“Onde está a vossa fé?” indagou Jesus aos seus discípulos quando, numa pequena barca, se viram em meio a uma tempestade (Lucas 8, 22 a 25).
Essa passagem mostra-nos quão frágil é a fé do homem, sobretudo diante das dificuldades do cotidiano quando, normalmente, nos apequenamos e mostramos nossa fragilidade. Seja no aspecto material e, sobretudo, no espiritual, mormente falta-nos confiança porque não nos preparamos para as adversidades.
Ainda que inconscientemente, achamos que isso ou aquilo nunca acontecerá conosco. Nos colocamos, sempre, num patamar mais elevado e quando surpreendidos pelas vicissitudes da vida, por vezes, nos perdemos.
Muitas vezes nos abatemos a ponto de duvidarmos da bondade e da justiça de Deus.
Esquecemo-nos da nossa fé, porque frágil, e dos ensinamentos trazidos pelo mestre Jesus. Kardec Ensina que: “A fé é humana e divina; se todos os encarnados estivessem bem persuadidos da força que têm em si, se quisessem colocar a vontade a serviço dessa força, seriam capazes de realizar o que, até o presente, chamou-se de prodígios, e que não é senão um desenvolvimento das faculdades humanas” (ESA, Cap. XIX, 12).
Na mesma seara, Bezerra de Menezes, o médico dos pobres, com peculiar clareza disse que “a fé é uma realidade literal, que conduz o nosso destino, promovendo o alcance das benesses as quais o Criador dispõe e que todos podem conquistar” (in Fluídos de Luz, Editora Elevação).
Talvez possamos entender a fé como a força que nasce com a própria alma, certeza instintiva da existência de Deus, que estando apoiada nos fatos e na lógica – já que a fé cega já não tem lugar em nosso mundo -, como ensina a Doutrina Espírita, se tornará inabalável e poderá encarar a razão em todas as épocas da humanidade.
Enfim, fortalecidos no entendimento da fé, reconhecida como a mãe de todas as virtudes, porque traz como consequência a esperança e a caridade, encontraremos paz, sobretudo de espírito, e seremos capazes de transformar nossas vidas, elevando nossos corações.
Entendida a lição, no aspecto moral e espiritual, teremos claro que, com fé e resignação, as vicissitudes da vida material nos trazem valiosos ensinamentos e fortalecem nosso espírito, fazendo de nós pessoas melhores e, portanto, mais próximas de Deus.
Como a fé se desenvolve pelo trabalho incessante no bem, “tudo é possível àquele que tem fé” (Marcos 9:23), simplesmente porque a fé é o alimento da alma.
Paulo Eduardo de Barros Fonseca