SEMANÁRIO ZONA NORTE - JORNAL DE MAIOR CIRCULAÇÃO NA ZONA NORTE

Dar chance à inteligência

O Brasil parece anestesiado e inerte ante ao que ocorre no planeta

O Brasil parece anestesiado e inerte ante ao que ocorre no planeta. Enquanto outros países superam dificuldades muito superiores às nossas e levam a sério a educação, aqui prevalece a mesmice. Não se concede espaço para a criatividade e para a audácia. Tudo tem de ser normatizado, regulamentado, definido na teia de exigências formais que a tudo sufoca. Inclusive a inovação, sem a qual o País não caminhará rumo ao amanhã.

Não é por falta de incentivo. Se levasse a sério a inovação, o Brasil poderia mudar o cenário de desalento entre cinco e dez anos. Quem afirma é a diretora executiva do MIT – o Massachusetts Institute of Technology, onde comanda o IPC-Industrial Performance Center. Ela veio trazer um pouco de ânimo a um dos setores que há muito tempo descobriu que o figurino da educação formal é insuficiente para enfrentar os desafios da vida real. O Senai, um dos eixos do fabuloso sistema “S”, que é a resposta de quem sabe o que é trabalho – muito diferente de uma Administração Pública rançosa e costumeiramente distribuída em fatias entre os apaniguados.

O MIT desenvolveu um projeto de pesquisa para acelerar a inovação no Brasil. Para isso, é preciso aumentar a integração do País com o mundo. Não fazendo com que nossas melhores inteligências migrem para outros espaços onde elas são reconhecidas. Mas flexibilizando as regras locais, um caótico sistema de proibições, para facilitar o acesso a centros de inovação internacionais.

De acordo com a especialista, “a regulamentação é asfixiante”. Os bons exemplos – raríssimos – são aqueles em que o Poder Público não pode interferir, como a Fapesp, ora sob o comando de uma figura notável, o professor José Goldemberg, que já esteve também subordinada a outra legenda pátria, o ministro Celso Lafer. São essas as pessoas que podem ajudar o Brasil a sair do lodaçal medíocre e que enfrentam dificuldades, a partir da miopia estatal, evidente fator de empecilho à desenvoltura que seu esforço poderia obter.

As três condições para o Brasil inovar, diz Fernanda Negri, pesquisadora do Ipea – Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada, são pessoas qualificadas, infraestrutura adequada e ambiente de incentivo ao empreendedorismo. Todas elas ainda carentes e debilitadas, porque o Governo está mais preocupado em se preservar, em eleições e em agenda que só interessa a quem não acredita em renovação. E se assim está bom para quem manda, por que inovar?

* Reitor da Uniregistral,

docente universitário,

palestrante e conferencista.  

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Dar chance à inteligência

O Brasil parece anestesiado e inerte ante ao que ocorre no planeta. Enquanto outros países superam dificuldades muito superiores às nossas e levam a sério a educação, aqui prevalece a mesmice. Não se concede espaço para a criatividade e para a audácia. Tudo tem de ser normatizado, regulamentado, definido na teia de exigências formais que a tudo sufoca. Inclusive a inovação, sem a qual o País não caminhará rumo ao amanhã.

Não é por falta de incentivo. Se levasse a sério a inovação, o Brasil poderia mudar o cenário de desalento entre cinco e dez anos. Quem afirma é a diretora executiva do MIT – o Massachusetts Institute of Technology, onde comanda o IPC-Industrial Performance Center. Ela veio trazer um pouco de ânimo a um dos setores que há muito tempo descobriu que o figurino da educação formal é insuficiente para enfrentar os desafios da vida real. O Senai, um dos eixos do fabuloso sistema “S”, que é a resposta de quem sabe o que é trabalho – muito diferente de uma Administração Pública rançosa e costumeiramente distribuída em fatias entre os apaniguados.

O MIT desenvolveu um projeto de pesquisa para acelerar a inovação no Brasil. Para isso, é preciso aumentar a integração do País com o mundo. Não fazendo com que nossas melhores inteligências migrem para outros espaços onde elas são reconhecidas. Mas flexibilizando as regras locais, um caótico sistema de proibições, para facilitar o acesso a centros de inovação internacionais.

De acordo com a especialista, “a regulamentação é asfixiante”. Os bons exemplos – raríssimos – são aqueles em que o Poder Público não pode interferir, como a Fapesp, ora sob o comando de uma figura notável, o professor José Goldemberg, que já esteve também subordinada a outra legenda pátria, o ministro Celso Lafer. São essas as pessoas que podem ajudar o Brasil a sair do lodaçal medíocre e que enfrentam dificuldades, a partir da miopia estatal, evidente fator de empecilho à desenvoltura que seu esforço poderia obter.

As três condições para o Brasil inovar, diz Fernanda Negri, pesquisadora do Ipea – Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada, são pessoas qualificadas, infraestrutura adequada e ambiente de incentivo ao empreendedorismo. Todas elas ainda carentes e debilitadas, porque o Governo está mais preocupado em se preservar, em eleições e em agenda que só interessa a quem não acredita em renovação. E se assim está bom para quem manda, por que inovar?

* Reitor da Uniregistral,

docente universitário,

palestrante e conferencista.  

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