Na escolinha lá do Distrito Federal – também conhecido como a Ilha da Fantasia – a professora, sintonizada com os problemas econômicos do país, pediu a seus aluninhos uma redação sobre o tema “Uma família pobre”. Então a filhinha do ministro escreveu:
“Era uma família pobre. O pai era pobre. A mãe era pobre. Os filhos eram pobres. A governanta era pobre. A cozinheira era pobre. As babás eram pobres. O motorista era pobre. O jardineiro era pobre. Os seguranças eram pobres. Enfim, era uma família pobre”.
O propósito dessa historinha sem propósito todos já sabem: o aumento que os ministros do Supremo Tribunal Federal “se deram”, para o exercício de 2019, de 16,38%, passando dos atuais R$ 33.700,00 para mais de R$ 39.000,00! O impacto sobre o orçamento federal será de R$ 2.870.000,00! Mas não fica só nisso: como seu salário serve de teto para todos os magistrados do país, trará um “efeito cascata”, implicando em aumento da mesma ordem para toda a categoria. Conforme dados divulgados pelo próprio STF, o impacto total será da ordem de R$ 717.100.000,00. Isso mesmo: quase um bilhão esse “aumentozinho” para o Judiciário.
Dos 11 ministros que compõem a Corte, 4 votaram contra o aumento: Cármen Lúcia, Celso de Mello, Rosa Weber e Edson Fachin, tendo todos os outros dado voto favorável.
Enquanto isso, o salário mínimo de 2018 são fantásticos R$ 954,00, tendo recebido colossal aumento de 1,81% de aumento! Ainda bem que, em 2019, o aumento será maior: incríveis 4,61%, o que o elevará a vultosos R$ 998,00!
A filhinha do ministro continuará sem sequer imaginar o que, de fato, é “uma família pobre”, que tem de viver com menos de mil reais por mês! Os atuais R$ 33.700,00 mensais que recebem suas excelências equivalem a praticamente TRÊS anos de ganho do trabalhador: 35,32 salários mínimos! Essa diferença, além de iníqua, é cruel e também perigosa. Causa revolta no pai de família – que recebe subsalário – e ódio nos filhos, sempre humilhados e discriminados, são obrigados a viver em submoradias, convivendo com subalimentação, subsaúde e subvida, não sendo de estranhar que alguns ingressem no submundo do crime! A própria agressividade que jovens assaltantes demonstram quando matam impiedosamente suas vítimas, mesmo sem reação, são indício dessa triste realidade! Não sem razão, o Mestre diz, no Sermão Profético (Mateus, 24,12): “E por se multiplicar a iniquidade, o amor de muitos esfriará”!
No século 18, a disparidade na França era tal que o povo não tinha o que comer. Conta-se que Maria Antonieta, frívola esposa de Luís XVI, teria dito: “Se não têm pão, que comam brioches”! Tenha dito a frase ou não, a verdade é que, em 16 de outubro de 1793, ela foi guilhotinada, na explosão de fúria e ódio da população faminta e maltrapilha...!
No Brasil do século 21, nessa crise que soma mais de 13 milhões de desempregados – e muitos mais subempregados – o povo não está tendo pão...
*JB Oliveira, Consultor, comunicador, jornalista, palestrante
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