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A essência dos cidadãos fardados

Colunista Otávio Santana do rego Barros

A essência dos cidadãos fardados
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Os militares empreendem uma longa e desgastante marcha desde o momento que ultrapassam os portões das armas das escolas de formação. Não são poucos os obstáculos a serem vencidos até a conclusão de sua missão.
Mas é bom que se esclareça. A carreira não é um caminho sem volta. Permite escape àqueles que percebem o equívoco de sua decisão preferencial por não serem talhados para a profissão das armas.
Uma decisão corajosa que após fixada é um elixir sanativo para o próprio ex-militar e para a Instituição que o abrigou. 
Infelizmente, alguns desajustados insistem em continuar e passam a afrontar o perfil esperado dos homens e mulheres vestidos da farda.
Sofrem e, não raras vezes, se tornam pessoas frustradas. Esses indivíduos ofendem o “ethos” da Instituição que precisa fazer caminhar, lado a lado, como uma coorte romana, cada um de seus legionários.
Uma discussão complexa que ultrapassa o momento e o escopo deste texto.
Eis uma sistematização dos perfis apresentados: 
- Os vocacionados que se enquadram e prosseguem na liturgia da carreira;
- Os não vocacionados com coragem moral que optam por novos caminhos; e
- Os não vocacionados com covardia moral que se atiram nas tarimbas, aguardando o toque de alvorada para mais um dia improdutivo. 
São os desapetrechados dos valores éticos e morais exigidos pela profissão. Às vezes, são escoimados dos quadros pelo cometimento de crimes ou graves infrações.
Nos países mais adiantados, faça-se justiça ao incluirmos o Brasil, a formação desses servidores passa por rigoroso processo técnico e acadêmico - a cada dia mais essencial -, resultando em constante exercício da liderança, da hierarquia e da disciplina. 
O profissional amadurece no “sol causticante” do dia a dia da caserna, habilitando-se a decidir questões cada vez mais complexas, conforme as estrelas alumbram os seus ombros.
Mas, o ser soldado não se configura apenas pela ação. Primacialmente, pelo espírito. É esse que direciona a ação. Que a impulsiona. É a crença e a dedicação que não esperam aplausos. O reconhecimento silencioso que lhes devota a sociedade ao demonstrar confiança genuína, é bastante! 
Aprendem a obedecer como argamassa do ides comandar. Um compromisso pessoal que limita os soberbos e imaturos.
Vive-se um desassossego quanto ao envolvimento das Forças Armadas em ambiente político nos últimos anos. A compreensão do papel apolítico da Instituição é essencial. Razão para a gestação de uma consciência social equilibrada que defenda o militar profissional possuidor do apanágio do bem servir.
Percebe-se de forma contumaz as artimanhas de dirigentes aboletados no poder que buscam usufruir da boa imagem das Forças construída junto da sociedade, em benefício pessoal e de coloração egoísta.
O momento é desafiador. A coletividade nacional precisa envolver-se e assumir vigorosamente seu quinhão de responsabilidade por proteger e promover as suas Forças Armadas. 
A forma mais eficaz de erigir um muro indevassável contra os aventureiros inescrupulosos é asseverar a plenos pulmões que não aceitarão o mau emprego das Forças e de seus componentes. A regra é clara, está explícita na Constituição.
Na próxima peleja eleitoral observem com acurácia os que se mostrem conscientes quanto ao papel de Estado para a Instituição das armas. A escolha será dura. A análise do ambiente nos mostra uma linha de crista divisória que separa dois talvegues profundos. É preciso fugir deles.
Já é conhecido quem não se submete a aceitar com reverência a missão atribuída aos cidadãos fardados. Quem os usa como trampolim para se adonar de mais poder. A República desses está farta.
Paz e bem! 

*General de Divisão R1

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