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Quarta-feira, 16 de Setembro 2026
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Depois do vendaval

Colunista José Renato Nalini

Depois do vendaval
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O desmatamento da Amazônia em fevereiro levou algumas pessoas a criticarem o atual governo. Somente ingenuidade ou má-fé levaria a um questionamento dessa natureza. O desastre infligido à natureza de 2019 a 2022 foi sem precedentes e somente um milagre impediria que as sequelas permanecessem durante longo período. 

Basta lembrar que as estruturas de tutela ecológica, lenta e cuidadosamente edificadas durante décadas, foram sumariamente desmanteladas. Ricardo Galvão, do INPE, por ter tido a coragem de criticar a omissão de dados, foi exonerado. Os conselhos da cidadania foram extintos ou impedidos de funcionar. O Fundo Amazônia, menosprezado, foi congelado. Noruega e o Reino Unido desistiram de continuar a contribuir.  

Acenou-se à criminalidade organizada que a Amazônia seria o paraíso da delinquência. Invada-se qualquer área demarcada, qualquer reserva indígena, qualquer propriedade da União. Aproveite-se da omissão governamental em relação ao tema de relevância extrema: a regularização fundiária, e façam daquilo um território sem lei, sem autoridade, sem qualquer escrúpulo.  

Poluam os rios, queimem as matas, vocês terão anistia ampla, geral e irrestrita. A nefasta reunião ministerial em que se explicitou que se poderia “soltar a boiada”, já que a mídia estava preocupada e envolvida na pandemia, foi bem assimilada por todos aqueles criminosos que continuaram o genocídio indígena, o envenenamento das águas, do solo, da atmosfera. Quem acreditaria que essa organização delitiva, cada vez mais organizada e com tentáculos pelo planeta inteiro, iria retroceder, apenas porque o governo mudou? 

As chagas abertas na floresta, na crença que devem merecer as instituições, a confiança no governo, a ressurreição dos dogmas ambientais de que o Brasil cuidou com tanto carinho e ajudou a disseminar pela Terra, são profundas e ainda continuam a sangrar. Levará enorme tempo até que elas se cicatrizem. O raciocínio é muito simplório: usar motosserra para matar uma árvore que levou centenas de anos para se tornar aquela potência ecossistêmica é simples e leva alguns minutos. Qual o ser humano capaz de repor uma espécie adulta e capaz de gerar idênticos benefícios no mesmo tempo? Da situação de Pária Ambiental à dimensão de Promissora Potência Verde, não se chega por mágica. Serão anos de sacrifício e de empenho. Pois o vendaval arruinou todos os biomas, não só a Amazônia e, depois dele, haja paciência e perseverança para consertar os estragos.  

 

*José Renato Nalini é Diretor-Geral da UNIREGISTRAL, docente da Pós-graduação da UNINOVE e Secretário-Geral da Academia Paulista de Letras. 

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