Brasil vive um aumento dos casos de Infecções Sexualmente Transmissíveis (IST). Apesar de o país garantir a distribuição gratuita de preservativos, e 94% dos brasileiros saberem que esta é a melhor forma de prevenir as IST (PCAP 2013), algumas delas estão avançando de forma assustadora. De 2017 para 2018, tivemos um aumento de 32% no número de novas infecções por sífilis, que pode deixar sequelas e até matar.
A situação também é muito preocupante quando observamos os números do HIV. Enquanto a tendência mundial é de diminuição nos novos casos de exposição ao HIV, no Brasil tivemos um aumento de 21% nos últimos oito anos. Comparado ao restante da América Latina, o desempenho do combate ao HIV no Brasil só foi melhor que a Bolívia e o Chile. Na faixa etária entre 20 e 24 anos, os casos de HIV mais que dobraram nos últimos 10 anos em nosso país.
Especialistas da área da saúde apontam que os mais jovens parecem estar menos preocupados com as IST. Não viveram a devastadora descoberta da Aids, no início da década de 1980, quando metade dos pacientes diagnosticados morriam em poucos meses.
Ainda não há cura para o HIV, mas muitos avanços foram feitos. Hoje, temos testes rápidos na rede pública em que o resultado sai em 20 minutos, temos estratégias combinadas de prevenção como a Profilaxia Pré-Exposição (PrEP) e a Profilaxia Pós-Exposição (PEP), temos medicamentos que tornam o vírus indetectável e intransmissível. Ou seja, temos os recursos para evitar novos casos de exposição ao HIV, mas é preciso investir em educação e democratização desses recursos.
Prova disso é que, neste mês de novembro, São Paulo se tornou a primeira megalópole do mundo a eliminar a transmissão vertical do HIV, ou seja, da mãe para o bebê. Uma grande conquista do prefeito Bruno Covas, além de ser o resultado de políticas públicas integradas e em constante aperfeiçoamento, desde o pioneiro Programa Estadual DST/Aids de São Paulo, o primeiro do Brasil, criado pelo governador Franco Montoro em 1984.
Nós precisamos falar mais sobre as IST, desde a pré-adolescência até a terceira idade, conscientizar toda a sociedade de que elas não escolhem idade, classe social, estado civil, religião, raça, gênero ou orientação sexual. Não existe grupo de risco, existe comportamento de risco.
Esse assunto não pode ser tabu, pois segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS) 1 milhão de pessoas contraem Infecções Sexualmente Transmissíveis (IST) por dia em todo o planeta. Você pode ligar no Disque Aids 0800 16 25 50 e tirar todas as suas dúvidas e receber as orientações necessárias para uma vida sem IST.
Adriana Ramalho
* Vereadora da cidade de São Paulo e presidente da Associação das Vereadoras do Estado de São Paulo. E-mail: adrianaramalho@adrianaramalho.com.br