Certa feita, esqueci do aniversário de casamento! Era o 13º! Eu vivia um período muito agitado profissionalmente, como diretor de uma distribuidora de veículos, vice-presidente de um sindicato nacional patronal e ainda ministrava palestras e treinamento em empresas e escolas...
Na manhã seguinte, mostrando um belo anel, ela disse: “Olhe o presente que eu ‘me dei’ de aniversário de casamento”, completando ferinamente: “Você não se lembrou, não é?”
Numa situação tão constrangedora e desconfortável, achei que a única saída seria apelar para o humor (como, aliás, sempre faço...). Com a cara mais deslavada do mundo, respondi: “Lembrei, sim, claro, mas eu não guardo rancor, está tudo bem!” Ela riu da piada e também não mostrou rancor... É claro que, depois, vieram as desculpas formais, com flores e jantar à luz de velas...
Entretanto, “a pergunta que não quer calar” é esta: a mulher tem mesmo melhor memória do que o homem? Afinal, ela NUNCA esquece aniversários de nascimento ou casamento. Se ele berra lá do quarto: “minhas meias marrons não estão aqui!”, ela retruca: “estão sim senhor! Na segunda gaveta, no lado esquerdo...”! Só então ele olha, e lá estão as benditas meias...
Mas vamos lá: quanto ao aspecto físico, ambos têm as mesmas condições e posição de memória: ela está no hipocampo, localizado no sistema límbico. A diferença, portanto, não se refere a privilégio de um sobre o outro, como acontece com o cérebro: a ciência já comprovou que o cérebro masculino é aproximadamente 10% maior. Bente Pakkenberg demonstrou que, além disso, os homens têm cerca de quatro bilhões de neurônios a mais do que as mulheres. Indispensável lembrar que o pesquisador americano Roger Gorski, afirmou que essa quantidade nada significa e não impede a mulher de fazer melhor uso do seu cérebro!
Mark Gungor, conhecido palestrante americano, em sua célebre palestra “The tale of two brains”, afirma que a mulher se recorda de tudo porque a tudo ela associa um elemento chamado “emoção”. Quando juntamos emoção a algum acontecimento, fixamo-lo na memória! “E o homem, não tem emoção?” Indaga ele, e responde em seguida: “Tem. Mas não liga!”
Tenho dito em aulas e palestras que memória é questão de atenção. Se prestarmos atenção de verdade – e com interesse – a um fato, a possibilidade de o esquecermos é remota...
Exercícios mentais também ajudam! Palavras cruzadas e poesia, por exemplo, estimulam e disciplinam o funcionamento da memória.
Ministrando treinamento para funcionários do Banco do Brasil, alguém elogiou minha memória, salientando que eu narrava histórias, citando nomes, datas e detalhes sem usar anotações. Agradecendo, respondi que, de fato, orgulho-me de duas qualidades: a primeira é minha memória, sem dúvida. A segunda... a segunda... eu não lembro!
J.B. Oliveira
* Consultor, comunicador, jornalista, palestrante, e-mail: jboliveira@jbo.com.br