Muitos não sabem, mas o Brasil nasceu das mãos de uma mulher. Aprendemos desde cedo que d. Pedro I proclamou a independência do país às margens do Rio Ipiranga, em 7 de setembro de 1822, mas na verdade ela já havia sido decretada em 2 de setembro por sua esposa, a Imperatriz Leopoldina.
Enquanto a corte portuguesa tentava rebaixar o Brasil novamente à posição de colônia, um crescente movimento pela independência contava com o apoio de Maria Leopoldina. Algumas províncias ameaçavam se separar do país, e d. Pedro viajou a São Paulo para acalmar a situação, nomeando sua esposa chefe do Conselho de Estado e Princesa Regente Interina do Brasil, com poderes legais para governar o país durante a sua ausência.
Ao receber notícias de que Portugal preparava ação contra o Brasil, sem tempo para esperar o retorno do marido, ela reuniu o Conselho de Estado e assinou o decreto de independência do país. Cinco dias depois, em 7 de setembro, o documento chegou a d. Pedro I junto de uma carta da esposa, que dizia “o fruto está maduro, colha já, senão apodrece”. Depois disso, a Imperatriz ainda usou sua influência junto a governos europeus para obter reconhecimento internacional à independência do Brasil.
Quase duzentos anos depois, mesmo com tantos avanços conquistados, ainda estamos longe da igualdade entre homens e mulheres. Nossa história poderia ser muito diferente se d. Pedro I tivesse recusado a participação da esposa nos assuntos políticos. Assim como hoje o Brasil poderia ser um país diferente se não negasse ainda tantas oportunidades às mulheres.
O último relatório da Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (Cepal) revela que a desigualdade entre homens e mulheres é um dos principais obstáculos para o desenvolvimento sustentável dos países da região. Ou seja, a vulnerabilidade econômica da mulher (que enfrenta desigualdade de oportunidades no mercado de trabalho, tem menor renda e absorve a maior parte do trabalho doméstico e familiar) impede um crescimento maior e mais sustentável da economia.
Porém, para o Fórum Econômico Mundial, no ritmo atual o Brasil levará mais de 59 anos para acabar com a desigualdade entre homens e mulheres. Entre 25 países da América Latina, somos o 22º colocado no enfrentamento a esse problema. Porém, se nada for feito, corremos o risco de aprofundar a desigualdade, enquanto entramos na era das máquinas substituindo a mão de obra humana e 50,1% das mulheres desempenhem trabalhos ou serviços não qualificados, com alta probabilidade de automação nos próximos anos.
A hora de aprofundar o combate à desigualdade entre homens e mulheres é agora! A sociedade brasileira está cada vez mais consciente dessa necessidade. Podemos dizer, como a Imperatriz Leopoldina, que o fruto está maduro. Se fizermos essa mudança, ele poderá ser colhido por todos nós, em forma de crescimento econômico e social, geração de emprego e renda, diminuição da pobreza e da violência.
Adriana Ramalho
Adriana Ramalho é vereadora da cidade de São Paulo e presidente da Associação das Vereadoras do Estado de São Paulo. E-mail: adrianaramalho@adrianaramalho.com.br