Há consenso no sentido de que as religiões – do latim “religare” -, servem como ponte entre o mundo material e o espiritual porque (re)liga o ser humano ao divino.
Interessante é que as pessoas, desde os primórdios da humanidade, até mesmo instintivamente, sentiam a necessidade de entender os fenômenos naturais e os acontecimentos como vida e morte, ou seja, de buscar compreender a metafísica, enquanto aquilo que vai além do que se possa ver ou tocar e que, portanto, transcende a matéria.
Nessa busca pelo conteúdo e relacionamento com o metafísico, enquanto intrínseco à cultura humana, as religiões objetivam dar um significado existencial, trazer equilíbrio emocional e bem-estar espiritual, ampliando os horizontes da percepção para outras conquistas que transcendem aquelas meramente materiais. Em poucas palavras, possibilitam ao ser humano a construção de um sentido de e para a vida.
Como fenômenos éticos e formas de educação moral das coletividades humanas, as religiões são processos diferenciados segundo as necessidades circunstanciais e temporais da evolução pelas quais as leis morais se manifestam no plano social.
Daí ser plausível afirmar que as religiões são como fragmentações temporárias do processo único da evolução humana de modo que, por serem formas progressivas do esclarecimento espiritual do homem, não são – e nem devem ser - adversárias entre si.
Portanto, o principal aspecto das religiões é servir de elo entre o mundo material e o espiritual, propiciando a melhoria moral das pessoas, ou seja, qualificam a criatura humana.
Essa assertiva encontra respaldo na passagem em que Jesus, tendo sido indagado sobre propósito de sua missão, disse não veio revogar a lei e os profetas, mas dar-lhes cumprimento. Aliás, Jesus também definiu qual deve ser o propósito das religiões ao ensinar que não existe mandamento maior do que “amar a Deus e ao próximo como a si mesmo” e que destes dois mandamentos dependem toda a Lei e os profetas.
É assim que o princípio religioso deve estar focado no ágape, que traduz o sentido da relação metafísica que procuramos estabelecer com o mundo espiritual e valoriza o princípio cristão da caridade que, como a fórmula do amor ao próximo ensinada pelo Cristo, supera todas as limitações formais porque tem aplicação no âmbito moral e material.
Enfim, apesar dos ritos e dogmas de cada religião o “religare”, aplicado no sentido de retornar às origens, ou seja, ao criador, não está na mera adesão a princípios/sistemas das religiões, mas na prática efetiva do amor.
* Governador 2006/2007 do Distrito 4430 de Rotary International.