A doutrina espírita foi codificada pelo educador francês e se apresenta lastreada em três colunas independentes, mas interligadas, que a sustentam, quais sejam: ciência, filosofia e religião.
No dizer de Emmanuel esses elementos basilares constituem o triângulo sublime sobre o qual a doutrina espírita assenta suas bases, preparando a humanidade do presente para a vitória do Amor.
O Espiritismo é, ao mesmo tempo, uma ciência de observação e uma doutrina filosófica com um conteúdo moral baseado nos fundamentos eternos do Cristo, que liga fraternalmente os homens entre si enquanto um caminho que os conduz a Deus.
Como bem definiu Allan Kardec, no livro “O Que é o Espiritismo”, a doutrina funda-se na existência de um mundo invisível, formado por seres incorpóreos que povoam o espaço e que não são mais que as almas daqueles que viveram na terra, ou em outros globos, nos quais deixaram seus invólucros materiais. São os seres a que chamamos de espírito, seres que nos cercam e incessantemente exercem sobre os homens, sem que estes os percebam, uma grande influência e desempenham papel muito ativo no mundo moral e mesmo, até certo ponto, físico.
Oportuno dizer que o Espiritismo não descobriu e nem inventou os espíritos e tão pouco descobriu o mundo espiritual no qual o homem, ainda que instintivamente, sempre acreditou, bem como nem mesmo revelou a mediunidade. Mas, com base nos três aspectos que dão suporte à doutrina - ciência, filosofia e religião -, demonstra por fatos materiais a existência desse mundo espiritual e o apresenta como verdadeira luz, livrando-o dos preconceitos e incertezas.
Ao estudarmos a doutrina Espírita verificamos que Kardec, seu codificador, (a) partiu da pesquisa, como fundamento da doutrina, originando-se a Ciência espírita; (b) desenvolveu a interpretação dos resultados da pesquisa, enquanto um investigador imparcial que (c) resultou na Filosofia espírita, que naturalmente leva à religião espírita.
Assim, novamente lembrando Kardec, “o Espiritismo é uma ciência que trata da natureza, origem e destino dos espíritos, bem como suas relações com o mundo corporal.”
Daí a defesa na fé racionada, de modo que ela se torne inabalável e possa encarar a razão face a face em todas as épocas da humanidade.
Oportuno lembrar que a doutrina espírita também admite e estuda a reencarnação, a qual, ademais, era plenamente admitida desde a antiguidade e ainda é aceita em diversas religiões.
Aliás, quanto à reencarnação, a história da humanidade nos mostra que quando o Cristianismo foi incorporado como religião oficial do Império Romano o tema começou a ser banido, tendo essa situação se consolidado no Concílio de Constantinopla, no ano de 553, por obra do imperador Justiniano.
Mas, doutrina espírita entende-se que pelas encarnações sucessivas o espírito, sendo pouco a pouco despojado de suas impurezas e aperfeiçoamento pelo trabalho, chega ao termo de suas existências corpóreas atingindo esferas superiores.
O Espiritismo não tem culto material exterior nem sacerdócio organizado, porém, inegavelmente, possui conteúdo moral cristão que liga os homens entre si e o Criador.
Seus adeptos buscam o aperfeiçoamento moral e creem na existência de um único Deus, na possibilidade da comunicação útil dos espíritos por meio dos médiuns, no progresso da alma, na pluralidade dos mundos e na reencarnação, como um processo de progresso espiritual e justiça divina.
Enfim, no sentido de que seus princípios fundamentais e suas consequências morais traduzem o pensamento de Jesus, a doutrina espírita pode e deve – porque é - ser considerada uma doutrina cristã.
Por fim, fato é que estando atrelados à lei divina todos irão “nascer, viver, morrer, renascer ainda e progredir sempre, tal é a lei”.
Paulo Eduardo de Barros Fonseca