SEMANÁRIO ZONA NORTE - JORNAL DE MAIOR CIRCULAÇÃO NA ZONA NORTE

De longe se vê melhor

A comunidade internacional, que se assustou quando o Brasil quis levantar voo para se tornar grande potência

A comunidade internacional, que se assustou quando o Brasil quis levantar voo para se tornar grande potência, viu que o condor deu lugar à galinha. A economia brasileira continua rasteira, com o desemprego aumentando, mais de 65 milhões de nacionais fora da força de trabalho, a violência crescendo e as mentiras também.

O que parece nos anestesiar e acreditar que tudo vai bem, é visto com percepção aguda pelos estrangeiros. O Wall Street Journal publicou notícia sobre a fuga da elite tupiniquim rumo a Miami, Orlando ou Portugal, assustada com a violência e com a falta de perspectivas. Os números são o atestado inequívoco: as notificações de emigração em 2017 foram 21.700, mais de três vezes do que em 2011.

         Todos conhecem alguém que, podendo, fugiu do Brasil. As filas nos consulados enfrentam toda a dificuldade para obter a cidadania e a salvação. Ajuda a mostrar o clima moral do Brasil a ampla divulgação do roubo da Medalha Fields, que o associa à atuação desenvolta das organizações criminosas. “Maior gangue do Brasil seduz recrutas com desconto de mensalidade e programa Adote um Irmão”, está no New York Times e no Washington Post.

O Los Angeles Times publica: “Temporada mortal para os defensores de terras e ativistas ambientais no Brasil”.

Essa a leitura que o mundo civilizado faz do Brasil. Aqui, em lugar de encarar a realidade, todos os candidatos fazem promessas que sabem não poderão cumprir. Não enfrentam a verdade que é o custo exagerado do Estado, com apenas oito dentre os Estados-membros que têm receita para subsistir e quatro quintos dos municípios na mesma condição.

República com quase quarenta partidos e muitos outros aguardando a vez, com Fundo Partidário para custear mamatas e sinecuras, com a corrupção a continuar como se não houvesse MP e Judiciário suficiente para apurar todos os crimes, não pode dar certo.

Vamos continuar a enterrar sessenta mil mortos jovens a cada ano. Sem falar nos que morrem nos corredores dos hospitais, das crianças sem vacina, das facções controlando todos os tráficos e mostrando o que é eficiência e organização. Enquanto isso, procuremos espaço para acenar para aqueles que querem continuar a ser enganados, com a maravilha que será 2019. 

*José Renato Nalini é Reitor da Uniregistral, palestrante e conferencista.

 

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De longe se vê melhor

A comunidade internacional, que se assustou quando o Brasil quis levantar voo para se tornar grande potência, viu que o condor deu lugar à galinha. A economia brasileira continua rasteira, com o desemprego aumentando, mais de 65 milhões de nacionais fora da força de trabalho, a violência crescendo e as mentiras também.

O que parece nos anestesiar e acreditar que tudo vai bem, é visto com percepção aguda pelos estrangeiros. O Wall Street Journal publicou notícia sobre a fuga da elite tupiniquim rumo a Miami, Orlando ou Portugal, assustada com a violência e com a falta de perspectivas. Os números são o atestado inequívoco: as notificações de emigração em 2017 foram 21.700, mais de três vezes do que em 2011.

         Todos conhecem alguém que, podendo, fugiu do Brasil. As filas nos consulados enfrentam toda a dificuldade para obter a cidadania e a salvação. Ajuda a mostrar o clima moral do Brasil a ampla divulgação do roubo da Medalha Fields, que o associa à atuação desenvolta das organizações criminosas. “Maior gangue do Brasil seduz recrutas com desconto de mensalidade e programa Adote um Irmão”, está no New York Times e no Washington Post.

O Los Angeles Times publica: “Temporada mortal para os defensores de terras e ativistas ambientais no Brasil”.

Essa a leitura que o mundo civilizado faz do Brasil. Aqui, em lugar de encarar a realidade, todos os candidatos fazem promessas que sabem não poderão cumprir. Não enfrentam a verdade que é o custo exagerado do Estado, com apenas oito dentre os Estados-membros que têm receita para subsistir e quatro quintos dos municípios na mesma condição.

República com quase quarenta partidos e muitos outros aguardando a vez, com Fundo Partidário para custear mamatas e sinecuras, com a corrupção a continuar como se não houvesse MP e Judiciário suficiente para apurar todos os crimes, não pode dar certo.

Vamos continuar a enterrar sessenta mil mortos jovens a cada ano. Sem falar nos que morrem nos corredores dos hospitais, das crianças sem vacina, das facções controlando todos os tráficos e mostrando o que é eficiência e organização. Enquanto isso, procuremos espaço para acenar para aqueles que querem continuar a ser enganados, com a maravilha que será 2019. 

*José Renato Nalini é Reitor da Uniregistral, palestrante e conferencista.

 

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