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Criatividade salvífica

O ser humano é um complexo bastante singular.

Criatividade salvífica
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O ser humano é um complexo bastante singular. Não existem categorias uniformes, nem se pode exigir coerência absoluta, própria de autômatos e não de criaturas. A regra é o encontro de características diversas e até antagônicas num único indivíduo. Algo que pode lembrar o médico e o monstro a conviverem na mesma pessoa.

Por isso é que se abundam os exemplos de perversidade perpetrada contra o ambiente, há também – infelizmente, em número reduzidíssimo – modelos de ética ambiental em pleno curso.

Dois deles são mencionados pela jornalista e escritora Elizabeth Kolbert, em seu livro “Sob um céu branco: a natureza no futuro”. O primeiro é o projeto Super Coral. É levado a efeito no Havaí, com o objetivo de tentar minimizar o nefasto efeito do aquecimento dos oceanos e pela maior concentração de gás carbônico na atmosfera. Preocupada com a eliminação dos corais, a jornalista foi conhecer o programa e viu que é possível criar uma espécie de coral que sobreviva ao aquecimento. Tais corais criam recifes, agregam ecossistemas e favorecem o desenvolvimento de uma biodiversidade anteriormente não constatada.

É um esforço da ciência para corrigir algo causado pelo próprio ser humano. Como é difícil reverter o aumento da temperatura dos oceanos, foi a resposta científica encontrada. Ainda que em reduzidíssima escala.

Para a escritora, os dois tipos de intervenção – primeiro, alterando a temperatura dos oceanos e, depois, tentando modificar os recifes que sofreram com isso, - parecem constituir um novo capítulo em nosso relacionamento complicadíssimo com a natureza.

O outro exemplo é a Climeworks, uma empresa suíça cujo projeto é retirar o gás carbônico da atmosfera, a fim de injetá-lo 800 metros abaixo da erra, onde se transforma em rocha. Se isso se mostrar viável, é uma pequena lamparina bruxuleante no final de um amplo, extenso e perigoso túnel, a metáfora resultante da poderosa e detonadora intervenção do homem sobre a natureza.

O mundo está à espera de que a juventude, a principal vítima dessas intervenções, venha a exercer sua criatividade salvífica, na busca de um destino mais digno à humanidade, do que sua extinção, causada por ela própria.

 

*José Renato Nalini é Reitor da UNIREGISTRAL, docente da Pós-graduação da UNINOVE e Presidente da ACADEMIA PAULISTA DE LETRAS – 2021-2022.

 

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