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Segunda-feira, 12 de Outubro 2026
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O Papa é comunista?

Há mais ou menos três anos, o Vaticano começou a cuidar da realização de um Sínodo sobre a Amazônia.

O Papa é comunista?
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Há mais ou menos três anos, o Vaticano começou a cuidar da realização de um Sínodo sobre a Amazônia. Era recorrente a preocupação com esta parcela do planeta que é a última grande floresta dos trópicos, essencial à sadia qualidade de vida de todas as espécies.

Ocorre que o Sínodo vem a culminar com a tragédia que o mundo civilizado lamenta e o Brasil nem tanto: O INPE – Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais, que os ambientalistas chegaram a sugerir “fazia o jogo do agronegócio”, foi descredenciado pelo Governo. Mesmo assim, detectou 53 mil focos de incêndio no Brasil, quase metade a mais do que ocorreu em 2018.

Isso não é apenas constatado pelo INPE. A NASA e outros observadores, já que a Amazônia interessa a todos, também se alarmaram com a intensificação da destruição do verde. Parece que os criminosos, sejam grileiros, mineradores, madeireiros e outros interessados, entenderam os sinais emitidos a partir de janeiro. Estes foram bem tendenciosos. Ambientalismo é coisa de ONG que só leva dinheiro do Brasil e nada faz, há uma conspiração internacional para acabar com a soberania brasileira, povos que destruíram suas florestas há séculos não têm moral para impedir que nós destruamos as nossas. Tudo bobagem: aquecimento global não existe e o Brasil tem de deixar os acordos de Paris, de Kyoto e quantos mais inventados por essa “raça” fundamentalista que professa a ética ecológica.

Até os bispos foram considerados suspeitos de participação nessa empresa suicida: destruir a vida. O Sínodo seria “falta do que fazer” e oposição comunista à retomada do verdadeiro progresso.

Numa viagem entre Madagascar e Roma, o Papa Francisco reconheceu que nem todos os governantes fazem o suficiente para proteger a Amazônia. “Alguns mais, alguns menos”.

Um discreto puxão de orelhas naqueles que deveriam zelar por esse patrimônio intangível, que não foi construído por eles, mas cuja extinção coordenam com furor poucas vezes evidenciado nesta terra que já foi considerada um paradigma na preservação ambiental.

Tristes tempos nestes melancólicos trópicos, quando até o Papa Francisco, o autor da “Laudato Si”, pode ser chamado de comunista...

*Reitor da UNIREGISTRAL, docente da Pós-Graduação da UNINOVE e Presidente da Academia Paulista de Letras – 2019-2020. Escreveu “Ética Ambiental”, 4ª ed., Ed.Thomson Reuters.    

José Renato Nalini

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