Em um Estado Democrático de direito, nada mais legítimo que o povo descontente sair à rua para, em passeata, reclamar o que lhe é de direito, exigir a decência por parte dos entes públicos, expressar seu descontentamento e ou pressionar por mudanças.
No nosso país, as motivações para tal comportamento cívico não faltam. No Congresso Nacional, liderado por dois fantoches da velha política, as medidas saneadoras para um país que precisa sair da crise não prosperam ou avançam em passo de tartaruga, assim se faz com as reformas e com as leis que visam coibir o crime, se e quando aprovadas elas perdem toda profundidade e abrangência que buscavam em sua origem. Além disso, aprovam na calada da noite e em tempo recorde as pautas indesejadas que somos forçados a engolir. Aí listados os indecentes e exorbitantes Fundo Partidário e Fundo Eleitoral.
Atravessando a rua da Esplanada dos Ministérios, a nossa Suprema Corte, por sua vez, parece não estar preocupada em dar a sua contribuição ao combate ao crime, seja ele o crime com violência ou o do colarinho branco. Num país em que graça a pobreza, com sessenta mil assassinatos por ano e uma corrupção que levou o país a uma grave crise, os muito bem remunerados juízes dão liberdade a criminosos e votam a favor da protelação do cumprimento das penas.
Temos assim tudo para tomar as ruas e com nossas vozes exigir um país melhor. Mas estamos no Brasil, a terra do samba e do futebol. O brasileiro agora em fevereiro vai tomar as ruas, mas não é para outra coisa senão que para brincar o Carnaval. Um povo alegre que canta o samba mas não tem voz para exigir aquilo que pode mudar o país e assim beneficiar as próximas gerações. O povo vai para a rua, mas não para fazer o que seria importante e necessário.
Quando isso irá mudar? Quando teremos forças para nos mobilizarmos por mudanças? Quando seremos um país que tem mais a mostrar do que samba e futebol?
- Um cidadão brasileiro
General Eduardo Diniz