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Sábado, 17 de Outubro 2026
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Secretário municipal da Saúde, Edson Aparecido, dá entrevista exclusiva ao jornal Semanário da Zona Norte

Secretário municipal da Saúde de São Paulo, Edson Aparecido

Secretário municipal da Saúde, Edson Aparecido, dá entrevista exclusiva ao jornal Semanário da Zona Norte
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Secretário municipal da Saúde de São Paulo, Edson Aparecido, concedeu na quinta-feira, dia 19 de novembro, uma entrevista exclusiva ao jornal Semanário da Zona Norte.

Os temas abordados foram: o papel das Unidades Básicas de Saúde (UBS), as estratégias que estão sendo implantadas pela Secretaria Municipal da Saúde de São Paulo para combater a pandemia de Coronavírus, a importância do uso de máscaras para prevenir a doença, as ações da Secretaria em relação à Covid-19 para o ano de 2021 e o papel das mídias regionais, em especial do Semanário da Zona Norte.

Formado em história pela PUC-SP, iniciou sua vida política na década de 1970 no movimento estudantil, tendo participado das principais campanhas pela redemocratização do país. Foi um dos fundadores do Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB), além de presidente estadual e do diretório municipal na Capital paulista na legenda.

Participou do governo do presidente Fernando Henrique Cardoso, sendo assessor chefe de Sérgio Motta durante o processo de privatização das telecomunicações no país.

Em 2011, a convite do governador Geraldo Alckmin, tornou-se secretário de Desenvolvimento Metropolitano e chefiou a Casa Civil do Estado, permanecendo no cargo até abril de 2016.

Em 2017, assumiu o cargo de diretor-presidente da Companhia Metropolitana de Habitação (Cohab). Atualmente é secretário municipal da Saúde de São Paulo.

Confira na íntegra a entrevista do secretário Edson Aparecido ao jornal.

JSZN: Como o Sr. vê a saúde na cidade de São Paulo?

Secretário: Eu vejo a saúde na Capital como um exemplo para todo o Brasil. Como maior cidade da América Latina, temos um ótimo sistema público de saúde que conseguiu e segue enfrentando a pandemia do Novo Coronavírus.

Atualmente, se contarmos todos os nossos equipamentos de saúde, temos 1.002 Unidades para atender à população. Neste número estão inclusos 468 UBS, 24 hospitais municipais, 92 unidades de Atenção Especializada Ambulatorial e Atenção às Urgências e Emergências, como AMA’s, Pronto Socorros, UPA’s, 204 unidades de atendimento à Saúde Mental, entre outros.

E seguimos investindo na Saúde na Capital. Quando essa gestão iniciou, tínhamos 3 UPA’s e 12 esqueletos de obras abandonadas na Capital, hoje temos 14 UPA’s em pleno funcionamento e outras 6 estão em fase final de obras e devem ser entregues ainda neste ano. Além disso, inauguramos os hospitais da Brasilândia, Bela Vista, Guarapiranga, Parelheiros, Capela do Socorro e Sorocabana.

Então a Saúde na Capital é um desafio enorme, mas estamos fazendo a lição de casa e ampliando o atendimento a toda população e priorizando a vida de cada munícipe.

JSZN: O Sr. acredita que deveria existir mais Unidades Básicas de Saúde (UBS) para atender a população ou é preciso fortalecer as já existentes?

Secretário: Atualmente nós dispomos de 468 UBS’s na Capital. Hoje esse número atende a Capital, com propostas de mais UBS, por isso temos unidades em obras que devem ser entregues ainda em 2020 e meados de 2021. Mas, além disso, reformamos outras diversas unidades, as adaptando e criando novos serviços.

Durante a pandemia, essas unidades se destacaram nas ações de promoção, prevenção, monitoramento e acompanhamento dos casos sintomáticos leves, além do encaminhamento de casos mais graves para hospitais de referência. Do dia 23 de abril a 13 de novembro já foram monitorados 752.969 pacientes, sendo que 155.175 permanecem sob monitoramento e 542.820 já tiveram alta.

O acompanhamento diário, por um período de 14 dias, a partir do primeiro atendimento realizado pela UBS, foi instituído para pacientes sintomáticos respiratórios leves, que estão em isolamento domiciliar. Este monitoramento é realizado por telefone ou, caso não seja possível, por meio de visita domiciliar. De acordo com a avaliação do quadro clínico, o paciente pode receber alta ou ser encaminhado para um hospital de referência Covid-19 da região.

Os contatos domiciliares dos casos positivos para Covid-19 também são testados por meio de sorologia, de acordo com protocolo, a partir do 10º dia de sintomas do contato com o paciente positivado. Além disso, eles recebem orientação de isolamento domiciliar com atestado médico. A partir do resultado, os contatos também entram no monitoramento das unidades.

JSZN: A parceria público-privada é uma solução?

Secretário: A parceria público-privada complementa a saúde pública na cidade de São Paulo. Com Organizações experientes na área da Saúde você conta com mais funcionários, equipamentos, fortalecimento na qualidade no atendimento e isso sem onerar tanto ao erário. Então a parceria público-privada vem para somar com os esforços já realizados pelos funcionários públicos e de carreira que também exercem suas funções de forma tão exemplar, ainda mais em tempos de pandemia.

JSZN: Como o Sr. analisa a pandemia de Coronavírus em São Paulo?

Secretário: Antes mesmo que a epidemia ultrapassasse as fronteiras da China, a SMS iniciou a qualificação da rede de assistência e capacitação de profissionais de Saúde, que atuaram com multiplicadores das boas práticas em mais de mil Equipamentos de Saúde da rede municipal, principalmente, nas comunidades paulistas. Além disso, eles foram atualizados sobre a situação epidemiológica, manejo clínico, biossegurança, esclarecimento de dúvidas e recomendações técnicas preconizadas pelo Ministério da Saúde.

Acredito que nossas ações, junto com a capacitação dos profissionais da Saúde, foram essenciais para não disseminar ainda mais o Coronavírus na Capital. Em 10 de janeiro de 2020, iniciamos a estruturação das ações de vigilância em saúde e assistência - partindo da divulgação de estratégias de prevenção e a estruturação de canal para notificação de casos suspeitos. A estratégia adotada foi a capacitação dos profissionais de Saúde inseridos nas redes de atenção à Saúde, com enfoque na Atenção Básica, para o reconhecimento precoce de casos, bem como a orientação em relação ao seu manejo clínico. Foram amplamente divulgadas as estratégias de prevenção ao vírus, além de estruturadas para notificação dos casos, no tempo apropriado. Além da capacitação em relação ao Novo Coronavírus, foram também realizadas ações de preparo aos serviços de Saúde, principalmente aqueles que são porta de entrada para possíveis casos do Novo Coronavírus. Foram realizadas simulações na rede hospitalar municipal para manejo clínico de casos respiratórios, visando preparação das equipes. Já na rede básica, além das estratégias de capacitação, foi elaborado protocolo de checagem de itens e práticas essenciais (check-list) para prevenção e enfrentamento à Covid-19. A utilização dos Equipamentos de Proteção Individual (EPI’s) está sendo feita de acordo com o protocolo do Ministério da Saúde, conforme nota técnica da Anvisa nº 04 de 2020, atualizada em 31 de março de 2020, que discorre sobre as orientações para serviços de Saúde.

Logo no início da pandemia na cidade, em pouco mais de duas semanas a administração ergueu dois Hospitais Municipais de Campanha, Anhembi e Pacaembu, com capacidade para 2.000 leitos, sendo 80 deles de UTI. Ambos atenderam 7.868 pacientes, mais de 6.500 receberam alta e puderam voltar para suas casas e famílias.

Além disso, intensificamos a vacinação de Influenza A, para facilitar a apuração dos casos da Covid-19 no Município. Até o dia 3 de setembro, foram vacinados 5,8 milhões de munícipes, com destaque para o grupo de idosos, profissionais da saúde, caminhoneiros e indígenas.

Também instituímos mecanismos para monitoramento semanal das populações mais vulneráveis, dentre elas, as pessoas com doenças crônicas, através de contatos telefônicos ou presencialmente. O intuito foi dar continuidade a este acompanhamento e identificar previamente situações de risco que necessitam de intervenção ou atendimento para avaliação clínica. Se acontecer essa necessidade, o paciente é atendido e todas as medidas para o seu cuidado são tomadas. Fazem parte deste monitoramento os idosos, as gestantes, as puérperas, os recém-nascidos, as pessoas com deficiência física ou com doença mental, as pessoas em risco nutricional, pacientes em assistência domiciliar e as emergências em odontologia. Somam-se a isso as mais de 20 mil ações comunitárias de orientação e prevenção da pandemia, com 2,6 milhões de abordagens. Em toda a cidade de São Paulo, as ações dos mais de 9 mil agentes e das equipes multiprofissionais foram direcionadas para enfrentamento à Covid-19.

Realizamos um Inquérito Sorológico na Capital, testando mais de 48 mil pessoas a fim de descobrirmos a prevalência do vírus na Capital e tomarmos as medidas mais assertivas. Além disso, testamos aproximadamente 1,5 milhão de munícipes com testes rápidos e RT-PCR.

Também foram realizados dois Censos sorológicos em parceria com a Secretaria Municipal da  Educação e Assistência e Desenvolvimento Social.

Outra ferramenta utilizada contribuindo imensamente no diálogo entre a administração pública e a população foi o papel da imprensa na disseminação de informações verídicas sobre a doença e as formas de prevenção, amenizando os malefícios das Fake News durante esse momento de combate à Covid-19 no Munícipio de São Paulo.

JSZN: Quais estratégias a Secretaria vem tomando para diminuir os casos da doença na cidade?

Secretário: A SMS segue realizando acompanhamento de pacientes através das UBS’s e Estratégia Saúde da Família. Como dito anteriormente, atualmente temos 155.175 pacientes sendo monitorados na cidade e seguimos testando a população em nossas UBS, Hospitais Municipais, UPA’s (Unidade de Pronto-Atendimento), Prontos-Socorros, Assistência Médica Ambulatorial (AMA) 12h e 24h, das seis Coordenadorias de Saúde do Município.

Reforçamos também, diariamente e principalmente nas regiões mais periféricas, a importância do uso das máscaras, correta higiene das mãos, uso do álcool e gel, entre outras ações. 

Estamos inaugurando novos hospitais e UPA’s, além da reforma de outros equipamentos da saúde. No começo da pandemia tínhamos 507 leitos de UTI e chegamos a ter 1.328, atualmente estamos com aproximadamente 1.000 leitos em funcionamento e exclusivos para o atendimento Covid-19.

Além disso, diariamente, fiscalizamos quanto ao uso correto das máscaras nas ruas da Capital. Até o momento, mais de 2.500 munícipes já foram abordados e orientados, sempre de maneira educacional e não punitiva.

JSZN: Qual orientação o Sr. deixa para população?

Secretário: Minha orientação é que todas as pessoas se sensibilizem para a necessidade de salvar vidas. A cidade de São Paulo ainda enfrenta a pandemia. Com a flexibilização dos comércios, parques, entre outros, alguns munícipes foram retomando normalmente suas vidas, como se não existisse mais vírus. Mas ele ainda está aí e todos os cuidados são necessários. O Município de São Paulo continua em quarentena. É preciso manter o distanciamento social, evitar as aglomerações, manter a higiene das mãos, o uso correto das máscaras em todos os locais, entre outras medidas.

JSZN: Como conscientizar as pessoas da importância do uso de máscaras para prevenir a doença?

Secretário: O Inquérito Sorológico realizado pela Secretaria da Saúde trouxe à luz também a importância e necessidade do uso correto das máscaras. A grande parte das pessoas que já tiveram contato com vírus alegaram usar a máscara de vez em quando, ou apenas quando vão entrar em um comércio ou algo do tipo. Não só nosso inquérito, mas há diversos estudos que mostram a importância e o quão é preventivo o uso correto do equipamento para se proteger do vírus.

Como também já dito anteriormente, desde 1º de julho, através das 27 Unidades de Vigilância e Saúde (UVIS), mais de 2.500 munícipes já foram abordados pela secretaria e orientados quanto ao uso correto da máscara. Além disso, as Subprefeituras fiscalizam diariamente estabelecimentos comerciais para verificar o correto cumprimento das normas.

JSZN: Qual foi a importância dos hospitais de campanha para a população?

Secretário: Os hospitais de campanha foram essenciais para o período mais forte da pandemia. Eles deram fôlego para os nossos hospitais municipais e para as UTI’s.

Cada uma das unidades tinha sua função, o HMCamp Pacaembu recebia pacientes que saíam da UTI dos hospitais municipais e finalizavam seu tratamento no hospital de campanha, desta forma, liberando novas vagas para novos pacientes. Já o HMCamp Anhembi recebia pacientes em início de sintomas, mas que precisavam de internação para realizar o tratamento, também desta forma evitando a lotação dos nossos hospitais.

Durante o funcionamento das unidades, 7.868 pacientes foram atendidos e mais de 6.500 receberam alta e puderam voltar para as suas famílias. Se precisássemos atender todos esses pacientes apenas nos hospitais já existentes, certamente nosso sistema de saúde teria entrado em colapso, como aconteceu em vários países.

JSZN: Até o momento qual foi o principal desafio da Secretaria para combater a Covid-19?

Secretário: A pandemia foi algo inédito para todos.  Não tínhamos um roteiro prévio. Mesmo a Covid-19 sendo uma espécie de gripe, uma doença totalmente nova, que ninguém sabia ao certo quais medidas tomar e como reagir de imediato, foi um grande desafio. A questão da disseminação do vírus, como combatê-lo, capacitação dos profissionais, o preparo psicológico dos profissionais, dos pacientes e da pulação também foram alguns dos desafios enfrentados.

Outro desafio foi/é fazer a população entender a gravidade da doença e cumprir as medidas de segurança e prevenção. Em sua maioria, entendeu os perigos da doença e aderiu às medidas de segurança, porém, durante o ponto mais alto da pandemia, meados de abril e maio, pudemos observar diversos não cumprimentos de medidas básicas de prevenção, como festas clandestinas, não utilização de máscaras, aglomerações, entre outros casos. Então, fazer a população entender a gravidade da pandemia e cumprir as medidas é um desafio para todos nós. Pouco a pouco todos vao entendendo o comportamento deste Novo Coronavírus. 

JSZN: Quais ações a Secretaria possui para o ano de 2021 com relação à Saúde, em especial ao combate do Coronavírus?

Secretário: Para 2021 é continuar acompanhando, dia a dia, a evolução da doença e sua regressão ou aumento. Em 2020 nós fizemos a lição de casa, desde a entrada do paciente na atenção básica até o caso mais grave que precisa de uma UTI. Então, respeitando sempre a ciência, seguindo as medidas e protocolos de segurança, temos a certeza que passaremos por esse momento e, muito em breve, vamos poder retomar nossas vidas e fazer de São Paulo a Capital que sempre foi, atenta às necessidades de todos os seus munícipes.

JSZN: Como o Sr. analisa o papel das mídias regionais, em especial o jornal Semanário da Zona Norte?

Secretário: São essenciais! Os jornais regionais alcançam as pessoas de uma forma que os veículos de grande mídia não conseguem. Tem toda a forma de abordagem diferente que facilita o entendimento das notícias e também repercutem localmente e dialogam com todo o território com opiniões próprias e ouvindo a população local. O Semanário tem sua importância para a população da Zona Norte, aliás, desde 1999, já são 21 anos contribuindo com a informação da região. Para o poder público é extremamente importante manter esse canal de comunicação aberto e juntos dialogamos diariamente com o nosso povo.

 

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