A questão ambiental na Amazônia toma o centro das atenções do noticiário nacional e internacional. Assunto que por anos foi relegado a um segundo plano pelos governos federais e estaduais, sem que se adotassem medidas que efetivamente contribuiriam para a solução desse grave problema, agora vem inquietar a todos nós pelas possíveis consequências que possam advir para a nossa agenda de exportações.
As queimadas, o desmatamento, o garimpo ilegal e predatório e a grilagem, são violações que acontecem dentro ou fora de unidades de conservação e dentro ou fora das reservas indígenas. Este descontrole caracteriza a ausência do Estado e a incapacidade dos órgãos de fiscalização de exercer o seu papel. A imensidão da floresta, a dificuldade de deslocamento e o grande vazio demográfico apresentado em certas áreas impossibilitam uma presença maior e dá-se pois, espaço e condições para que os agentes do crime atuem com maior liberdade.
A não presença do Estado na Amazônia é ainda afetada pela existência de reservas indígenas, locais em que evidentemente a atuação do Estado se faz limitada. Como dado importante devemos considerar que 22% desse território é constituído de reservas indígenas e que num único Estado, o Estado de Roraima, essas terras correspondem à 46% do seu território. No que diz respeito à presença do Estado ainda devemos considerar a questão bastante lamentável de termos certos agentes do Estado que, por fragilidade moral, agem em favor do descumprimento da lei.
Não tenho dúvida que sem se ocupar a região e desenvolvê-la, não se conseguirá mitigar esse enorme problema. A utilização dos recursos vegetais da floresta de forma sustentável, a exploração dos recursos minerais de forma controlada e a instalação de infraestrutura mínima, notadamente, ferrovias, rodovias e usinas de energia são ações que possibilitarão o desenvolvimento, a melhor ocupação dos espaços e a fiscalização adequada de forma a proteger a biodiversidade ali existente.
Os mesmos personagens que hoje gritam por conta das queimadas foram os que, nas últimas décadas, contribuíram fervorosamente para que o desenvolvimento não chegasse àquela região, dificultando assim o controle que deve ser feito pelo Estado. Ativistas ambientais e os políticos da nossa esquerda agiram ao longo dos anos, em consonância com o discurso de países europeus para que aquela região, sem estradas e sem infraestrutura, ficasse intocada e isolada.
A fumaça da preocupação com o meio ambiente na verdade encobre o fogo dos seus reais interesses. Para os países europeus o que se busca é frear a evolução do nosso agronegócio e de manter os recursos minerais daquela região não explorados. Para os ativistas ambientais da resistência o interesse é antes de mais nada se opor ao atual governo contribuindo para o estabelecimento de uma crise. O que nos assombra e envergonha é que esses não hesitam em se alinhar aos interesses estrangeiros, como verdadeiros inimigos da pátria.
*Analista do Núcleo de Estudos Estratégicos em Defesa e Segurança (NEEDS)
General Eduardo Diniz