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Domingo, 12 de Abril 2026

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Dona Zefa, seu menino cresceu

Colunista Otávio Santana do Rêgo Barros

Dona Zefa, seu menino cresceu
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...a possibilidade de conhecer e aplicar conceitos por vezes olvidados como pátria, nação, povo, respeito, hierarquia e disciplina já justifica a decisão do Estado Brasileiro e precisa ser apoiada e divulgada para escoimar dúvidas e crendices que ainda vicejam em meio à sociedade. 

Antônio acordara muito cedo para passar a roupa que usaria na cerimônia daquela manhã. Estava ansioso, mas não queria demonstrar aos outros companheiros de alojamento. 

A alegria lhe enchia o peito por ter passado com sucesso pelo processo de inscrição, de seleção complementar e, por fim, de escolha para servir o Exército. 

Seus pais, Seu Chico e Dona Zefa, prometeram que estariam no horário marcado no portão do Regimento. Pegariam o primeiro ônibus para não correrem risco de atrasar. Afinal, no Exército, hora é hora. 

Eles também não escondiam a felicidade por mais um filho iniciar a vida militar e quem sabe seguir a carreira como o José, o irmão mais velho. Era Sargento no 15, lá em Cruz das Armas. 

Essa é uma história fictícia que pode estar ocorrendo em muitos lugares no Brasil nessas últimas duas semanas. 

Trata-se da incorporação de um novo contingente de jovens recrutas para prestarem o serviço militar obrigatório idealizado pelo poeta Olavo Bilac há mais de um século. 

O recrutamento foi inaugurado em 1916, inicialmente mediante sorteio militar e a partir de 1945 passou a vigorar na forma de convocação geral por classe, ou seja, pelo ano de nascimento, em vigor até os dias de hoje. 

Ao final do período de instrução básica e de qualificação, desenvolvida em cada organização militar, aquele recruta será chamado de soldado, tornar-se-á reservista, e estará apto para ser mobilizado conforme as necessidades do país. 

Esse ciclo de seleção, preparo e posterior disponibilidade do cidadão promove a renovação dos quadros das Forças Armadas e atende a um principio secular de defesa contra inimigos externos e da preservação dos interesses internos do país. 

Algumas vezes se questiona o processo de conscrição e a sua efetividade. 

A discussão entre Forças Armadas profissionais e Forças Armadas recrutáveis, todavia, ainda não aflorou para além dos muros da caserna ou de organizações que estudam segurança e defesa nacionais. 

Para um país com a nossa dimensão continental, sem antagonismos externos latentes, e carente da presença do Estado em muitas áreas afastadas do centro de poder, propiciar a esse jovem, recém saído da adolescência, a possibilidade de conhecer e aplicar conceitos por vezes olvidados como pátria, nação, povo, respeito, hierarquia e disciplina já justifica a decisão do Estado Brasileiro e precisa ser apoiada e divulgada para escoimar dúvidas e crendices que ainda vicejam em meio à sociedade. 

Boa sorte Antônio! Você será acolhido e tratado como irmão de arma. Seu Chico e Dona Zefa, acalmem os corações, seu menino cresceu. Sargento José, seu exemplo frutificou na família e na comunidade. 

Paz e bem! 

* Otávio Santana do Rêgo Barros, general de Divisão da Reserva 

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