A 24ª Festa das Nações ocorreu no sábado, dia 5 de novembro, na sede do Colégio Imperatriz Leopoldina. Com o tema ‘Centenário da Semana de Arte Moderna de 1922’ , a data foi celebrada diante de muita festa e alegria.
O evento é uma tradição da escola e as atividades procuram envolver o aluno no entorno da cultura e dos ensinamentos dos mais diversos países.
Fundado por imigrantes alemães em 1923, no bairro de Santana, o Colégio Imperatriz Leopoldina (CIL) foi criado para atender crianças alemãs e seus descendentes, moradores da Zona Norte. No início, chamava-se Hindenburg Schule (Escola de Hindenburgo), funcionava com três salas de aula e 60 alunos, e estava localizada na Rua Voluntários da Pátria, sendo mantida pela Sociedade Alemã de Santana e Arredores. No entanto, o espaço tornou-se insuficiente e, logo, passou para o endereço atual, onde recebeu outros nomes: Externato Pedro Doll, em função do nome da rua, que homenageia um imigrante alemão; Ginásio Imperatriz Leopoldina (GIL), em homenagem à Imperatriz Leopoldina, de origem austríaca. E, por fim, em 1971, passou a se chamar Colégio Imperatriz Leopoldina (CIL). A Associação Cultural e Beneficente de Santana, que é mantenedora do colégio, foi criada em 1954.
Há 50 anos trabalhando no Colégio Imperatriz Leopoldina, a coordenadora de eventos Norma Burger destacou a expectativa da 24ª Festa das Nações. “A festa é muito grande e importante para os alunos, pais e professores. É um momento de muitos abraços e sorrisos. Estamos muito felizes em poder abraçar e ver as pessoas pessoalmente. Neste ano o tema escolhido foi o Centenário da Semana de Arte Moderna de 22 e já pensando no ano que vem, na comemoração do centenário do colégio.
Com esse assunto, estamos fazendo com que os alunos comecem a ver como era lá atrás quando a escola foi fundada. Os alunos reagiram muito bem ao tema e apreenderam sobre essa revolução que aconteceu especialmente aqui em São Paulo. Nesta edição diversificamos um pouco em relação às atrações. Elas não estão acontecendo exclusivamente dentro da quadra e sim divididas em quatro pequenos palcos. Há muita música, dança e exposições de trabalhos”.
Segundo Norma, o evento une as pessoas e as famílias. “A nossa intenção é aproximar os familiares do colégio e também fazer com que as famílias conversem com os professores e sintam a dedicação e o entusiasmo dos seus filhos”.
Paula Marques Santos, professora de Redação do 6º e 7º ano falou da retomada do evento presencial após dois anos por causa da pandemia. “O CIL não parou neste período de pandemia. Apesar de não termos a festa presencial, realizamos outras atividades on-line. É claro que sentimos muito a falta do público, mas fizemos tudo com muito carinho. A Festa das nações é o principal evento do colégio. Estamos muito alegres com essa retomada. E o temas deste ano foi muito interessante. Abordamos o Centenário da Semana de Arte Moderna de 1922, e os alunos aceitaram muito bem este assunto. Tentamos ambientar o espaço com o tema. Montamos uma pizzaria fictícia com a participação dos principais nomes daquela época, como a socialite Marinete Prado, interpretada pelos próprios alunos. Ela que deu a ideia para os modernistas de fazer aqui no Brasil uma semana como Paris. O ambiente aqui da cantina é o encontro dos modernistas”.
Para a professora a Festa das Nações aproxima familiares e professores. “Foram meses de preparação e dedicação. Todas as obras de arte foram feitas pelos alunos no atelier de arte com a professora Virginia”.
Já para Gislane Aparecida Oliveira, professora do 6º ano de Língua Portuguesa, “essa festa é um misto de alegria e emoção. Ficamos dois anos sem a Festa das Nações, realizamos apenas alguns eventos on-line. Mas nada se compara ao corpo a corpo. O tema foi muito bem recebido pelos alunos, e antes deles desenvolverem seus trabalhos de montagem, ministramos uma aula para eles entenderem o que foi a Semana da Arte Moderna. Os alunos tomaram conhecimento do assunto, não se aprofundaram porque ainda são pequenos, mas eles gostaram de assistir os vídeos que apresentamos e das pizzas fictícias. Cada pizza fictícia trouxe a biografia de cada autor que participou da Semana de Arte Moderna”.
Para Aida Solange Ventura Petrone, coordenadora dos 3ºs, 4ºs e 5ºs anos “ a Festa das Nações é um evento que encanta toda a comunidade da Zona Norte. É uma grande alegria também para todos nós professores participarmos desta grande festa junto com os alunos e pais. É um trabalho que envolve a todos e enriquece a população. A nossa mostra de conhecimento para esta edição trouxe o Centenário da Semana de Arte Moderna e o Bicentenário da Independência do Brasil e no próximo ano o Centenário do CIL. Nosso colégio sempre busca apreciar a arte. A arte faz parte do nosso dia a dia e das nossas estratégias de trabalho em todas as áreas de conhecimento. É o momento de revolução e revalorização do nosso país. E as famílias são colaboradoras e curtem o tempo inteiro todas as atividades”.
Para Roseli Maccarrone Faccioli, que é coordenadora pedagógica do sexto ao oitavo ano, “o objetivo da Festa das Nações é proporcionar grande interação entre a família e a escola. Com essa questão da pandemia, eles precisam deste momento de interação social e de reconstruir esse ambiente escolar.
E a escolha do tema foi muito gratificante. Cada aluno está participando de uma oficina, como a pizza literária, e todas elas giram em torno dos artistas da Semana da Arte Moderna. Eles estão desempenhando muito bem esse trabalho. O grande objetivo do colégio é que as crianças possam traduzir estes valores, que ensinados nas salas de aula e vivenciados nas atividades extraclasse, para as suas vidas, permitindo assim que elas sejam ainda mais felizes em suas atividades e escolhas de vida. Procuramos transmitir valores em todas as atividades desenvolvidas, e transformá-los em agentes de transformação no mundo, por isso, trabalhamos com metodologias ativas, onde o aluno estuda antes e discute o tema em sala de aula. Essas atividades favorecem a formação de cidadãos efetivamente capazes de intervirem na edificação de uma sociedade mais justa, possibilitando que saiam de suas zonas de conforto, a fim de beneficiarem o “outro”, fazendo despertar, dentro de cada um, a solidariedade e o verdadeiro exercício da cidadania. E a Festa das Nações promove interação entre os alunos, pais e professores. Esse é um evento muito importante para a comunidade da Zona Norte. Este ano tivemos dois grandes eventos, que foi a Mostra do Conhecimento que mostrava o Bicentenário da Independência e agora o Centenário da Semana da Arte Moderna. Encerramos a Festa das Nações vamos nos preparar para as festividades do Centenário do colégio”.
O presidente da mantenedora, Flávio G. Holzchuh destacou a expectativa dos colaboradores, pais e alunos do CIL, após dois anos sem acontecer o evento devido à pandemia de Covid. “Todos nós estávamos com saudades deste evento. A Festa das Nações é o nosso maior evento. Ele consagra todo trabalho de um ano e congrega toda a comunidade da região. Todos têm acesso à cultura, história, além de experimentar delícias de diversas culinárias. A Festa é um marco para toda a população da Zona Norte. Muitas pessoas aguardam este momento para reencontrar velhos amigos e curtir este grande espaço. Infelizmente, este ano não haverá a Novemberfest, estamos nos preparando para grandes eventos em comemoração ao nosso centenário no ano que vem. A edição deste ano é exclusivamente pedagógica, cujo tema é o Centenário da Semana da Arte Moderna de 1922 . Então, os alunos focaram seus trabalhos neste tema. Com certeza, este evento já é um preparativo para o centenário do Colégio.
Flávio também ressaltou a importância do elo entre professores, pais e alunos. “A Festa das Nações também une professores, pais e alunos. É um momento importante para fomentar essa integração. Hoje o Colégio vem se transformando num espaço aberto para que as pessoas possam se congregar. A festa começou com projeto pequeno, e hoje se tornou o maior evento da escola. É uma excelente oportunidade dos alunos estudarem as novas culturas e os costumes de outros países”.
Para o presidente, “o Colégio Imperatriz Leopoldina busca manter um elevado padrão de qualidade de ensino em todos os cursos oferecidos pela escola, desenvolvendo princípios de solidariedade humana, valorizando o profissional de educação, oferecendo conhecimento científico através de conteúdos necessários para o desenvolvimento do educando, ampliando e recriando suas experiências, articulando o saber organizado da teoria com a prática, tornando-o, assim, capaz para resolver problemas cotidianos e profissionais”.
De acordo com ele “ver a transformação da escola é um motivo de muito orgulho, pois o colégio nasceu da necessidade dos filhos dos descendentes alemães em estudarem em um lugar mais próximo, pois o único local que havia estudo voltado para a cultura alemã era na Zona Sul. Naquela época, o bonde precisava atravessar o rio, e nos dias de enchente, as crianças ficavam sem ir às aulas. Diante desta dificuldade, nasceu a ideia de criar um espaço na Zona Norte que pudesse atender a todas estas necessidades”.
Flávio é neto de alemães, e ex-aluno do colégio e vê a Festa das Nações como um dia para se relembrar o que foi vivido, e celebrar a família e a união. “Transmitimos estes valores de geração para geração. A Festa das Nações surgiu com intuito de ser um grande evento que reunisse trabalhos das crianças dos mais variados tipos de temas. Sempre focando a pluralidade das origens e as várias etnias do mundo, além disso, focando o respeito, a tolerância e a aceitação”.
Já para Victor Callari, coordenador do 9º ano dos Ensinos Fundamental e Médio, “estamos muito felizes com este evento presencial após dois anos realizados de forma remota. É um momento de matarmos a saudade e fazer com que a escola possa realmente cumprir o papel de ir ao encontro das pessoas, da sociabilidade e das relações humanas, que foi bastante prejudicado neste período. E o tema deste ano foi muito bem aceito pelos alunos e provocou várias reações porque a arte tem esse papel. O Centenário da Semana da Arte Moderna e o Bicentenário da Independência do Brasil foram assuntos que já haviam sidos discutidos anteriormente. Foram dois temas que nortearam as nossas ações pedagógicas no decorrer deste ano. A Festa das Nações também propicia a integração entre professores, pais e alunos. É uma forma com que a escola consiga mobilizar os alunos para além das aulas expositivas onde eles ficam sentados olhando o professor na frente da lousa. O momento é de interação e criatividade”.
Para Soraia Mansano, coordenadora de Educação Infantil, “nós estamos ansiosos porque o evento reúne as famílias, alunos e ex-alunos. Estamos felizes por estarmos todos juntos para celebrar a Festa das Nações. Referente ao tema, foi interessante porque tive que trabalhar com as crianças de forma muito lúdica, para que atribuísse significado a cada trabalho que eles desenvolveram. Mas foi possível, e acredito que eles tenham adquirido muito conhecimento. As nossas crianças pesquisaram muito, assistiram vídeos e adaptamos conteúdo. A Festa das Nações aproxima professores, pais e alunos. E neste dois anos de pandemia ficou muito claro o quanto o ensino presencial e essas festas aproximam a família e a escola. A partir do momento que o aluno sente essa conexão, ele aprende com muito mais vontade, porque o aluno percebe que a família está junto dele apreciando. É um momento da vida das crianças, onde elas precisam de todo o incentivo E para o ano que vem teremos muitas surpresas para celebrar o centenário do Colégio, ainda é segredo, mas preparem-se que vem muita coisa boa por aí”.
“A Festa das Nações é um momento em que toda a família vem para a escola. Acreditamos cada vez mais na parceria família e escola. Aqui as pessoas se reencontram e as crianças passam pela experiência de expor seus trabalhos e explicar para a família o sentido da sua apresentação”, completou a coordenadora Soraia.
Evelyn Margit Beck, que é gerente administrativa da escola, vê a Festa das Nações como uma grande oportunidade de rever antigos amigos e ex-alunos. “Todos nós estávamos ansiosos com a volta de nossa Festa das Nações e, neste ano, pudemos realizá-la! Uma alegria muito grande em receber os amigos para este grande encontro. Um dia maravilhoso, alegre e feliz, com muitas apresentações dos alunos empolgados com seus trabalhos antes e durante a festa.
Muita comida gostosa, típica também da Alemanha, com bazar, muitos abraços e recordações dos anos passados. Um dia lindo, repleto de carinho e muito amor envolvido! Uma festa que anuncia como serão as festividades do próximo ano, quando o colégio festejará o seu Centenário”.
Interação
Pais interagiram juntamente com seus filhos durante as atividades. Para as famílias, a Festa das Nações é uma iniciativa excelente do Colégio Imperatriz Leopoldina, pois desenvolve inúmeras habilidades.
Para o pai da aluna Manuela Palmieri, de 11 anos, Eduardo Palmieri “o evento é muito importante. Foi muito triste durante a pandemia minha filha participar dos eventos do colégio dentro de casa, sem nenhum contato com os colegas e professores. Um dos momentos mais tristes que presenciei foi ela vestida de caipira dançando na frente de um computador na Festa Junina. Isso foi deprimente, e agora, vendo esta festa maravilhosa retornando, é muito gratificante. A Festa das Nações faz parte da interação e do desenvolvimento. Esses eventos devem acontecer mais vezes aqui na escola.”
Já para o pai do aluno Miguel Mauricio, de 11 anos, o coronel José Maurício Weisshaupt Perez, “essa festa é da retomada, é viver intensamente todas as oportunidades para celebramos a educação e a cultura. Isso mostra que pior por que as coisas sejam, sempre a gente vai superar e depois da tempestade vem a bonança . E a Festa das Nações envolve a todos, pais, alunos e professores. E a escolha do tema desta edição foi importante, porque os nossos filhos precisam conhecer a história do nosso país. Ou seja, essa mudança de paradigma”.
Para a ex-aluna do Colégio CIL, Daniela Sepeda, “o evento presencial fez muita falta nesses dois anos de pandemia. A Festa das Nações é muito importante para o contato entre as pessoas e também para apreciar os trabalhos pedagógicos dos nossos filhos. Minha filha Laura Sepeda, de 9 anos, estava ansiosa para mostrar seus trabalhos. E este ano o tema foi bastante interessante, porque a arte traz vida. É uma possibilidade ímpar das crianças entenderem o que aconteceu na Semana da Arte Moderna”.
Para o ex-aluno Marco Antonio Zonta, “O CIL é uma grande família e estamos sempre presentes nas festas do colégio. E essa retomada foi fundamental para a integração dos alunos, pais e professores. Sou muito honrado de fazer parte desta família. Aliás, os grandes amigos e irmãos saíram daqui. É a turma do CIL. Este colégio é diferente dos demais porque ele investe no aluno através da cultura e da arte. Antigamente a escola era destinadas apenas para descendentes de alemãs, agora é voltado também para outras etnias. E hoje para nossa família é um momento muito especial porque meu filho Henrique Pires Zonta foi aprovado em duas universidades preparatórias para o curso de Medicina na Alemanha. Se Deus quiser teremos um médico formado na Alemanha. Cada centavo investido aqui no colégio está tendo retorno. É o que a gente faz, investir nos filhos”.
Para o aluno do 3º ano do Ensino Médio, Henrique Pires Zonta “é muito bom estar de volta à Festa das Nações . Estudo aqui desde do 1º ano do Fundamental I e é muito bom estudar no CIL. A festa sempre inova com temas diferentes, mantendo as tradições. Estou muito feliz em participar desta edição.
E o tema de ano foi bastante satisfatório, o Centenário da Semana da Arte Moderna. Aqui no CIL o aluno não é apenas um número. O colégio transforma o individuo em pessoas de bem através da cultura, da inteligência e do desenvolvimento emocional. Além disso, o CIL abre espaço para outras nacionalidades, a escola hoje em dia é mais plural e abrangente”.
Henrique também ressaltou a contribuição do colégio no seu ingresso à Universidade alemã. “Estou muito emocionado porque mudar de país não é nada fácil, mas isso é algo que venho pensando desde o 9º ano. Refleti muito com minha família e tive muito apoio dos professores e diretores do CIL. O colégio me ajudou a traçar essa estratégia e forneceu ferramentas para que eu pudesse realizar esse sonho”.
O aluno aproveitou para enviar uma mensagem a todos os jovens que queiram realizar seu sonho de estudar fora do Brasil. “Sejam corajosos e se concentrem ao máximo nos seus sonhos, não percam o foco e conversem com os professores de sua escola para te auxiliarem e orientarem, e acima de tudo, cumpram com suas obrigações. Não desistam jamais”.
Para Camile Vitoria Rocha Rezegato, mãe da Paola e da Bruna de 6 e 4 anos perspectivamente, “a Festa das Nações é muito importante e marca o primeiro ano das minhas filhas na escola. É a festa mais importante do colégio, pois agrega as famílias. As minhas filhas estão super felizes. O evento é fundamental para elas terem uma imersão cultural. Hoje em dia educação se faz com uma comunhão entre a família dentro de casa e a escola. Essa integração é fundamental para o crescimento das crianças”.
Para Elaine Faccin, mãe do ex-aluno Lucca Faccin Santos, “o CIL contribuiu muito com o desenvolvimento do meu filho que hoje está cursando o primeiro ano de engenharia na USP. Foram 14 anos de dedicação. O colégio é maravilhoso e oferece muitas coisas boas para os alunos”.