional, com vistas à defesa da Pátria".
Muito obrigado.
Brasília, 12 de abril de 2021.
Ten Brig Ar Carlos de Almeida Baptista Junior Comandante da Aeronáutica