O que a fé significa em nossas vidas? Essa é uma indagação que permeia o pensamento das pessoas e muitas vezes, notadamente, em tempos de dificuldades, nos faz admitir que nossa fé nem sempre é convicta. Há consenso de que a fé é um sentimento inato no homem. É a consciência de que se têm faculdades imensas cujo germe foi depositado no homem em estado latente e depois deve eclodir e crescer por sua vontade ativa. É uma divina inspiração de Deus, que desperta todos os nobres instintos que conduzem o homem ao bem.
Porém, a fé necessita de uma base e essa base está na plena e perfeita compreensão daquilo em que se deve crer, sendo certo que para crer não basta ver, é necessário, sobretudo, compreender. Allan Kardec define a fé como sendo uma força de vontade direcionada para um certo objetivo, ou seja, a vontade de querer. Essa força pode ser aplicada no campo material, definido como a fé humana, e no espiritual, a fé divina, que orienta o homem na crença em uma força superior a ele e a tudo, que a tudo organiza e o direciona na busca da descoberta do seu lado imortal. A fé é humana e divina; se todos os encarnados estivessem bem persuadidos da força que têm em si, se quisessem colocar a vontade a serviço dessa força, seriam capazes de realizar o que, até o presente, chamou-se de prodígios, e que não é senão um desenvolvimento das faculdades humanas.
Mas, a fé deve se apoiar sobre a lógica dos fatos, não deixando atrás de si nenhuma obscuridade. A fé deve ser raciocinada para fazer valer o pensamento que diz que “não há fé inabalável senão aquela que pode encarar a razão face a face, em todas as épocas da Humanidade”. Nesse contexto, para ser proveitosa, a fé deve ser ativa, não deve se entorpecer, devendo ser reconhecida como a mãe de todas as virtudes que conduzem a Deus e estar fincada sobre as bases da razão, para que, em qualquer circunstância, traga como consequência a esperança e a caridade.
*Governador 2006/2007 do Distrito 4430 de Rotary International.