A morte da menina Ágatha Félix, ocorrida no dia 21, no Rio de Janeiro, trouxe à tona não só a discussão sobre a política de segurança adotada pelo governador Witzel como também a sua postura ante os acontecimentos relacionados ao assunto. O governador foi alvo de muitas críticas depois de não titubear ao chegar de helicóptero comemorando a morte do indivíduo que manteve várias pessoas reféns dentro de um ônibus e acabou morto pela ação de um sniper. Não que essa ação deva ser questionada pois, até onde se sabe, foi legítima - não é esse o caso, mas o gesto do político, digno de um torcedor a comemorar o gol de seu time, é que foi totalmente desnecessária. E o discurso tardio sobre a ação que levou à morte uma garota de apenas oito anos também foi permeada por afirmações totalmente descabidas para um momento tão triste – difícil acreditar que possa ter partido de um ex-juiz, de quem se espera atitudes e palavras equilibradas. A escolha pela política do confronto é uma opção do governante mas, invariavelmente, o preço é a vida de pessoas inocentes, muitas vezes pela munição que parte dos próprios policiais que, sem direito à escolha, personificam essa política. Errada ou não, é uma das opções para combater as peculiaridades que revestem a criminalidade no Rio de Janeiro, e a crítica, qualquer que seja a escolha, sempre haverá. Já a postura do governador quando dos revezes que acompanham suas escolhas políticas é que acaba por macular sua imagem, já considerada polêmica – mesmo os seus apoiadores criticam a forma com que ele se posiciona. Mortes, ainda que necessárias ou inevitáveis, jamais devem ser comemoradas – essa é uma lição que os grandes líderes jamais devem esquecer.
* Delegada de Polícia Civil Lucy