SEMANÁRIO ZONA NORTE - JORNAL DE MAIOR CIRCULAÇÃO NA ZONA NORTE

Semanário da Zona Norte recebe visita do secretário de Justiça e Cidadania de São Paulo, Paulo Dimas

Desembargador Paulo Dimas de Bellis Mascaretti, visitou as dependências do jornal

A companhado de seus assessores, o secretário de Justiça e Cidadania do Estado de São Paulo, desembargador Paulo Dimas de Bellis Mascaretti, visitou as dependências do jornal onde foi recebido pelo diretor João Carlos Dias.

Na oportunidade, eles discutiram sobre diversos assuntos, entre eles, o papel da Justiça para a sociedade, as ações da Secretaria  da Justiça e Cidadania de São Paulo, a experiência como presidente do Tribunal de Justiça de São Paulo, cargo que assumiu durante quatro anos frente à entidade, e a importância da imprensa.

Nascido em São Paulo, graduou-se em Direito em 1977 pela Universidade de São Paulo (USP). Dois anos depois, ingressou por concurso no Ministério Público do Estado de São Paulo, sendo nomeado promotor em Cubatão em outubro de 1979. Em seguida, atuou nas comarcas de São Vicente e da Capital (27ª Promotoria, Curadoria da Família e Sucessões, Promotorias Distritais de Santo Amaro e de Itaquera, 8ª Promotoria Pública, Curadorias de Acidentes do Trabalho e 1ª Promotoria). Prestou, ainda, serviços na Equipe de Repressão a Roubos e Extorsões.

Em 1983 foi aprovado no concurso para a Magistratura, sendo nomeado juiz de Direito da Circunscrição Judiciária de Santos. Ainda em 1983 foi promovido a juiz de Direito de 1ª Entrância, assumindo a Comarca de São Luiz do Paraitinga no interior de São Paulo. No ano seguinte, promovido à 2ª Entrância, passou a atuar na Comarca de Itanhaém, na Baixada Santista, até abril de 1985, quando foi promovido a juiz de 3ª Entrância, passando a atuar em Barueri, na região metropolitana de São Paulo. Em 1987 passou a atuar como juiz de Direito auxiliar na Comarca de São Paulo, sendo na sequência promovido para juiz de Entrância Especial, assumindo a 7ª Vara Cível da Capital. Em abril de 1999 assumiu como juiz de Direito substituto em 2º grau e, em 2005, foi promovido por merecimento ao cargo de desembargador do Tribunal de Justiça.

Foi eleito duas vezes para o Órgão Especial do TJ-SP (mandatos 2012-2014 e 2014-2016). Presidiu a Associação Paulista de Magistrados (Apamagis) no biênio 2010-2011.

O secretário também  presidiu o Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo no biênio 2015-2017.

Recebeu mais de 20 condecorações e títulos honoríficos, entre eles o de professor Honoris Causa, concedido pelo Centro Universitário de Brasília (2016), o Prêmio World Company Award 2017, e os títulos de cidadão Hortolandense, Sulsancaetanense, Santista, Ribeirão-pretano e Sertanezino. Aposentou-se como desembargador em dezembro de 2018.

Em janeiro deste ano, o desembargador assumiu a Secretaria da Justiça e Cidadania do Estado de São Paulo.

Confira na integra a entrevista do secretário de Justiça e Cidadania do Estado de São Paulo, desembargador Paulo Dimas de Bellis Mascaretti.

JSZN: Qual a sua formação e quais desafios o sr. encontrou durante a sua trajetória profissional?

Desembargador Paulo Dimas: Meu interesse pela área do Direito aconteceu quando eu tinha 15 anos de idade. Na ocasião, estudei e me preparei para o vestibular. Cursei  Direito no Largo São Francisco pertencente à Universidade de São Paulo, e incentivado por um amigo prestei  exame na Ordem dos Advogados do Brasil (OAB). Na sequência, apoiado  pelo mesmo colega prestei concurso no Ministério Público o que mudou minha vida, pois acabei ficando 4 anos na entidade. Na época, minha intenção era ir para a magistratura, fiz um novo concurso e consegui graças a Deus fazer carreira e cheguei onde jamais pensaria em chegar.

JSZN: Durante sua carreira, quais casos que o senhor participou, mais lhe chamaram a atenção?

Desembargador Paulo Dimas: Atuei no Ministério Público em todas as áreas, Civil, Criminal Infância e Juventude, enfim todos os aspectos do Direito. Tive a oportunidade de atuar em diversos casos. Eu lembro quando ingressei em 1987 na Corregedoria Geral da Polícia Civil, na época,  enfrentei vários casos graves  de corrupção e também emblemáticas situações de criminosos que praticavam grandes crimes. Foi muito interessante essa experiência na área criminal. Em seguida migrei para a área civil onde atuei em diversas setores de Direito Família  e em casos importantes. Entendi que nesta área devemos exercer um papel conciliador de procurar aproximar as pessoas e fazer com que elas consigam solucionar seus litígios para o bem da estruturação familiar. Gostei muito de atuar nesta área. Na sequência, trabalhei na área civil até chegar como juiz substituto de 2º grau onde atuei nas áreas de Direito Privado e Público. Tive muito contato com ações de improbidade administrativa que envolvem nomes de agentes públicos, um papel importante para efeito judiciário. Sempre digo que temos os casos emblemáticos como a operação Lava Jato e o Mensalão, mas diuturnamente em todos os recantos do Estado de São Paulo e do Brasil possuímos um juiz firme trabalhando nessa área de repressão à conduta e improbidade administrativa  na esfera civil e criminal. Então, os juízes estão aí em todos os recantos do país trabalhando anonimamente para que possamos de alguma maneira ter um Brasil melhor e livre dos males da corrupção, principalmente os juízes estaduais, decisivamente contra a criminalidade violenta que hoje é um tormento muito sério para a sociedade brasileira, além do crime organizado. Todos os casos que enfrentei nas áreas Civil, Criminal, Família e Infância e Juventude, no combate à improbidade administrativa, mandatos de segurança, processos disciplinares contra juízes foram objetos de muito estudo e dedicação. O juiz tem que ter a seguinte visão:  não pode julgar pela capa do processo e tem que saber que a cada processo temos um ser humano que está confiando no Poder Judiciário, ou seja,  a solução de uma causa pode mudar vida dele”.

JSZN: Fale um pouco sobre sua trajetória frente ao Tribunal de Justiça de São Paulo?

Desembargador Paulo Dimas: Foi uma experiência excepcional porque ao longo de toda minha carreira participei  da Associação Paulista de Magistrados, sempre envolvendo questões institucionais. A associação é um braço político da magistratura porque é um trabalho  feito para buscar o respeito da cidadania que se dá a partir de um Judiciário forte,  independente e autônomo. Eu aprendi na entidade a importância da atividade institucional, do relacionamento com os outros Poderes, da presença constante no Legislativo para aprimorar as nossas normas legais. Exerci a presidência da associação e em seguida acabei me dedicando internamente ao Tribunal de Justiça de São Paulo. Fui eleito com duas oportunidades para integrar o órgão especial que na sua esfera administrativa dá o tom das ações administrativas do Tribunal, julgando também as ações de maior importância no que tange a ações diretas de inconstitucionalidade tais como mandatos de segurança contra o governador, prefeitos, juízes, promotores e outras autoridades.  Ali, passei a ter uma visão maior do que é o  Tribunal de Justiça de São Paulo e as ações de importância para a sociedade. Em seguida veio o grande desafio, eleito presidente da instituição cujo objetivo foi aprimorar o serviço judiciário, um trabalho importante porque pudemos desenvolver alguns projetos fundamentais como a capacitação dos servidores  e melhor qualificação no processo  digital no qual chamamos Projeto Justiça Bandeirante, o TJ Eficiente que  confere um selo de qualidade para as unidades judiciárias mais produtivas. O TJ Sustentável que tem como objetivo reconhecer as necessidades de trabalhar com economia de recursos materiais, humanos e  sustentabilidade.  Percorremos também todo o Estado de São Paulo para identificar as dificuldades das comarcas, além de trazer novos servidores porque o quadro estava defasado, a  nomeação de novos juízes, investimos na área de comunicação e ainda procuramos proporcionar uma gestão transparente  mantendo um bom relacionamento com os Poderes Executivo e Legislativo . Pudemos também interagir com as nossas Polícias e o Exército, e acima de tudo melhorar a prestação de serviços do Judiciário. Adquirimos o Selo Ouro conferido pelo Conselho Nacional de Justiça. Com certeza, saí de lá com a sensação de dever cumprido”.  

JSZN: Qual o papel da Justiça para  a sociedade?

Desembargador Paulo Dimas: A Justiça é fundamental.  Nós identificamos que as pessoas, muitas vezes no âmbito econômico assolando o país, acabam necessitando do setor judiciário. Infelizmente, temos um grande problema de desigualdade judicial, aumentando assim a criminalidade e conflitos nas áreas de Direito Família e Social. São diversas situações que envolvem a infância e juventude e também na questão ambiental. O Judiciário está envolvido no dia a dia das pessoas, por isso procuramos abrir maior acesso à Justiça com  a implantação dos Cejus  -Centro Judiciário de Solução de Conflitos e Cidadania -  e  juizados especiais”.

JSZN: Como secretário de Justiça de São Paulo, quais as suas metas de trabalho?

Desembargador Paulo Dimas: A Secretaria Estadual da Justiça de São Paulo possui um amplo espectro de atuação. Em primeiro lugar o trabalho de fazer a interlocução do Governo do Estado com o Ministério Público e em segundo  o Judiciário com a Defensoria Pública, além de outras ações como por exemplo a proteção de direitos humanos tais como os comitês, comissões e coordenadorias que envolvem a proteção à comunidade negra, indígena e a mulher, a diversidade sexual, o combate à intolerância religiosa.  Tais conselhos estaduais estão: Condição Feminina, Políticas sobre Drogas (Coned) e Participação e Desenvolvimento da Comunidade Negra, Participação e Desenvolvimento da Comunidade Nordestina, Povos Indígenas, Direitos da População LGBT e Defesa dos Direitos da Pessoa Humana (Condepe). Já as coordenadorias políticas destacamos:  Políticas da Mulher,  Diversidade Sexual , População Negra e Indígena e Coordenação Geral de Apoio aos Programas de Defesa da Cidadania

Temos também vários programas de proteção tais como:  Provita - Programa de Proteção a  Vítimas e Testemunhas Ameaçadas de Morte, o PPCAAM -  programa voltado para proteção de crianças e adolescentes ameaçados de morte, Cravi -  programa destinado à assistência e atendimento a crimes violentos. Inclusive, o Cravi  atuou no episódio do massacre em Suzano dando assistência e atendimento psicológico aos alunos, profissionais de educação  e familiares das vítimas.  A partir daí, ainda temos o centros de integração da cidadania que são espaços fixos que prestam serviço de documentação ao cidadão, além de orientação jurídica, atendimento à saúde, qualificação profissional em especial nos lugares mais carentes do Estado. Estamos desenvolvendo um projeto chamado Cidadania em Movimento que envolve as ações inclusive aos finais de semana fora dos espaços fixos. E a Secretaria trabalha com entidades vinculadas como a Fundação Casa, o Instituto de Pesos e Medidas (IPEM), o Procon, Instituto de Medicina Social e Criminologia (Imesc) e o Instituto de Terras do Estado de São Paulo (Itesp). Estamos também investindo em comunicação integrada e campanhas importantes com veículos de comunicação como o jornal Semanário da Zona Norte.  Citamos as campanhas: Dirigir com responsabilidade, Mulher você pode, combate à intolerância religiosa para fomentar a liberdade de crença e o respeito e drogas nas escolas”.

JSZN: No ano passado o sr. foi condecorado com a Medalha Anchieta e o  Diploma de Gratidão da Cidade de São Paulo. A homenagem foi um reconhecimento dos mais de 40 anos de dedicação à carreira? 

Desembargador Paulo Dimas: “Recebo essas homenagens pelo reconhecimento ao trabalho que o Poder Judiciário realiza. Minhas equipes sempre tiveram um excelente relacionamento com os juízes de 1º grau, servidores, desembargadores  procurando atender as demandas da sociedade rapidamente. A Medalha Anchieta é muito importante e a cerimônia na Câmara Municipal de São Paulo foi emocionante.  O importante é trabalhar com amor acreditando naquilo que se realiza. Sempre tive a visão de trabalhar com dedicação e comprometimento. Quando recebo essas homenagens faço questão de dividir com todas as equipes, com certeza é algo que nos gratifica. Isso mostra que realizamos algo em prol do bem comum”.

JSZN: Qual a importância das mídias regionais em especial o jornal Semanário da Zona Norte?

Desembargador Paulo Dimas: “A imprensa tem um papel fundamental na formação da sociedade. Ela direciona para boas práticas e a entender melhor  a quantidade de coisas que vivemos. Novos rumos estão surgindo com a tecnologia, a Saúde, Educação e Cultura e no Direito. Num mundo cheio de conflitos e inovações, a imprensa é fundamental. E o Semanário da Zona Norte tem a preocupação de trazer uma pauta positiva, ou seja, mostrar o lado bom das instituições e o que elas estão fazendo de positivo”.

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Semanário da Zona Norte recebe visita do secretário de Justiça e Cidadania de São Paulo, Paulo Dimas

A companhado de seus assessores, o secretário de Justiça e Cidadania do Estado de São Paulo, desembargador Paulo Dimas de Bellis Mascaretti, visitou as dependências do jornal onde foi recebido pelo diretor João Carlos Dias.

Na oportunidade, eles discutiram sobre diversos assuntos, entre eles, o papel da Justiça para a sociedade, as ações da Secretaria  da Justiça e Cidadania de São Paulo, a experiência como presidente do Tribunal de Justiça de São Paulo, cargo que assumiu durante quatro anos frente à entidade, e a importância da imprensa.

Nascido em São Paulo, graduou-se em Direito em 1977 pela Universidade de São Paulo (USP). Dois anos depois, ingressou por concurso no Ministério Público do Estado de São Paulo, sendo nomeado promotor em Cubatão em outubro de 1979. Em seguida, atuou nas comarcas de São Vicente e da Capital (27ª Promotoria, Curadoria da Família e Sucessões, Promotorias Distritais de Santo Amaro e de Itaquera, 8ª Promotoria Pública, Curadorias de Acidentes do Trabalho e 1ª Promotoria). Prestou, ainda, serviços na Equipe de Repressão a Roubos e Extorsões.

Em 1983 foi aprovado no concurso para a Magistratura, sendo nomeado juiz de Direito da Circunscrição Judiciária de Santos. Ainda em 1983 foi promovido a juiz de Direito de 1ª Entrância, assumindo a Comarca de São Luiz do Paraitinga no interior de São Paulo. No ano seguinte, promovido à 2ª Entrância, passou a atuar na Comarca de Itanhaém, na Baixada Santista, até abril de 1985, quando foi promovido a juiz de 3ª Entrância, passando a atuar em Barueri, na região metropolitana de São Paulo. Em 1987 passou a atuar como juiz de Direito auxiliar na Comarca de São Paulo, sendo na sequência promovido para juiz de Entrância Especial, assumindo a 7ª Vara Cível da Capital. Em abril de 1999 assumiu como juiz de Direito substituto em 2º grau e, em 2005, foi promovido por merecimento ao cargo de desembargador do Tribunal de Justiça.

Foi eleito duas vezes para o Órgão Especial do TJ-SP (mandatos 2012-2014 e 2014-2016). Presidiu a Associação Paulista de Magistrados (Apamagis) no biênio 2010-2011.

O secretário também  presidiu o Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo no biênio 2015-2017.

Recebeu mais de 20 condecorações e títulos honoríficos, entre eles o de professor Honoris Causa, concedido pelo Centro Universitário de Brasília (2016), o Prêmio World Company Award 2017, e os títulos de cidadão Hortolandense, Sulsancaetanense, Santista, Ribeirão-pretano e Sertanezino. Aposentou-se como desembargador em dezembro de 2018.

Em janeiro deste ano, o desembargador assumiu a Secretaria da Justiça e Cidadania do Estado de São Paulo.

Confira na integra a entrevista do secretário de Justiça e Cidadania do Estado de São Paulo, desembargador Paulo Dimas de Bellis Mascaretti.

JSZN: Qual a sua formação e quais desafios o sr. encontrou durante a sua trajetória profissional?

Desembargador Paulo Dimas: Meu interesse pela área do Direito aconteceu quando eu tinha 15 anos de idade. Na ocasião, estudei e me preparei para o vestibular. Cursei  Direito no Largo São Francisco pertencente à Universidade de São Paulo, e incentivado por um amigo prestei  exame na Ordem dos Advogados do Brasil (OAB). Na sequência, apoiado  pelo mesmo colega prestei concurso no Ministério Público o que mudou minha vida, pois acabei ficando 4 anos na entidade. Na época, minha intenção era ir para a magistratura, fiz um novo concurso e consegui graças a Deus fazer carreira e cheguei onde jamais pensaria em chegar.

JSZN: Durante sua carreira, quais casos que o senhor participou, mais lhe chamaram a atenção?

Desembargador Paulo Dimas: Atuei no Ministério Público em todas as áreas, Civil, Criminal Infância e Juventude, enfim todos os aspectos do Direito. Tive a oportunidade de atuar em diversos casos. Eu lembro quando ingressei em 1987 na Corregedoria Geral da Polícia Civil, na época,  enfrentei vários casos graves  de corrupção e também emblemáticas situações de criminosos que praticavam grandes crimes. Foi muito interessante essa experiência na área criminal. Em seguida migrei para a área civil onde atuei em diversas setores de Direito Família  e em casos importantes. Entendi que nesta área devemos exercer um papel conciliador de procurar aproximar as pessoas e fazer com que elas consigam solucionar seus litígios para o bem da estruturação familiar. Gostei muito de atuar nesta área. Na sequência, trabalhei na área civil até chegar como juiz substituto de 2º grau onde atuei nas áreas de Direito Privado e Público. Tive muito contato com ações de improbidade administrativa que envolvem nomes de agentes públicos, um papel importante para efeito judiciário. Sempre digo que temos os casos emblemáticos como a operação Lava Jato e o Mensalão, mas diuturnamente em todos os recantos do Estado de São Paulo e do Brasil possuímos um juiz firme trabalhando nessa área de repressão à conduta e improbidade administrativa  na esfera civil e criminal. Então, os juízes estão aí em todos os recantos do país trabalhando anonimamente para que possamos de alguma maneira ter um Brasil melhor e livre dos males da corrupção, principalmente os juízes estaduais, decisivamente contra a criminalidade violenta que hoje é um tormento muito sério para a sociedade brasileira, além do crime organizado. Todos os casos que enfrentei nas áreas Civil, Criminal, Família e Infância e Juventude, no combate à improbidade administrativa, mandatos de segurança, processos disciplinares contra juízes foram objetos de muito estudo e dedicação. O juiz tem que ter a seguinte visão:  não pode julgar pela capa do processo e tem que saber que a cada processo temos um ser humano que está confiando no Poder Judiciário, ou seja,  a solução de uma causa pode mudar vida dele”.

JSZN: Fale um pouco sobre sua trajetória frente ao Tribunal de Justiça de São Paulo?

Desembargador Paulo Dimas: Foi uma experiência excepcional porque ao longo de toda minha carreira participei  da Associação Paulista de Magistrados, sempre envolvendo questões institucionais. A associação é um braço político da magistratura porque é um trabalho  feito para buscar o respeito da cidadania que se dá a partir de um Judiciário forte,  independente e autônomo. Eu aprendi na entidade a importância da atividade institucional, do relacionamento com os outros Poderes, da presença constante no Legislativo para aprimorar as nossas normas legais. Exerci a presidência da associação e em seguida acabei me dedicando internamente ao Tribunal de Justiça de São Paulo. Fui eleito com duas oportunidades para integrar o órgão especial que na sua esfera administrativa dá o tom das ações administrativas do Tribunal, julgando também as ações de maior importância no que tange a ações diretas de inconstitucionalidade tais como mandatos de segurança contra o governador, prefeitos, juízes, promotores e outras autoridades.  Ali, passei a ter uma visão maior do que é o  Tribunal de Justiça de São Paulo e as ações de importância para a sociedade. Em seguida veio o grande desafio, eleito presidente da instituição cujo objetivo foi aprimorar o serviço judiciário, um trabalho importante porque pudemos desenvolver alguns projetos fundamentais como a capacitação dos servidores  e melhor qualificação no processo  digital no qual chamamos Projeto Justiça Bandeirante, o TJ Eficiente que  confere um selo de qualidade para as unidades judiciárias mais produtivas. O TJ Sustentável que tem como objetivo reconhecer as necessidades de trabalhar com economia de recursos materiais, humanos e  sustentabilidade.  Percorremos também todo o Estado de São Paulo para identificar as dificuldades das comarcas, além de trazer novos servidores porque o quadro estava defasado, a  nomeação de novos juízes, investimos na área de comunicação e ainda procuramos proporcionar uma gestão transparente  mantendo um bom relacionamento com os Poderes Executivo e Legislativo . Pudemos também interagir com as nossas Polícias e o Exército, e acima de tudo melhorar a prestação de serviços do Judiciário. Adquirimos o Selo Ouro conferido pelo Conselho Nacional de Justiça. Com certeza, saí de lá com a sensação de dever cumprido”.  

JSZN: Qual o papel da Justiça para  a sociedade?

Desembargador Paulo Dimas: A Justiça é fundamental.  Nós identificamos que as pessoas, muitas vezes no âmbito econômico assolando o país, acabam necessitando do setor judiciário. Infelizmente, temos um grande problema de desigualdade judicial, aumentando assim a criminalidade e conflitos nas áreas de Direito Família e Social. São diversas situações que envolvem a infância e juventude e também na questão ambiental. O Judiciário está envolvido no dia a dia das pessoas, por isso procuramos abrir maior acesso à Justiça com  a implantação dos Cejus  -Centro Judiciário de Solução de Conflitos e Cidadania -  e  juizados especiais”.

JSZN: Como secretário de Justiça de São Paulo, quais as suas metas de trabalho?

Desembargador Paulo Dimas: A Secretaria Estadual da Justiça de São Paulo possui um amplo espectro de atuação. Em primeiro lugar o trabalho de fazer a interlocução do Governo do Estado com o Ministério Público e em segundo  o Judiciário com a Defensoria Pública, além de outras ações como por exemplo a proteção de direitos humanos tais como os comitês, comissões e coordenadorias que envolvem a proteção à comunidade negra, indígena e a mulher, a diversidade sexual, o combate à intolerância religiosa.  Tais conselhos estaduais estão: Condição Feminina, Políticas sobre Drogas (Coned) e Participação e Desenvolvimento da Comunidade Negra, Participação e Desenvolvimento da Comunidade Nordestina, Povos Indígenas, Direitos da População LGBT e Defesa dos Direitos da Pessoa Humana (Condepe). Já as coordenadorias políticas destacamos:  Políticas da Mulher,  Diversidade Sexual , População Negra e Indígena e Coordenação Geral de Apoio aos Programas de Defesa da Cidadania

Temos também vários programas de proteção tais como:  Provita - Programa de Proteção a  Vítimas e Testemunhas Ameaçadas de Morte, o PPCAAM -  programa voltado para proteção de crianças e adolescentes ameaçados de morte, Cravi -  programa destinado à assistência e atendimento a crimes violentos. Inclusive, o Cravi  atuou no episódio do massacre em Suzano dando assistência e atendimento psicológico aos alunos, profissionais de educação  e familiares das vítimas.  A partir daí, ainda temos o centros de integração da cidadania que são espaços fixos que prestam serviço de documentação ao cidadão, além de orientação jurídica, atendimento à saúde, qualificação profissional em especial nos lugares mais carentes do Estado. Estamos desenvolvendo um projeto chamado Cidadania em Movimento que envolve as ações inclusive aos finais de semana fora dos espaços fixos. E a Secretaria trabalha com entidades vinculadas como a Fundação Casa, o Instituto de Pesos e Medidas (IPEM), o Procon, Instituto de Medicina Social e Criminologia (Imesc) e o Instituto de Terras do Estado de São Paulo (Itesp). Estamos também investindo em comunicação integrada e campanhas importantes com veículos de comunicação como o jornal Semanário da Zona Norte.  Citamos as campanhas: Dirigir com responsabilidade, Mulher você pode, combate à intolerância religiosa para fomentar a liberdade de crença e o respeito e drogas nas escolas”.

JSZN: No ano passado o sr. foi condecorado com a Medalha Anchieta e o  Diploma de Gratidão da Cidade de São Paulo. A homenagem foi um reconhecimento dos mais de 40 anos de dedicação à carreira? 

Desembargador Paulo Dimas: “Recebo essas homenagens pelo reconhecimento ao trabalho que o Poder Judiciário realiza. Minhas equipes sempre tiveram um excelente relacionamento com os juízes de 1º grau, servidores, desembargadores  procurando atender as demandas da sociedade rapidamente. A Medalha Anchieta é muito importante e a cerimônia na Câmara Municipal de São Paulo foi emocionante.  O importante é trabalhar com amor acreditando naquilo que se realiza. Sempre tive a visão de trabalhar com dedicação e comprometimento. Quando recebo essas homenagens faço questão de dividir com todas as equipes, com certeza é algo que nos gratifica. Isso mostra que realizamos algo em prol do bem comum”.

JSZN: Qual a importância das mídias regionais em especial o jornal Semanário da Zona Norte?

Desembargador Paulo Dimas: “A imprensa tem um papel fundamental na formação da sociedade. Ela direciona para boas práticas e a entender melhor  a quantidade de coisas que vivemos. Novos rumos estão surgindo com a tecnologia, a Saúde, Educação e Cultura e no Direito. Num mundo cheio de conflitos e inovações, a imprensa é fundamental. E o Semanário da Zona Norte tem a preocupação de trazer uma pauta positiva, ou seja, mostrar o lado bom das instituições e o que elas estão fazendo de positivo”.

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