Em tempos de eleição quando todos são chamados a exercer seu papel de cidadão, lembrei a passagem bíblica em que, elevando uma questão material para um problema religioso, maliciosamente, tentaram fazer com que Jesus transgredisse as normas então vigentes ao fazerem-lhe a seguinte indagação: “Mestre, sabemos que és homem de verdade. E de ninguém se te dá, porque não olhas à aparência dos homens, antes com verdade ensinas o caminho de Deus: é lícito dar o tributo a Cesar, ou não? Daremos, ou não daremos? Então ele, conhecendo a hipocrisia, disse-lhes: Por que me tentais? Trazei-me uma moeda, para que a veja. E eles lha trouxeram. E disse-lhes: De quem é esta imagem e inscrição? E eles disseram: De César. E Jesus, respondendo, disse-lhes: Dai, pois, a Cesar o que é de Cesar e a Deus o que é de Deus. E Maravilharam-se dele”.
Esse divina lição, como todos os ensinamentos do Cristo, tem um princípio geral e prescreve o cumprimento dos deveres e o respeito aos direitos de cada um, como todos desejam que os seus sejam respeitados.
Isso me remeteu a uma antiga crônica publicada neste jornal na qual tecemos algumas impressões sobre o exercício da cidadania, que diz: “O exercício da cidadania, que deve ser praticado em todos os espaços do cotidiano e das relações humanas, pode ser definido como a participação ativa e efetiva na sociedade em que se vive, a implicar no respeito e cumprimento de deveres para que direitos possam ser reivindicados.
A postura omissiva em relação ao exercício pleno da cidadania leva o homem à alienação e à sujeição em relação àqueles que se posicionam.
Independentemente de qualquer outra conotação, seja de ordem política ou religiosa, no exercício da cidadania, o homem, único ser dotado de inteligência e que é gregário, ou seja, vive em sociedade, deve se mobilizar em torno das questões que promovam a liberdade, a igualdade e a fraternidade, colocando em prática, indistintamente, o mandamento maior do amor ao próximo.
Essa prática evidenciará a conscientização dos direitos e deveres a que os homens estão submetidos e, certamente, propiciará a transformação do indivíduo e, como consequência, do meio em que vive.
A prática consciente da cidadania, que por vezes é confundida com o exercício da política, implicará no conhecer-se melhor perante si mesmo, a sociedade e Deus, porque haverá o respeito à ordem social e as leis da natureza.
Ajudar na transformação deste mundo de provas e expiações, onde ainda há fortes resquícios do mal, num mundo de regeneração, onde prevalece o bem, implica no respeito aos princípios democráticos de cidadania e ética, que propicia a justiça social, harmonia, fraternidade, enfim, o amor ao próximo.
Para o aperfeiçoamento da sociedade, com sua evolução moral, é preciso que cada qual, em qualquer situação, atue dentro dos princípios basilares que visam o bem comum.
A cidadania, ao incentivar a reforma íntima, a honradez, a honestidade, o respeito ao próximo e a Deus, torna o homem mais justo e perfeito.”.
Enfim, em qualquer situação, seja em relação “a Cesar” ou a Deus, podemos e devemos nos lembrar dos exemplos de Jesus procurando aprimorar nossos pensamentos, atos e atitudes para que nossos exemplos ajudem a contagiar outras pessoas e todos sejamos artífices de uma efetiva transformação social.
1Marcos 12- 1:17
2A Prática da Cidadania – Semanário da Zona Norte
Paulo Eduardo de Barros Fonseca - Governador 2006/2007 do Distrito 4430 de Rotary International